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Marcel Rizzo


Por que o Flamengo briga para voltar o Carioca sem ter verba de TV a ganhar

Gabigol durante partida contra o Madureira antes de o Campeonato Carioca ser paralisado pela pandemia do coronavírus - Thiago Ribeiro/AGIF
Gabigol durante partida contra o Madureira antes de o Campeonato Carioca ser paralisado pela pandemia do coronavírus Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

17/06/2020 11h50

Classificação e Jogos

Por que o Flamengo puxa a corda para voltar o Campeonato Carioca se não terá dinheiro (ainda) a receber de direitos de transmissão, motivo que embala os clubes pequenos e o Vasco? É o efeito dominó.

O reinício do Carioca, mesmo aos trancos e barrancos, forçará outros Estaduais a seguir esse caminho. E colocará o Campeonato Brasileiro no horizonte. Quanto antes a Série A começar, maior a chance de ser disputada no formato original, com 38 rodadas, o que garantiria 100% de verba de transmissão e de patrocinadores aos 20 clubes participantes, entre eles o Fla.

Um acordo entre a Globo e os clubes elaborou um calendário para que a emissora libere os valores retidos de transmissão dos Estaduais, que pararam em março devido à pandemia do novo coronavírus.

No caso do Carioca, como mostrou o blog, cerca de 25% do total do contrato, R$ 25,5 milhões, teve pagamento suspenso em março. Ficou acertado em abril que 10% (2,5 milhões) seria liberado até o fim daquele mês, 15% (3,8 mi) assim que a bola rolar e o restante, pouco mais de R$ 19 milhões, quando o torneio acabar.

O Flamengo, porém, não fechou com a Globo pelo Carioca, nem TVs aberta e fechada e nem o pay-per-view. Há uma negociação em andamento, mas que está travada e a partida contra o Bangu, que deve retomar o Carioca nesta quinta (18), não terá televisionamento (e nem torcida no Maracanã).

Como mostrou a coluna De Primeira no UOL Esporte nesta quarta (17), a Globo quer avaliar como vai retornar o Carioca. Caso não volte com todos os times (Fluminense e Botafogo não querem atuar já em junho), a emissora pode não liberar os 15% prometidos para assim que a bola rolar.

Se para os clubes pequenos é fundamental jogar para a Globo liberar parte da verba retida, para o Flamengo o foco em retornar o torneio é outro. O clube do Rio tem grandes quantias a receber em torneios que estão sem datas para acontecer, como o Brasileiro e a Libertadores. Eles demandam um deslocamento maior dos times em tempos de pandemia e são mais complicados de organizar do que partidas dentro do próprio estado.

O efeito dominó que o Carioca pode exercer sobre outros campeonatos é natural, principalmente se nada der errado — traduzindo: jogadores contaminados paralisando novamente o torneio, por exemplo.

Isso ocorreu na economia. Alguns estados começaram a reabrir o comércio, inclusive shoppings, mesmo com números crescentes em casos e mortes causadas pela Covid-19. Outros seguiram porque receberam pressão das associações de empresas e até de trabalhadores de seus estados para fazerem o mesmo. Ora, se aquele pode por que eu não posso?

No futebol pode ocorrer o mesmo. Na terça (16), o governo de São Paulo deu aval para que os clubes paulistas possam voltar a treinar. Vai depender de cada prefeitura, já que há cidades em situação mais delicada da pandemia, mas é um sinal de que o campeonato pode voltar em julho.

Para que o Brasileiro e a Libertadores apareçam no horizonte é preciso finalizar os Estaduais e dar sinal de que é seguro jogar futebol no Brasil. Esse é o recado que o Flamengo quer dar no Carioca. A ver se tudo dará certo.

Marcel Rizzo