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Saque e Voleio

OPINIÃO

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Bia Haddad vai voltar ao top 100 com margem para muito mais

EFE
Imagem: EFE
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Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

12/10/2021 12h04

Até alguns dias atrás, Indian Wells parecia ter um final nada feliz para Beatriz Haddad Maia. A brasileira, atual número 115 do mundo, perdeu no qualifying para a convidada americana Usue Maitane Arconada (#189), que fez 4/6, 6/4 e 6/0. Um pneu no terceiro que deixou a paulista de 25 anos abalada - como ela mesma revelou mais tarde.

Veio, então, um presente dos deuses do tênis. Um par de desistências abriu a chance para Bia entrar na chave principal. E não só isso: como o último abandono veio de uma cabeça de chave, ela estrearia já na segunda rodada e contra a egípcia Mayar Sherif, (#72). Uma oportunidade dos sonhos que a brasileira não deixou passar. Venceu por 6/3 e 6/0, desta vez com um pneu a seu favor e que lhe deu outra chance rara: encarar a cabeça de chave número 1 em um torneio da série WTA 1000.

Diante de Karolina Pliskova, em um dia de muito vento, Bia entendeu a situação e fez o que precisava. Colocou a bola em quadra e viu a rival, impaciente e imprecisa, errar mais. Fez 6/3 e 7/5 num jogo de 13 quebras de serviço, avançando às oitavas em Indian Wells e praticamente garantindo um lugar no top 100 a partir da próxima segunda-feira, quando a WTA vai atualizar seu ranking. E mesmo que uma combinação improvável de resultados deixe a paulista fora das 100 por mais uma semana, é quase impossível que ela feche a temporada fora desse grupo.

Além da vaga no Australian Open (automática para as primeiras 108 do ranking), que será sua primeira chave principal de slam desde 2019, quando houve a suspensão por doping, ou mesmo da maior vitória da carreira (considerando o ranking da adversária), o mais importante mesmo é constatar que Bia volta à elite com margem para mais. Seu tênis, hoje, ainda não é o mesmo de quando ela esteve entre as 60 melhores, em 2017. Seu saque deixa bastante a desejar - e não foi só o vento que lhe causou problemas contra Pliskova - e lhe rende poucos pontos "grátis" nesse nível (top 100). Além disso, Bia ainda vive aqui e ali dias de muita irregularidade do fundo de quadra.

O lado bom é que Bia parece saber o que precisa ser feito. E mais: todos sabem e já viram no passado que a brasileira pode fazer mais dentro de quadra. E mais ainda: ela não foge de trabalho. Uma combinação de fatores que costuma trazer coisas boas. Aguardemos.

Coisas que eu acho que acho:

- Vacilo tremendo da ESPN cortar o fim do segundo set de Haddad Maia x Pliskova para mostrar o ESPN League. Mesmo que houvesse a necessidade contratual de interromper a transmissão em caso de terceiro set, era uma brasileira com a chance de conquistar a maior vitória de sua carreira. E com vantagem na parcial. Esperar o fim do set era o mínimo diante do tamanho da ocasião - mesmo que a qualidade da partida não estivesse altíssima.

- Sim, houve a exibição do resto da partida no Star+, mas não cabe a justificativa. Trata-se de um serviço extra, cobrado à parte.

- Críticas a quem merece, elogios idem. A dupla Nardini-Meligeni tratou a vitória de Bia com a sobriedade necessária. Deram a devida importância ao feito, especialmente neste momento da carreira da paulista, mas não exageraram, fazendo parecer que a brasileira havia disputado uma partida excepcional. Bia teve seus méritos, é claro, e a dupla da ESPN soube reconhecer. Mas sem pachecada além do ponto. Parabéns ao par.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL