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Marcel Rizzo


Fifa avalia cancelar calendário de seleções e Brasil pode não atuar em 2020

Neymar comemora durante jogo da seleção brasileira, time pode não se encontrar para partidas em 2020 - Roslan RAHMAN / AFP
Neymar comemora durante jogo da seleção brasileira, time pode não se encontrar para partidas em 2020 Imagem: Roslan RAHMAN / AFP
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

12/06/2020 14h12

Com Pedro Ivo Almeida, do UOL, em São Paulo

A cúpula da Fifa quebra a cabeça sobre o que fazer com as três datas-Fifa que restam em 2020 - período reservado para amistosos e jogos de Eliminatórias das seleções. Há quem acredite que todas podem ser canceladas.

São três, segundo o calendário da entidade: entre 31 de agosto e 8 de setembro, entre 5 e 13 de outubro e entre 9 e 17 de novembro. A primeira já é dada internamente como cancelada, enquanto as outras duas ainda dependem do avanço das contaminações e mortes pelo novo coronavírus mundo afora e do ajuste às agendas de torneios nacionais e continentais na Europa. Muitos começarão a próxima temporada mais tarde, o que inviabilizaria partidas entre seleções. Não há otimismo sobre a realização das duas últimas janelas.

A CBF acompanha atentamente as negociações da Fifa. Dentro da entidade, apurou o blog, há o diagnóstico de que é provável que a seleção brasileira não jogue em 2020. Tite e sua comissão técnica já enxergam a possibilidade como uma realidade.

Haveria dificuldade de deslocamento dos atletas que atuam na Europa para realizar partidas na América do Sul este ano e isso impossibilitaria o início das Eliminatórias do continente para a Copa de 2022, no Qatar, que deveria ter sido em março, mas foi adiado pela Covid-19. O Brasil de Tite não jogou em 2020 — a última partida foi em novembro de 2019, amistoso contra a Coreia do Sul em Abu Dhabi (vitória por 3 a 0)

A Fifa avalia algumas opções para suas datas-Fifa em 2020:

- liberar jogos em regiões com a doença mais controlada. Mas isso apenas para amistosos, já que seria ruim alguns países jogarem eliminatórias e outros não.

- realizar datas-Fifa em períodos pouco usuais, como dezembro e janeiro. Isso dependeria da situação dos campeonatos nacionais, bastante afetados pelo novo coronavírus. No Brasil e na América do Sul, por exemplo, é possível que campeonatos como Brasileiro e Libertadores sejam estendidos para o último mês de 2020 ou até 2021.

- liberar, em 2021, mais de dois jogos em cada data-Fifa. Hoje pelas regras da entidade cada seleção só pode atuar duas vezes na janela de nove dias. Essa opção é considerada ruim, porque seria uma partida a cada três dias.

- nessa última opção, há a possibilidade também de aumentar a janela de nove para 12 dias, o que resultaria em três jogos a cada quatro dias, menos cansativo. Isso, porém, esbarra novamente no calendário dos clubes e dos campeonatos nacionais e continentais.

Há continentes que poderão realizar jogos internacionais antes de outros e isso preocupa a Fifa por causa das Eliminatórias. A Conmebol, por enquanto, não pensa em mudar seu formato de classificação por pontos corridos entre as dez seleções, o que demanda 18 rodadas, ou nove datas-Fifa.

Caso as três datas-Fifa de 2020 sejam de fato canceladas, restariam somente oito janelas até a Copa do Mundo de 2022, que por causa do calor no Oriente Médio será disputada entre novembro e dezembro. E duas delas depois de abril de 2022, período previsto para o sorteio dos grupos, quando os 32 participantes já têm que estar definidos Tudo muito apertado, portanto.

Preocupação na CBF

A possibilidade real de cancelamento das datas para jogos da seleção neste ano deixa o alerta ligado na CBF. A preocupação ocorre em função de não haver garantia da reposição dessas datas. Com menos partidas até a Copa de 2022, a confederação perderá aquela que é uma das principais fontes de renda: a comercialização de amistosos. Bilheterias e direitos de TV seriam drasticamente reduzidos neste caso.

Marcel Rizzo