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Palmas para Naomi Osaka

Reuters
Imagem: Reuters
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Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

27/08/2020 12h05

Quando o Milwaukee Bucks e, depois, os outros times da NBA resolveram não entrar em quadra nesta quarta-feira como protesto ao que aconteceu com Jacob Blake, homem negro baleado sete vezes pelas costas por um policial branco, coube a Naomi Osaka representar dignamente no tênis no movimento contra o racismo. A ex-número 1 do mundo, única negra ainda com chances no torneio de Cincinnati, avisou que não jogaria sua semifinal. O anúncio veio com uma forte e inteligente mensagem em suas redes sociais:

Entre outras coisas, a japonesa afirmou: "Antes de ser atleta, sou uma mulher negra. E como mulher negra sinto que há assuntos mais importantes, que precisam de atenção imediata, do que me verem jogando tênis. Não espero que nada drástico aconteça por eu não jogar, mas se eu puder começar uma conversa em um esporte majoritariamente branco, considero isso um passo na direção certa. Assistir ao contínuo genocídio de pessoas negras nas mãos da polícia, honestamente, está me deixando com o estômago virado. Estou exausta de de ver uma nova hashtag pipocar a cada poucos dias e estou extremamente cansada de ter sempre esta mesma conversa. Quando será o bastante?" (leia a íntegra no tweet abaixo).

Osaka era a única negra ainda na disputa. Era a única que podia tomar tal posição e o fez muito bem. Sua mensagem de protesto é consciente. Ela sabe que não vai mudar nada sozinha. E nem precisa. Mas ela também mostra saber que se cada um fizer sua parte, seja protestando, seja educando quem ainda não entende o porquê das manifestações, vamos todos na direção certa. Chamar atenção na prática, como ela fez, indo além das redes sociais, é importantíssimo. Fotinhos, vídeos de Tik Tok e hashtags são bonitinhos e têm lá sua importância. Mostrar isso na prática, abandonando um torneio, vai além. Palmas para ela.

A organização do torneio de Cincinnati seguiu Osaka e também está de parabéns. Graças à japonesa e ao evento, todos que ligarem a TV ou acessarem sites de streaming procurando ver tênis nesta quinta-feira, vão descobrir que a rodada de hoje foi cancelada. Mas não é só isso: graças principalmente a Osaka, todos que procurarem o torneio de Cincinnati nesta quinta-feira vão descobrir por que a rodada foi cancelada. E é aí que deve começar ou recomeçar a conversa. Repito: palmas para Naomi Osaka.

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