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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

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Jogos noturnos dos grandes, após novela da Globo, podem destravar Paulistão

Fagner durante jogo entre Corinthians e Mirassol, em Volta Redonda, pelo Paulistão - Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Fagner durante jogo entre Corinthians e Mirassol, em Volta Redonda, pelo Paulistão Imagem: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

29/03/2021 14h48

Além de um protocolo que aumentaria testes para a covid-19 e criaria uma bolha com atletas e funcionários isolados em centros de treinamento e hotéis, a Federação Paulista de Futebol (FPF) deve propor ao Ministério Público que a maioria dos jogos do Paulistão durante a fase emergencial, principalmente dos quatro grandes, seja à noite — mesmo aos finais de semana.

A ideia é tentar neutralizar um dos principais argumentos dos promotores para pedir a paralisação do futebol, que é a aglomeração de torcedores em casa, bares e restaurantes e até nos arredores dos estádios. Como a fase emergencial prevê um toque de recolher das 20h às 5h, teoricamente jogos realizados após esse horário diminuiriam as chances dessas aglomerações — a decisão final é do governo João Doria, que tem entretanto acatado essa sugestão do MP. O Rio Grande do Sul tem usado esse protocolo para não parar seu Estadual.

O blog apurou que a Globo, que detém os direitos de transmissão do Paulistão para todas as plataformas (TVs aberta e fechada, streaming e pay-per-view), não se oporia. Uma alternativa é transmitir jogos aos sábados, pós-novela das 21h e antes do Big Brother Brasil (BBB) — partidas marcadas entre 21h30 e 22h, já que o reality tem grade flexível aos sábados. A emissora gostaria que o campeonato não parasse já que tem contratos comerciais a cumprir e o Paulista, junto com a Copa do Brasil, é seu principal torneio nesses primeiros meses da temporada 2021.

Ao blog de Danilo Lavieri, o médico infectologista do centro de contingência do Estado, Marcos Boulos, disse que o receio das autoridades são as aglomerações para torcedores assistirem aos jogos. "A proibição do futebol não está relacionada à prática do esporte ou jogadores, mas está atrelada ao entorno", explicou Boulos.

Partidas entre clubes menores, que gerassem menos interesse, poderiam ocorrer à tarde, a depender da resposta do Ministério Público. O Paulistão foi interrompido na quarta rodada, após o governo de São Paulo acatar sugestão dos promotores que pediram a paralisação dos jogos durante a fase emergencial, que visa diminuir a contaminação por covid-19.

Duas partidas foram realizadas em Volta Redonda (RJ), na semana passada: São Bento 1 x 1 Palmeiras, atrasada da terceira rodada, e Mirassol 0 x 1 Corinthians, válida pela quinta rodada. Complicações de logística e decretos de prefeitos e governadores vetando o futebol, porém, impedem que ocorram mais jogos fora de São Paulo.

O governo de São Paulo ampliou de 28 de março para 11 de abril a fase emergencial, incluindo o futebol, o que embaralhou de vez o calendário do campeonato que deveria terminar em 23 de maio. Se não houver recuo das autoridades paulistas, dificilmente a FPF vai conseguir encerrar o torneio na data estipulada, mesmo se colocar os grandes para jogar três vezes por semana junto com partidas de outros torneios, como Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana.