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Time pediu que entrasse com processo de falência para salvá-lo, diz Perez

Sergio Perez, da Force India, durante treinos do GP da Austrália - Clive Mason/Getty Images
Sergio Perez, da Force India, durante treinos do GP da Austrália Imagem: Clive Mason/Getty Images

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Budapeste (HUN)

29/07/2018 06h01

O piloto mexicano Sergio Perez revelou na Hungria, onde disputa a 12ª etapa do campeonato, que funcionários de sua equipe, a Force India, pediram que ele entrasse com um pedido de falência do time, a fim de tentar salvá-lo.

Oficialmente, foi a Brockstone, ligada ao empresário de Perez, Julian Jakobi, que iniciou o processo, cobrando 4 milhões de dólares do time. Esse dinheiro, de acordo com o piloto, seria de salários do ano passado.

Porém, o UOL Esporte apurou que a ação tem o apoio de outros credores da Force India e “esconde” os interesses da Mercedes, que busca receber 10 milhões de dólares que a Force India não pagou pelo fornecimento de motores. Quem também tenta uma compensação é a patrocinadora principal, a BWT, dizendo que os 30 milhões investidos no time neste ano eram, na verdade, um empréstimo. Além disso, há outros fornecedores menores cobrando a equipe na ação capitaneada por Perez.

“A questão é muito maior do que aparenta ser no momento. Podemos estar entrando em um período difícil, mas o resultado será muito bom para toda a equipe”, disse Perez.

“Não queria me envolver nisso porque, no final das contas, sou apenas um piloto, estou aqui para pilotar e tentar me focar. Mas as coisas pioraram muito. Alguns membros da equipe me pediram para seguir em frente e salvar a equipe. Para mim foi extremamente duro emocionalmente e mentalmente. É muito duro, não tenho conseguido focar em pilotar e melhorar enquanto piloto.”

O processo de insolvência, contudo, tem um detalhe curioso: o principal credor do time seria justamente seu dono, Vijay Mallya, que é acusado de vários crimes fiscais e inclusive teve seu passaporte indiano cassado, não podendo sair da Inglaterra, onde mora. Apesar da ação unir “rivais” de Vijay, as maiores dívidas são justamente com empresas ligadas a ele, que patrocinaram o time em seus 10 anos de existência.

O fato é que a situação chegou a um ponto tão grave que a Force India ficou ameaçada de não competir no GP da Hungria devido à dívida com a Mercedes. Não por acaso, Toto Wolff, que cuida da operação dos alemães na F1, estaria realizando uma complicada manobra nos bastidores, levando Esteban Ocon da Force India para a Renault para abrir espaço a algum piloto que traga dinheiro para o time - e, assim, consiga arcar com a dívida e pagar os motores do ano que vem.

As duas grandes possibilidades nesse sentido são que Lance Stroll ou o russo Nikita Mazepin pilotem para a Force India ano que vem, trazendo alto investimento próprio. Pelo tipo de processo de insolvência acionado na última sexta-feira, o time está próximo de encontrar um comprador e investidores e garantir seu futuro.

Nos últimos anos, a Force India ganhou notoriedade por conseguir bons resultados mesmo tendo um orçamento mais modesto. Apesar da atual crise, o time está em quinto lugar no campeonato de construtores.

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