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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Wimbledon: sem Rafa e com Federer em má fase, Djokovic é favorito disparado

Getty Images
Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

22/06/2021 11h42

Campeão de quatro das últimas seis edições do Torneio de Wimbledon, Novak Djokovic é, com razão, o favorito das casas de apostas para o slam da grama este ano. É um status merecido e mais do que esperado. O que não se esperava, contudo, é o quão favorito o número 1 do mundo é neste momento, a uma semana do início do torneio mais tradicional do planeta. Em média, as casas mais tradicionais vêm pagando menos de 2:1 em caso de título do sérvio. A bet365, por exemplo, paga 1,90 no momento.

Se, por um lado, é incomum o tamanho do favoritismo de Nole às vésperas de Wimbledon, por outro ele é bastante explicável. Nos últimos dois anos, os tenistas que mais ameaçaram suas campanhas foram Rafael Nadal, que levou Djokovic ao quinto set em 2018, e Roger Federer, que teve match points com o saque (e aquele 40/15!), mas acabou levando a virada em 2019 (o torneio não foi disputado no ano passado).

Este ano, Nadal já avisou que não vai competir em Wimbledon. Federer, por sua vez, ainda não reencontrou seu velho tênis após duas cirurgias no joelho. O suíço abandonou Roland Garros após a terceira rodada e perdeu na oitavas de final do ATP 500 de Halle, na grama, para Félix Auger-Aliassime. Foi seu único torneio de preparação para Wimbledon, e o momento não é nada bom. Logo, entende-se o tamanho do favoritismo de Djokovic, que venceu os dois slams de 2021 (Australian Open e Roland Garros), incluindo aí um raro triunfo sobre o Rei do Saibro em Paris.

Em menor grau, ainda há outros fatores que pesam a favor de Nole. Bons sacadores não vivem momento tão bom assim. Marin Cilic, vice-campeão em 2017, faz uma temporada instável, apesar do título recente em Stuttgart. John Isner, aos 36 anos, já não parece tão perigoso em partidas longas (a bet365 paga 101,0 em caso de título do americano). Kevin Anderson, vice-campeão de Wimbledon em 2018, saiu do top 100 e nesta semana perdeu na primeira rodada do Challenger de Nottingham. Milos Raonic, vice em 2016, nem vai jogar este ano por causa de lesão.

Quem sobra? A turma de sempre. Daniil Medvedev, número 2 do mundo, nunca passou da terceira rodada em Wimbledon. Stefanos Tsitsipas jamais foi além das oitavas e ainda não mostrou consistência nem força mental para bater Djokovic em um slam. Alexander Zverev vive um eterno dilema com seu segundo saque, que às vezes não aparece no escritório, e sofre com a movimentação na grama. Dominic Thiem vive mau momento técnica e mentalmente. Andrey Rublev tem seus altos e baixos.

Resumindo? Neste cenário, todos são zebras de tamanho considerável quando colocados ao lado de Djokovic.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL