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"Lava-jato" russa pode minar carreira de piloto e barrar novos russos na F1

O russo Sergey Sirotkin, piloto da Williams - EFE/ Yuri Kochetkov
O russo Sergey Sirotkin, piloto da Williams Imagem: EFE/ Yuri Kochetkov

Julianne Cerasoli

Do UOL, na Cidade do México (MEX)

25/10/2018 04h00

Uma operação similar à Lava-Jato feita pela polícia da Rússia já afeta o automobilismo - incluindo a categoria mais importante do planeta. Investigações que estão desmascarando esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro estão se aproximando cada vez mais dos financiadores de carreiras de pilotos russos da Fórmula 1 e de categorias de base.

A notícia mais recente envolve o chefe e criador da SMP Racing, empresa que financia a maior parte dos russos no automobilismo, incluindo Sergey Sirotkin, da Williams. O magnata Boris Rotenberg é amigo próximo do presidente Vladmir Putin e, mesmo assim, teve suas contas nos bancos Danske e Nordea bloqueadas por suspeita de lavagem de dinheiro.

Isso acontece em um momento no qual circulavam rumores no paddock da Fórmula 1 de que a SMP estaria com dificuldades para tirar seu dinheiro da Rússia e efetuar os pagamentos à equipe Williams. O time de Grove ainda não confirmou quem pilotará ao lado do estreante George Russell no ano que vem.

A SMP Racing é uma operação comandada pelo banco de mesmo nome que apoia jovens talentos russos desde as categorias de base da F-1, e também tem negócios na Indy e no WEC. A dificuldade de financiamento, portanto, afetaria a carreira de vários pilotos.

Em outro episódio ligado aos russos, o pai e financiador da carreira de Artem Markelov, que está na F-2, foi preso por subornar um ministro no final de setembro. Valery Markelov é acusado de pagar 30 milhões de dólares ao governo para que o consórcio que coordena, ligado à Russian Railways, obtenha acordos vantajosos.

Até então, Markelov era apontado como um dos candidatos à vaga da Williams, assim como Sirotkin. O negócio esfriou após a prisão. Já do lado de Sirotkin, a proposta da SMP para a Williams já tinha diminuído de 20 milhões de euros ao ano para 10, o que complicou a situação do piloto no time inglês, uma vez que é o mesmo que os apoiadores de Robert Kubica aportariam à equipe.

Recentemente, a chefe Claire Williams declarou que o time vive uma mudança na abordagem da escolha dos pilotos, depois de escolher dois pagantes de talento questionável - Sirotkin e Lance Stroll - para 2018. O time é atualmente o último colocado no Mundial. Porém, a dirigente admite que, depois de confirmar o promissor Russell, favorito para vencer a F-2 neste ano, “será preciso fazer considerações financeiras” para o segundo piloto, deixando em aberto se o time terá um novo patrocinador ou dependerá do dinheiro trazido pelo piloto.

Caso a dificuldade de tirar o dinheiro da Rússia continue por parte da SMP, é praticamente impossível que Sirotkin continue na Fórmula 1, uma vez que suas performances não foram bem avaliadas pela Williams, que prefere efetivar Kubica ou mesmo apostar em Esteban Ocon, que no momento não traz investimento.

A SMP Racing é apenas um dos negócios de Rotenberg. Junto de seu irmão, ele é dono da maior empresa de distribuição de gás e eletricidade da Rússia e está listado na revista Forbes como a 69ª pessoa mais rica do mundo.

Sua amizade com Putin tem a ver com o esporte: os dois se conheceram praticando artes marciais ainda na década de 70. Boris, inclusive, defendeu a União Soviética e várias competições de judô na época. Como empresário, teve envolvimento nos Jogos de Inverno de Sochi, cuja estrutura é atualmente usada pela F-1 para o GP da Rússia, e também foi presidente do Dínamo Moscou. Depois de deixar o clube, comprou o Dínamo São Petersburgo.

Os problemas de Rotenberg começaram em 2014, quando os Estados Unidos o colocaram na lista negra de investidores devido a negócios realizados na Guerra da Crimeia.

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