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Lágrimas e narrador finlandês empolgado marcam 1ª vitória de Kimi em 5 anos

Kimi Raikkonen celebra sua vitoria do GP dos EUA - Jerome Miron/USA TODAY Sports
Kimi Raikkonen celebra sua vitoria do GP dos EUA Imagem: Jerome Miron/USA TODAY Sports

Julianne Cerasoli

Do UOL, da Cidade do México (MEX)

24/10/2018 10h33

Kimi Raikkonen cruza a linha de chegada e vence na Fórmula 1 pela primeira vez desde 2013. Na cabine de transmissão, o ex-engenheiro de F-1 e hoje narrador Ossi Oikarinen está aos berros e abre os braços. “Kimi, em velocidade máxima, como sempre!”. Na zona de entrevistas, a repórter Mervi Kallio e o cinegrafista Sami Sormunen não seguram as lágrimas. Nenhum deles tinha visto o piloto, que é um dos maiores ídolos da Finlândia no esporte, vencer na categoria máxima do automobilismo desde que chegaram à F-1.

A história de Mervi é a mais curiosa, uma vez que ela era comissária de voo antes de começar a trabalhar como repórter esportiva, e volta e meia estava nos mesmos voos do campeão de 2007.

“Tenho que admitir que me emocionei bastante domingo. Sou emotiva, então é fácil isso acontecer. Como costumam dizer, quem ri fácil também chora fácil”, admite Mervi. Ela reconhece que chegou a pensar que nunca vivenciaria uma vitória de Raikkonen no paddock, até porque “antes parecia que não era permitido que ele vencesse, especialmente com Vettel ainda tendo chance, mesmo que pequena, de vencer o campeonato”, disse a repórter ao UOL Esporte.

O respeito ao finlandês não vem somente dos compatriotas. Ao entrar na sala de coletiva de imprensa, antes do segundo colocado Max Verstappen, e do terceiro, Lewis Hamilton, Raikkonen foi aplaudido pelos jornalistas, cena rara na F-1 e o reconhecimento do valor de uma carreira de mais de 15 anos no esporte.

“Sigo a carreira dele há muito tempo. Ele tem trabalhado muito duro e nunca culpou a equipe ou qualquer pessoa por não estar ganhando. E finalmente o trabalho duro deu resultado. Além disso, a própria reação do [chefe da Ferrari] Arrivabene mostraram o quão grande foi essa vitória, não apenas para Kimi, como para toda a equipe. Os fãs na Finlândia ficaram malucos e muito felizes por ele.”

Um exemplo do tamanho de Raikkonen em sua terra natal é o recorde batido por sua biografia, lançada em agosto e que já se tornou o livro esportivo mais vendido da história do país, com mais de 100 mil cópias. “Kimi é extremamente popular na Finlândia. E deu para perceber isso mais uma vez com essa vitória. Os jornais e as mídias sociais ficaram uma loucura”, disse a jornalista.

A conquista fez com que o piloto da Ferrari se tornasse o finlandês com mais vitórias na história da Fórmula 1, com 21, superando Mika Hakkinen. Além dos dois, o país ainda teve Keke Rosberg como campeão, em 1982, além de outros dois pilotos com vitórias na F-1, Heikki Kovalainen e Valtteri Bottas. No total, são 50 vitórias, o que coloca a Finlândia como o quinto país mais vencedor na história da F-1, atrás apenas de Reino Unido, Alemanha, Brasil e França, e à frente da tradicional Itália.

Em termos de títulos, o pequeno país de pouco mais de 5,5 milhões de pessoas tem o quinto lugar, ficando atrás também da Argentina devido aos cinco títulos de Juan Manuel Fangio na década de 50. Além disso, o país contou com pelo menos um de seus nove representantes em mais de 600 dos quase 1000 GPs já disputados na F-1, sendo o sétimo país no quesito.

Isso, mesmo sem a Fórmula 1 ser o grande foco dos finlandeses no automobilismo. Afinal, eles são conhecidos pela tradição nos ralis. Desde 1977, quando o Mundial de Rali passou a ser disputado, a Finlândia fez sete campeões, mais que o dobro do que qualquer outra nação, e só perde em número de títulos (14 x 15) para a França - muito em função dos nove campeonatos vencidos por Sebastien Loeb.

Mervi explica que a Fórmula 1 passou a ser grande no país na época de Hakkinen em termos de audiência. Nos anos do bicampeonato do piloto da McLaren, em 1998 e 1999, os números chegavam a impressionantes 2 milhões - em um país que tinha 5 milhões de habitantes na época. E essa onda continuou no início da carreira de Raikkonen, até a transmissão ir para canais fechados, em 2006. Mesmo assim, a Fórmula 1 segue como o segundo esporte do país em termos de cobertura, atrás da grande paixão nacional, o hóquei no gelo. 

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