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SP bate recorde de público, mas oferece R$ 62 mi a menos que Rio por F1

Divulgação
Imagem: Divulgação

José Edgar de Matos e Julianne Cerasoli

Do UOL, em São Paulo (SP)

18/11/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Ameaçado com a possibilidade de perder o GP Brasil a partir de 2021, São Paulo recebeu um público recorde em Interlagos.
  • Nos três dias, Interlagos recebeu 158.213 torcedores, maior desde 2001, quando o local era maior e contou com a presença de 174 mil fãs.
  • A continuidade de São Paulo como sede brasileira da F1 se encontra sob xeque. A Liberty, segundo apurou o UOL, tem proposta superior do RJ.
  • O Rio de Janeiro ofereceu mais de US$ 35 milhões [R$ 146 mi] como uma "taxa anual" para organizar a etapa.
  • São Paulo tem números na casa dos US$ 20 milhões [R$ 84 mi] para manter a categoria
  • Chase Carey, CEO da Liberty, quer ter uma definição da sede brasileira para 2021 até agosto, quando pretende anunciar o novo calendário.

Não há definição sobre o futuro da Fórmula 1 no Brasil. Com contrato até 2020 e ameaçado pelo Rio de Janeiro, que tem projeto para construir um autódromo em Deodoro, São Paulo recebeu um Grande Prêmio marcante. Além da disputa na pista, marcada pela colisão dos dois carros da Ferrari e pela vitória de Max Verstappen, a corrida marcou um recorde de público.

Durante todo o fim de semana, Interlagos recebeu 158.213 torcedores, maior público desde 2001, quando o local comportava mais pessoas e contou com a presença de 174 mil fãs de Fórmula 1 nos três dias (sexta-feira, sábado e domingo).

Rio oferece cerca de R$ 62 milhões a mais que SP

Entretanto, a continuidade de São Paulo como sede brasileira da F1 se encontra sob xeque. De acordo com apuração do UOL Esporte, a Liberty Media, empresa responsável por gerenciar a categoria, possui em mãos uma proposta cerca de R$ 62 milhões superior da cidade carioca, ainda em busca de viabilizar a construção do circuito.

O Rio de Janeiro ofereceu mais de US$ 35 milhões [R$ 146 mi] como uma "taxa anual" para organizar a etapa brasileira de F1. São Paulo, que já tem uma proposta na mesa e vai se reunir com a Liberty em dezembro, tem números na casa dos US$ 20 milhões [R$ 84 mi] para manter a categoria até 2030.

Chase Carey, CEO da Liberty Media, sentou-se ao lado do governador João Doria, durante entrevista concedida pelos dois ontem (17), antes do Grande Prêmio do Brasil. A ideia do "chefão da F1" é ter tudo resolvido até agosto, quando será divulgado o calendário de 2021.

No entanto, tanto Rio de Janeiro e São Paulo desejam finalizar a negociação muito antes por duas questões: direitos de transmissão e venda de ingressos. Para a corrida em Interlagos, os fãs começam a comprar os bilhetes em março. Já sobre a questão da TV, o contrato com a Globo acaba em 2020, e Liberty Media tem encontrado dificuldades nas negociações com a emissora carioca.

João Doria e Chase Carey deram entrevista juntos em uma sala no paddock de Interlagos - José Edgar de Matos/UOL
João Doria e Chase Carey deram entrevista juntos em uma sala no paddock de Interlagos
Imagem: José Edgar de Matos/UOL

Carey citou São Paulo apenas uma vez durante a conversa com os jornalistas e ressaltou que o fundamental é manter a Fórmula 1 no Brasil. São 48 anos de GP, sendo 38 na capital paulista. O CEO da Liberty também confirmou o Rio de Janeiro como um dos "candidatos" a receber a categoria.

"Brasil é um país muito importante para a Fórmula 1, muitas corridas histórias e heróis saíram do Brasil. Discussões serão privadas, então não podemos falar sobre o que está sendo acordado. O certo é discutir privadamente e vamos acertar para seguir com a corrida no Brasil por um longo tempo. Queremos continuar após 2021", disse.

Enquanto aguarda o encontro decisivo com a F1, João Doria exibiu confiança ao lado do dirigente da Fórmula 1. O governador, líder do projeto da manutenção da categoria em São Paulo ao lado da prefeitura, apelou até para a mitologia de Interlagos: "Senna lá de cima diz: São Paulo".

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