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Vitor Guedes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Timão deslancha após VP mudar rota e recuperar Cássio, Fábio Santos e Jô

Jô, mais magro e focado, é fundamental no Corinthians de Vítor Pereria - Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Jô, mais magro e focado, é fundamental no Corinthians de Vítor Pereria Imagem: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Vitor Guedes

Vitor Guedes é jornalista e professor universitário pós-graduado em Português, Língua e Literatura pela UMESP, autor do livro "Paixão Corinthiana", com passagens por Jovem Pan, Lance!, Site do Corinthians, BandNews FM, Agora São Paulo, FAPSP e UNG. Com Copas do Mundo, Mundial Libertadores, Brasileiros e dezenas de Paulistas no currículo, Vitor Guedes é 1977, pai do Basílio, ZL e, atualmente, é colunista do UOL Esporte e comentarista do Baita Amigos no Bandsports

Colunista do UOL

18/05/2022 13h49

Sempre foi muito óbvio que o elenco corinthiano, envelhecido, desequilibrado, caro e mal montado, não era compatível ao calendário e ao futebol atuais.

De forma clara: Giuliano, Renato Augusto, Róger Guedes, Wiillian, Maycon e Paulinho (que só volta ao futebol em 2023) não podem atuar juntos se a intenção for ser competitivo. Não deu certo com Sylvinho e também não daria com Vítor Pereira. Registre-se que não deu no início do trabalho do VP, quando o treinador sinalizou em entrevista coletiva e também nas escalações iniciais que tentaria,

O Corinthians, fundado por operários sob a luz do lampião em 1º de setembro de 1910 e que teve a sua década mais vitoriosa nos anos 10 deste século (campeão mundial, campeão continental invicto, três vezes campeão brasileiro e quatro vezes campeão paulista, sendo tri consecutivo), não se encontrou desde a completamente equivocada contratação de Tiago´n´Roll Nunes, treineiro que, depois de esperar uma eternidade para assumir o time porque estava cansadinho (e a diretoria aceitou esse absurdo), assumiu com um discurso fantasioso de mudar o jeito de jogar, adoção de "cartilha" e blá-blá-blá,

Quando VP chegou, muita gente (especialmente os "posse-de-bolers" e dublês de cartógrafos, tarados por mapa de calor e linguajar empolado que tenta passar conhecimento ao tratar "contra-ataque" por "transição na fase ofensiva" e bobagens similares) achou que tinha que escalar todos os reforços juntos, recuar Maycon (que não é 5 e rende e sempre rendeu muito mais como segundo homem) para primeiro volante, jogar pressionando, atacando todo o mundo e blá-blá-blá.

Viva a memória: para uma ala da crítica e da torcida, a solução seria aposentar Cássio ("que não sabe jogar com os pés"), Fábio Santos e Jô, colocar todos os reforços juntos e completar com a base.

E o segredo do sucesso de Vítor Pereira, até aqui, foi negar todos esses princípios. Inclusive os que ele próprio revelou em sua entrevista de apresentação. O que é um mérito gigantesco! Treinador de futebol bom não pode ter um esquema único e sim armar a melhor formação e estratégia para o seu elenco.

Demorou um pouco, o que custou quatro derrotas em quatro clássicos e a eliminação no Paulista, mas VP chegou a algumas constatações, que, à vera, sempre foram óbvias. No entanto, no futebol de hoje, onde as pessoas não enxergam o óbvio ou enxergam, mas não têm coragem de mexer no que precisa, reconhecer o óbvio é um mérito. VP enxergou e executou as soluções:

1) Maycon e Du Queiroz é a dupla que dá a sustentação física, técnica e tática para a equipe jogar e um alimenta o outro. Sozinhos, tanto Maycon quanto Du não conseguem marcar como 5 nem tem liberdade para armarem e infiltrarem como 8.

2) Cássio, o maior goleiro da história do Corinthians, não deveria ser rifado de forma estúpida porque alguns iluminados acham que não dava mais para ele, que hoje o goleiro que é bom com as mãos não serve... Não fosse o goleiro, herói no empate na Colômbia contra o Deportivo Cali e um dos nomes do empate na Bombonera, o Corinthians poderia estar desenganado na Libertadores.

3) Fábio Santos, que não é o mesmo de 2012 nem tem caixa para jogar em alto nível todos os jogos, ainda é, disparado, o melhor lateral esquerdo do elenco e precisa jogar os grandes jogos. E, como marca mais do que apoia e tem qualidade, pode fazer uma dupla função de zagueiro pela esquerda e lateral.

4) Jô, centroavante de Copa em 2014 e craque do Brasileirão 2017, não tem mais idade nem físico para repetir o desempenho do auge, mas, em forma, magro e concentrado, ainda é, disparado, o melhor centroavante do elenco.

5) Róger Guedes, que não tem nem o talento nem a história no clube de Willian e Renato Augusto, era tratado no mesmo patamar desses nomes históricos. Mas Guedes, que tem potencial e idade de revenda, não é do mesmo nível técnico, não é da mesma entrega tática nem tem o mesmo compromisso com o coletivo. Na esquerda, onde joga mais, é menos jogador do que Willian. E de 9, onde faz beicinho para jogar, não é melhor do que Jô. Então, com beicinho ou sem, é opção para quando o elenco rodar. Ou, então, ele muda o comportamento, se entrega ao coletivo e, por exemplo, mostre capacidade de adaptação para jogar pelo lado direito...

6) Time de massa nenhum, inclusive, óbvio, o Corinthians, tem chance de dar certo se o comandante não souber comunicar com a massa. Sem química time e arquibancada para passar pano em eventuais erros, empurrar na dificuldade e jogar junto na boa não tem conhecimento tático e curso Uefa-Pro que vingue. VP, que elogiou a Fiel antes mesmo de posar em Cumbica, sempre soube falar ao povo. Não é um detalhe.

A importância de Cássio, Fábio Santos, acertos e erros do Corinthians de VP no empate contra o apito azul e "amarilla" na Bombonera você confere na live que eu e Ricardo Perrone fizemos no UOL Esporte.

O Corinthians de VP e outros assuntos futebolísticos na live do Danilo e do Vitão no UOL Esporte.

Eu sou o Vitor Guedes e tenho um nome a zelar. E zelar, claro, vem de ZL! É nóis no UOL!

Veja:

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