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Da pressão ao golaço: Nico fecha ano em alta e rasga rótulo de displicente

Nico López comemora gol do Internacional sobre o Fluminense no Beira-Rio - Ricardo Duarte/Inter
Nico López comemora gol do Internacional sobre o Fluminense no Beira-Rio Imagem: Ricardo Duarte/Inter

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

27/11/2018 04h00

Era 9 de maio de 2018, e Nico López ia a uma agência bancária em Porto Alegre. Foi quando acabou abordado por um grupo de torcedores do Inter. Em tom de ameaça, cobraram empenho do jogador no clássico Gre-Nal do fim de semana seguinte. O uruguaio respondeu que não jogaria e que deixaria o clube. O cenário de pressão não passou de um susto. Um semestre depois, ele acaba sua melhor temporada no Colorado com golaço e comprovando novo status.

A acusação contra Nico sucedeu protestos em treinamento. A cobrança se devia a um comportamento atribuído ao jogador. Na visão da torcida, ele se esforçava pouco e por isso precisava mostrar mais empenho em campo.

A análise sobre o rendimento também era interna. Na opinião do comando técnico, Nico precisava entender sua função em campo. Tinha que passar por um processo de compreensão do futebol jogado no Brasil. Diferente do Uruguai, onde toda estrutura do Nacional funcionava em função dele, o jogador tinha que cumprir funções sem a bola, abrir espaço para os colegas e optar pelo futebol mais coletivo.

A mudança de conduta partiu das ações da comissão técnica comandada por Odair Hellmann, da direção com Roberto Melo e Rodrigo Caetano, e principalmente da autoanálise do atleta. Nico ponderou, entendeu e cresceu dentro de campo.

"Não quero chamar essa responsabilidade para mim. Prefiro passar os elogios a ele mesmo. Porque quando a gente tem um filho, a gente sempre diz: não faça isso, o caminho é este. Mas se ele não escutar, não quiser ser seu amigo, não adianta nada. Parte do indivíduo, do ser, do cara. Méritos ao Nico, que conseguiu fazer um excelente ano", disse Hellmann.

A titularidade veio em meio ao Campeonato Brasileiro, e o crescimento com a sequência de jogos foi ainda maior. Tanto que até mesmo a seleção seleção uruguaia passou a observar o jogador, que ainda sonha em vestir a camisa celeste no time principal, já que até então só participou de times de base.

Foram 34 jogos no Brasileiro com 11 gols marcados. Dois deles no domingo, na vitória sobre o Fluminense, sendo um deles um golaço, de primeira, no ângulo.

No clube desde 2016, o atacante de 25 anos faz sua melhor temporada, que contrasta com o baixo aproveitamento até então. Quando chegou, fez apenas 14 jogos e marcou um gol. Foi reserva pouco utilizado pelos técnicos de 2016. Em seguida, também foi suplente com Antonio Carlos Zago e Guto Ferreira em 2017, realizando 53 jogos com 17 gols. Neste ano, mesmo que tenha feito menos gols, virou absoluto por conta do jogo coletivo. Marca, dá assistência e participa do contexto. Fecha a temporada com 49 jogos e 14 gols.

"Todos os técnicos tentaram (dar oportunidade para Nico). Eu trabalhei com todos aqui (Odair era auxiliar). Às vezes não acontece. Eles oportunizaram, mas as coisas não aconteceram por uma razão ou por outra. Repito, méritos do Nico. E que bom que aconteceu neste ano", declarou o treinador.

O Inter encerra a temporada 2018 diante do Paraná, no domingo, na Vila Capanema. Com o terceiro lugar garantido na classificação, o Colorado joga para bater o seu recorde de pontos no Brasileiro de pontos corridos com 20 clubes. Para isso, precisa vencer o jogo.

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