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Surfe 360°

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

"Aquele momento que o cara entrega a medalha... todo o mundo te olhando"

Italo Ferreira - Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool
Italo Ferreira Imagem: Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool
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Thiago Blum

É jornalista esportivo desde 1992, mas acompanha o surfe há quatro décadas. Trabalhou por 19 anos na ESPN e atualmente é editor de esportes do Jornal da Band. Cobriu cinco Copas do Mundo e cinco edições dos Jogos Olímpicos.

02/07/2021 04h00

Um cara de bem com a vida.

Grato com o que conquistou. Sempre sedento por mais.

Irrequieto... acelerado... pilhado.

Italo Ferreira - Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool - Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool
Italo Ferreira
Imagem: Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool

"Os últimos dias tem sido pesados. Tenho acordado cedo. E teve um dia que eu só treinei uma vez... 'poxa, eu tô passando dos limites, já'. Que tava surfe, surfe, treino, treino. E chega um momento que realmente falo 'dá uma segurada aí, cara'."

Sempre na "vibe", como ele gosta de dizer. Dentro ou fora da água.

É assim que Italo Ferreira encara os desafios. De peito aberto e cabeça erguida.

E o próximo é gigantesco: a Olimpíada.

"Tô treinando bastante. Precisava voltar pra casa também neste período antes, pra recarregar e fazer o que eu amo. Surfar, treinar, ficar com meus amigos, minha família e sentir aquela energia boa de todos que me amam. E aí sim, daqui a algumas semanas eu vou estar pronto para ir buscar meu sonho."

Italo Ferreira campeão do ISA Games 2019 - ISA / Ben Reed - ISA / Ben Reed
Italo Ferreira e Gabriel Medina
Imagem: ISA / Ben Reed

Super favorito para ganhar uma das medalhas nos Jogos de Tóquio, Italo leva uma pequena vantagem sobre os adversários. Já sentiu o prazer e a emoção de ouvir o hino em uma competição com as características olímpicas. E lá mesmo, no Japão. No ISA Games - os Jogos Mundiais de Surfe - de 2019, realizado em Myazaki.

"Aquilo ali tá muito na minha cabeça. Aquela imagem é bem viva na minha mente como uma motivação e algo com o que posso sonhar. Aquele momento que o cara me entrega a medalha, de você estar no topo ali, com todo o mundo te olhando. Provavelmente não vai ter gente nas Olimpíadas, mas vão estar assistindo em todos os lugares. Não é só participar, é chegar lá e alcançar o lugar mais alto do pódio."

O público na praia será menor. Mas a audiência, com certeza, multiplicada. Com ela, a pressão pela vitória potencializada.

Italo Ferreira - Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool - Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool
Italo Ferreira
Imagem: Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool

"Eu levo isso bem naturalmente, eu fui campeão do mundo e às vezes até esqueço. Realmente tem um peso ser campeão do mundo, que e provavelmente na Olimpíada pode aumentar, dar mais visibilidade. Tem essa expectativa, gera essa tensão e pressão, pelo que o surfe está vivendo hoje no país. Gera essa pressão a mais por medalhas e grandes performances. Por isso que venho treinando muito e vivendo o agora, não pensando no que pode acontecer. Não quero chegar lá e não me apresentar bem por ter colocado muita pressão em mim mesmo. Fazer coisas simples, que quando eu chegar na competição eu preciso apenas surfar e ganhar de todo mundo".

Italo Ferreira - Laurent Masurel/WSL - Laurent Masurel/WSL
Ítalo Ferreira em manobra durante o Rip Curl Pro Portugal de outubro de 2019
Imagem: Laurent Masurel/WSL

Parceiro do time verde e amarelo, Gabriel Medina também é mega favorito ao ouro. Entre os estrangeiros, John John Florence - outro bicampeão mundial - e classificado para defender os Estados Unidos, se recupera de uma cirurgia e pode ficar fora da Olimpíada. Se ele não for, a vaga fica para o maior de todos: Kelly Slater.

"Pra mim tanto faz. Eu vou 'quebrar' qualquer um que tiver pela frente."

Sinceridade, brincadeira e confiança à parte, Italo Ferreira concorda que seria legal ver o principal ícone das ondas na estreia do surfe como esporte olímpico. E até já marcou uma aposta.

"Seria incrível pra ele completar esse ciclo de carreira e história que ele criou no surfe. A gente tava comentando sobre isso no 'Surf Ranch' e eu falei pra ele: 'Se você for pra Olimpíada e a gente fizer a final, a gente pega a primeira onda de base trocada'. E ele falou que ia de biquilha."

O foco mais próximo é Tóquio, logo ali. Mas quem conhece esse potiguar, sabe que ele é faminto. Afinal, tem um campeonato mundial aí em andamento.

Após 6 etapas - uma no Havaí, 4 na Austrália e uma na piscina da Califórnia - Italo está em 2º na classificação geral, de olho no bicampeonato.

Italo Ferreira - Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool - Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool
Italo Ferreira
Imagem: Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool

"Foi a melhor perna australiana que eu fiz até hoje. Aí até pensei em abandonar a piscina e voltar pra casa, não tava bem mentalmente, estava cansado e precisava de um tempo. Volto pra casa com a missão de me preparar para a Olimpíada, algo que pode transformar a minha vida como pessoa, como conquista pessoal. E claro que como atleta também, que pode colocar o meu nome em outro patamar na história do surfe, algo gigantesco. Mas como pessoa mesmo, de onde eu vim, de onde fui criado e tudo que já vivi. Mas o circuito mundial ainda é muito vivo, estou na vice-liderança e ainda tem alguns eventos, finalizando em setembro em Trestles. Espero continuar bem, feliz e confiante, para esse segundo semestre seja como 2019, quando eu tive que virar a chave e bater todo mundo."