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Finals, dia 7: Thiem e Medvedev na final; Soares/Pavic é dupla #1 do ano

Reuters
Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

21/11/2020 20h24

Dominic Thiem e Daniil Medvedev derrotaram Novak Djokovic e Rafael Nadal, respectivamente, e decidirão o ATP Finals de 2020 neste domingo, na última edição do torneio em Londres. Nas duplas, o sábado terminou com uma bela notícia para o Brasil: a parceria de Bruno Soares com o croata Mate Pavic encerra a temporada como dupla número 1 do ano.

Na sessão diurna, Thiem fez mais uma daquelas apresentações cheias de exemplos que evidenciam seu salto de patamar nos últimos anos: 7/5, 6/7(10) e 7/6(5) em cima de Djokovic. O austríaco, hoje, é um tenista completo, com ataque e defesa, um estilo de jogo bem definido, ótima leitura de jogo e uma velocidade de movimentação acima da média. Já não deve nada a ninguém - nem ao #1 do mundo, nem na quadra dura, piso preferido de Djokovic.

No primeiro set, Dominic sacou bem, alongou ralis e pressionou um Nole que ainda não estava no seu melhor. Subiu bem à rede, defendeu-se magistralmente com slices de forehand e backhand, agrediu com tiros obscenos de direita e de esquerda. Aproveitou o único break point que teve e fez 7/5.

Djokovic, como era de se esperar, elevou o nível. Sacou um pouco melhor no segundo set e foi bem melhor nas devoluções. Thiem, por sua vez, oscilou mais, dando alguns pontos de presente. Ainda assim, o austríaco foi muito bem nos três break points (dois set points) que encarou antes do tie-break. O game de desempate foi uma história à parte, equilibrado e com chances para ambos. Nole perdeu um set point ao errar uma direita nada difícil. Pouco depois, mandou na linha uma direita parecida para salvar um match point. E foram quatro match points que Djokovic salvou antes de fazer 12/10.

Seria um tanto desanimador para um tenista mortal jogar tão bem durante dois sets, estar tão perto da vitória e ver o número 1 do mundo se salvar. A tendência, diante de um adversário comum, seria ver Djokovic deslanchar e ganhar fácil o terceiro set. Contra Thiem, porém, a história foi outra. O austríaco pouco se abalou com o tie-break perdido ou com a dupla falta cometida em um dos match points. Fez um terceiro set beirando o impecável, o que era realmente necessário diante de Djokovic que errava menos e sacava ainda melhor a cada game que passava.

Foi necessário, então, outro tie-break para decidir o jogo, e Dominic abriu o game com mais uma dupla falta. Pouco depois, ao cometer um erro não forçado do fundo de quadra, deu uma vantagem de 4/0 para Djokovic. Buraco enorme demais para a maioria. Não para Thiem, que alguns dias atrás viu Nadal sacar em 5/2 antes de ganhar o game de desempate.

Pois neste sábado o austríaco encaixou uma sequência com dois aces, um ponto perfeito cheio de slices cruzados e um backhand obsceno, que varreu a quadra na diagonal, deixando para trás um Djokovic inutilmente esticado e conquistando mais dois match points (veja no tweet acima). No segundo, com o serviço, Thiem não bobeou. Game, set, match. E vaga na final.

A segunda semifinal, vencida por Medvedev por 3/6, 7/6(4) e 6/3 em cima de Nadal, teve altos e baixos, mas foi bastante interessante no aspecto tático. Primeiro, Nadal "roubou" um set em que o russo sacava melhor e ameaçava mais nas devoluções. Bastou um game ruim de saque de Daniil para Rafa vencer quatro pontos, conseguir a quebra e vencer o jogo.

O segundo set teve duas viradas. Primeiro, Rafa saiu de 1/4, salvando break point para evitar 5/1, e conseguiu duas quebras seguidas para fazer 5/4. Quando sacou para o jogo, porém, o espanhol deixou a desejar - embora com mérito do rival em um par de pontos - e cedeu a quebra. A decisão foi para o tie-break, e Medvedev, mais seguro, igualou o placar. O set final foi parelho até o 3/3, mas Nadal, aparentemente mais desgastado fisicamente, acabou pagando o preço por escolhas ruins em subidas à rede. Medvedev conseguiu a quebra para abrir 4/3 e disparou até fechar o jogo.

Taticamente, fez muita diferença um ajuste feito pelo russo, que deixou de devolver os slices de Nadal na cruzada, o que favorecia o forehand do espanhol. Com mais backhands na paralela, Medvedev equilibrou mais ralis e, aos poucos, mudou a dinâmica da partida.

Soares e Pavic terminam como dupla #1 do mundo

Eliminados na primeira fase do Finals e com a parceria encerrada em termos nada amistosos, Bruno Soares e Mate Pavic conseguiram algo que pareceu pouco improvável em um certo omento deste sábado: os dois terminam a temporada como a melhor dupla de 2020 (ou seja, a parceria que mais somou pontos desde janeiro).

Para que isso acontecesse, brasileiro e croata precisavam contar com a derrota do americano Rajeev Ram e do britânico Joe Salisbury. Os dois chegaram a sacar em 7/1 no match tie-break contra Jurgen Melzer e Edouard Roger-Vasselin e tiveram um match point, mas acabaram derrotados por 6/7(4), 6/3 e 11/9. O resultado definiu a briga pelo "título da temporada".

A final do torneio de duplas terá Melzer e Roger-Vasselin contra Wesley Koolhof e Nikola Mektic, que venceram a outra semifinal por 6/3 e 6/4 em cima de Horacio Zeballos e Marcel Granollers - o espanhol, que abandonou seu jogo na sexta-feira (o que decretou a eliminação de Soares e Pavic), não esteve no melhor de suas condições físicas.

Coisas que eu acho que acho:

- Sempre que acontece de Djokovic, Nadal e Federer ficarem fora da decisão do ATP Finals o assunto vem à tona: será uma troca da guarda? A nova geração vai assumir o circuito? Muita calma nessa hora. Os últimos três campeões do Finals foram Grigor Dimitrov, Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas. No entanto, Djokovic e Nadal seguem liderando o ranking. Thiem, principal candidato a próximo número 1, já tem 27 anos. Não é exatamente um "nova geração", certo?

- Tento pelo retrospecto nos confrontos diretos (3 a 1) quanto pelo que mostrou no Finals até agora, Thiem é o favorito na final contra Medvedev. No entanto, o austríaco também era o mais cotado no ano passado, contra Tsitsipas, e acabou sendo superado. Vejamos como as coisas vão se desenrolar neste domingo. Uma coisa, porém, é certa: Dominic, que fez o primeiro jogo deste sábado, leva a vantagem física.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.