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Gosto de príncipe faz país perseguir futebol e receber sorteio da Champions

Entrada do Grimaldi Forum, onde será realizado o sorteio da Liga dos Campeões - Bruno Grossi/UOL Esporte
Entrada do Grimaldi Forum, onde será realizado o sorteio da Liga dos Campeões Imagem: Bruno Grossi/UOL Esporte

Bruno Grossi

Do UOL, em Mônaco

30/08/2018 04h00

A temporada começa de verdade para os clubes europeus nesta quinta-feira, às 13h (de Brasília). Pelo menos é assim que a Uefa tem promovido o sorteio dos grupos da Liga dos Campeões. E a escolha da sede para o glamouroso evento está longe de ser uma coincidência. Mônaco é um país que persegue o futebol há anos, seguindo a paixão de seu maior governante e apostando no dinheiro para se tornar potência no esporte.

Albert II comanda o principado - segunda menor nação do planeta, atrás somente do Vaticano -, desde 2005. Dois anos antes, entretanto, deu o primeiro passo para aproximar mais Mônaco do futebol. A presença do time homônimo não era suficiente. Era preciso criar mais atrativos para o local e o herdeiro do trono idealizou uma calçada da fama para eternizar ídolos da modalidade. 

Calçada da fama do futebol em Mônaco - Bruno Grossi/UOL Esporte - Bruno Grossi/UOL Esporte
The Champions Promenade foi idealizada pelo príncipe Albert II, de Mônaco
Imagem: Bruno Grossi/UOL Esporte

"The Champions Promenade" foi instalada em um dos calçadões, de frente para o mar no pequeno país incrustado na França. A seu lado, foi erguido o Grimaldi Forum, o centro de eventos que recebe o sorteio da Liga dos Campeões nesta quinta e, no dia seguinte, o da Liga Europa. Não é lá o caminho mais concorrido pelos turistas ou moradores locais, quase sempre atraídos pelos passeios em super-automóveis de luxo - o que pode incluir até modelos antigos de Fórmula 1.

São poucos os curiosos que conferem placa por placa à procura de estrelas do futebol. O nome de Zinedine Zidane, incluído em 2008 como uma das "lendas", é o que desperta mais atenção dos franceses que tiram dias de descanso no calor de Mônaco. A impressão que fica é que quanto mais luxuosas as roupas, menores as chances das pessoas repararem por onde estão pisando. As placas, de Diego Maradona a Ronaldinho Gaúcho, são ignoradas pela maioria.

Os pés e a assinatura de Pelé na calçada da fama de Mônaco - Bruno Grossi/UOL Esporte - Bruno Grossi/UOL Esporte
Os pés e a assinatura de Pelé na calçada da fama do principado
Imagem: Bruno Grossi/UOL Esporte

Desde 2003, anualmente, um jogador é eleito como "Golden Foot". Para isso, é preciso ter mais de 28 anos. Não é permitido que um atleta vença o prêmio duas vezes. Ainda são apontados craques do passado para entrar na categoria de "lendas". Mas nem sempre esses atletas foram tão unânimes para receberem tal honraria.

Há, por exemplo, mais ucranianos homenageados do que craques de países que já foram campeões do mundo, como Inglaterra e Uruguai. No ano passado, uma nova polêmica foi despertada quando um chinês foi incluído entre as "lendas": Li Ming, que nunca jogou fora da China e tem como maior feito ter disputado a Copa do Mundo de 2002. Curiosamente, multimilionários chineses e do leste europeu são visitantes frequentes do principado.

Os vencedores dos prêmios de 2016 e 2017 do Golden Foot - Gianluigi Buffon e Iker Casillas foram eleitos, além de mais nove astros do passado nomeados "lendas" - ainda não tiveram as placas instaladas na "Champions Promenade". A falta da atualização não parece incomodar ninguém. Poucos metros para trás, a própria estrutura do sorteio da Liga dos Campeões não se mostra uma atração tão desejada. São raros os fãs tirando fotos nos suntuosos painéis montados pela Uefa no Grimaldi Forum. Talvez isso mude de figura nesta quinta, quando estrelas e dirigentes passarão com trajes sociais pelo tapete vermelho no coração de Mônaco.

Clube local teve "boom" de investimento, mas adormeceu após vendas

Essa busca forçada pela proximidade com o futebol afetou o único clube profissional do país. Inserido na liga francesa, o Mônaco passou a receber aporte milionário a partir de 2011, quando foi vendido ao magnata russo Dmitry Rybovlev. Estrelas emergentes foram contratadas, como James Rodríguez e Falcao García e promessas foram garimpadas ao redor do planeta. A ideia era montar um time atraente, competitivo, mas criar uma máquina de lucros.

Foi assim que, há duas temporadas, a equipe chegou à semifinal da Liga dos Campeões e faturou a Ligue 1. Enquanto o concorrente francês Paris Saint-Germain patina em fases anteriores da Champions, o Mônaco se orgulha da campanha na edição de 2016/17, mas ainda não se recuperou das consequências do feito. Bernardo Silva, Kylian Mbappé, Tiémoué Bakayoko e Fabinho. Promessas que se consolidaram, deram breve resultado e foram vendidas por fortunas, enquanto o time que restou se vê cada vez mais fragilizado diante do rival PSG.

Esportes de elite ainda são mais chamativos para os locais

A população de Mônaco é formada, basicamente, por pessoas muito, mas muito ricas. E, dentro dessa alta sociedade, outros esportes têm mais força do que o futebol. Não é nem preciso lembrar do mítico Grande Prêmio de Fórmula 1 pelas apertadas ruas do país. Há também o gosto pelo golf e, principalmente, por barcos. São incontáveis lanchas, iates, veleiros, muitas delas esportivas e envolvidas em competições. No último fim de semana, inclusive, houve agito pelo fim de uma prova que começou no litoral italiano e terminou na marina monegasca.

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