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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

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Qatar ou sede inédita: Fifa busca solução para o Mundial de Clubes 2021

Troféu do Mundial de Clubes, que não será mais disputado no Japão em 2021 - GettyImages
Troféu do Mundial de Clubes, que não será mais disputado no Japão em 2021 Imagem: GettyImages
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

09/09/2021 10h09

A direção da Fifa procura uma solução após ser informada de que a Federação Japonesa desistiu de organizar o Mundial de Clubes de 2021, como revelado pela agência de notícias Kyodo e confirmado nesta quinta pela associação. Semifinalistas da Libertadores, os brasileiros Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras podem disputar o torneio caso vençam o continental.

A federação internacional trabalha neste momento com dois cenários:

1) Manter a data original, de 9 a 19 de dezembro, definindo uma nova sede que possa receber público, mesmo com capacidade parcial dos estádios;

2) Adiar para o início de 2022, provavelmente em fevereiro, como foi feito em 2020, que só foi realizado em 2021 por causa da pandemia. Essa possibilidade deve colocar o torneio no Qatar, que recebeu as duas últimas edições.

Sede da Copa do Mundo de 2022, o Qatar é a opção preferida da Fifa para ocupar o lugar do Japão por ter uma estrutura pronta de estádios e logística de acesso de torcedores. O problema é que o país receberá em dezembro a Copa Árabe, competição criada pela Fifa exclusivamente para evento-teste do Mundial. Ou seja, impossível realizar em Doha o Mundial de Clubes nesta data.

Se a Fifa decidir por adiar o Mundial para o início de 2022, o Qatar se torna favorito. Mas talvez a entidade não consiga, por questões comerciais — já foi problemático de 2020 para 2021, já que o principal parceiro para o campeonato, o grupo chinês Alibaba, tem programado suas ativações para dezembro. Esse contrato, aliás, é o que impede que a edição seja simplesmente cancelada.

Se mantiver em dezembro, a Fifa tem que arrumar outro local. A coluna apurou que até agora somente um país se ofereceu, o Egito, que usaria dois estádios no Cairo — o egípcio Al Ahly, campeão africano, já está classificado para a competição. Mas é provável que outros candidatos apareçam. Como a seleção do Egito participará da Copa Árabe, a Fifa talvez prefira que o Mundial de Clubes, se for ocorrer no mesmo período, seja em outro continente.

Já estão classificados para o Mundial deste ano o Chelsea, da Inglaterra, campeão da Liga dos Campeões, o Auckland City, da Nova Zelândia, indicado pela Confederação da Oceania, já que o seu continental foi novamente cancelado por causa da pandemia, e o Al Ahly, do Egito, vencedor da Champions africana e terceiro coloca do Mundial 2020, quando venceu o Palmeiras na decisão do 3º lugar nos pênaltis.

O Mundial no formato atual, com sete participantes (o campeão de cada continente, mais um representante do país-sede) é realizado desde 2005, mas a edição de 2021 pode ser a última. Como o blog revelou, a Fifa não colocou em seu orçamento de 2022 previsão para o torneio, que por causa da Copa do Mundo em novembro e dezembro, para minimizar o calor do Qatar, não terá calendário para acontecer.

O Super Mundial de Clubes com 24 participantes, que deveria estrear em 2021 na China, mas foi cancelado por causa da covid-19, não tem data mais para acontecer (e a prioridade da Fifa agora é mexer no calendário para que a Copa do Mundo de seleções ocorra a cada dois anos).

O Mundial até hoje ocorreu em quatro sedes: Japão, Emirados Árabes, Marrocos e Qatar. Portanto pode ser a primeira vez que a organização saia do eixo Ásia/África. A Fifa ainda organizou uma edição anterior no Brasil, em 2000, mas com regulamento diferente do atual.

A desistência japonesa, segundo a Kyodo, é porque não há garantias de que o governo japonês vá liberar público nos estádios, o que faria a federação ter prejuízo. Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, realizados entre junho e agosto, foram com portões fechados aos torcedores.