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Marcel Rizzo

Bolha de atleta, público e regra a estrangeiro: como será o Mundial da Fifa

Estádio Cidade da Educação, que receberá a final do Mundial-2020 com público - Divulgação
Estádio Cidade da Educação, que receberá a final do Mundial-2020 com público Imagem: Divulgação
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

19/01/2021 10h55

O governo do Qatar liberou para a Fifa vender ingressos para quase 50% da capacidade dos dois estádios que receberão jogos do Mundial de Clubes-2020, que por causa da pandemia será disputado entre 4 e 11 de fevereiro de 2021. O torneio terá um exigente protocolo sanitário para evitar contaminação por covid-19 para as delegações e torcedores.

O estádio Cidade da Educação, que receberá a semifinal do campeão da Libertadores (Palmeiras ou Santos) e a final tem capacidade para 45 mil torcedores e terá disponível para venda cerca de 21 mil entradas. Já o recém-reformado Ahmad Bin Ali, que será sede da semifinal do Bayern de Munique, com 40 mil lugares, terá à venda pouco menos de 20 mil.

A Fifa não vai impedir a venda a pessoas que não morem no Qatar, como se cogitou, mas haverá um protocolo tão rígido que torna bem difícil a ida de brasileiros, por exemplo, caso queiram acompanhar Palmeiras ou Santos.

Já há ingressos à venda desde segunda-feira (18), mas apenas para pessoas que tenham cartões Visa (patrocinador da entidade) emitidos no Qatar. Ou seja, até esta quinta (21) somente residentes no país-sede podem adquirir os bilhetes, que têm preços que variam de R$ 15 a R$ 420.

A partir de quinta (21) abre para venda ao público em geral, mas as restrições de entrada no Qatar por causa da pandemia e para retirada do ingresso torna a vida de um brasileiro que queira ir ver seu time uma saga.

QUARENTENA NO HOTEL

Palmeiras ou Santos jogarão dia 7 de fevereiro a semifinal. O governo do Qatar exige que quem comprar retire o ingresso até 72 horas antes da partida apresentando um desses três documentos: duas doses de vacinação contra covid-19; se foi contaminado depois de 1º de outubro, teste que mostre ter anticorpos contra covid-19; e caso não tenha ficado doente ou a contaminação seja anterior a 1º de outubro, um teste negativo para covid-19.

Para ir ao jogo do dia 7, portanto, o torcedor tem que recolher seu ingresso no dia 4. Mas as exigências não param por aí: hoje para um brasileiro entrar no Qatar é preciso que ele fique antes sete dias de quarentena em um hotel qatariano indicado pelo governo local (o que custaria algo em torno de R$ 4,5 mil). É preciso também, para embarcar, um teste negativo de covid-19 feito até 96 horas antes do voo.

Como precisa pegar o ingresso no dia 4 de fevereiro, o brasileiro teria que entrar de quarentena no Qatar no dia 28 de janeiro, para estar apto a circular pelo país sete dias depois. A final da Libertadores é dia 30 de janeiro, no Maracanã, então um palmeirense ou santista teria que entrar no Qatar antes de saber se seu time estará no Mundial.

Caso o torcedor queira se arriscar apenas para ver os jogos do dia 11 de fevereiro (disputa de terceiro lugar e decisão), o procedimento é o mesmo, mas ele ganha quatro dias: pode entrar no Qatar em 1º de fevereiro.

Dentro do estádio a Fifa definiu que haverá distanciamento de dois assentos entre os torcedores, um de cada lado. Se você for acompanhado poderá estar ao lado de seu colega, e dois assentos vão separá-lo de outras pessoas.

O uso de máscara será obrigatório, haverá medição de temperatura na entrada e pessoas com mais de 37,8 graus serão proibidas de acessar a arena. Não haverá venda de comida ou bebida dentro do estádio e nem poderá acessá-lo com alimentos comprados fora dele.

BOLHA DOS JOGADORES

As delegações, claro, terão protocolos menos rígidos para entrar no país. Não será preciso cumprir sete dias de quarentena em hotéis, mas todos os 55 membros que entrarão credenciados pela Fifa (23 jogadores e 32 oficias, como diretores e membros da comissão técnica) terão que ter testes negativos de covid-19 feitos até 72 horas antes do embarque e serão testados novamente ao chegar a Doha e nos dias seguintes.

O deslocamento será de "bolha para bolha". Nenhum membro da delegação poderá deixar o hotel a não ser para os centros de treinamento e, claro, para os estádios nos dias dos jogos. É proibido também receber visitas de terceiros sem autorização da Fifa.

A Fifa recomenda aos clubes que evitem levar muitos convidados, principalmente familiares de atletas. A entidade banca 55 passagens e hospedagens, mas os clubes devem levar alguns atletas a mais, por conta, para caso haja necessidade de troca por lesão ou contaminação por covid-19 — que pode ser feita até 24 horas antes da estreia.

O campeonato terá seis participantes — o Auckland City, representante da Oceania, foi excluído depois que a Fifa e os governos do Qatar e da Nova Zelândia não entraram em consenso sobre o protocolo sanitário que os neozelandeses deveriam cumprir. Além de Palmeiras ou Santos participarão Bayern de Munique (Alemanha), Al-Duhail (Qatar, cota do país-sede), Al-Ahly (Egito), Tigres (México) e Ulsan Hyundai (Coreia do Sul).