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Djokovic bate Thiem em 5 sets e volta ao topo com 8º título na Austrália

Novak Djokovic com o troféu do Australian Open 2020 - Reuters
Novak Djokovic com o troféu do Australian Open 2020 Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

02/02/2020 09h45

Novak Djokovic voltou a jogar cinco sets em uma final de slam e novamente mostrou seu melhor nos momentos mais delicados. Neste domingo, diante de Dominic Thiem na decisão do Australian Open, o sérvio esteve perdendo por 2 sets a 1 e aparentava sentir problemas físicos. Ainda assim, encontrou uma maneira de equilibrar a partida, forçar o quinto set e, no fim, conquistar o título do torneio pela oitava vez. Depois de 3h59min de jogo, Nole triunfou por 6/4, 4/6, 2/6, 6/3 e 6/4.

Além de embolsar 4,120 milhões de dólares australianos (cerca de R$ 11,8 milhões) pelo título, Djokovic garante pontos suficientes para ultrapassar Rafael Nadal no ranking e retomar o posto de número 1 do mundo. Na segunda-feira, o sérvio iniciará sua 276ª semana na liderança da lista da ATP. Ele se aproxima do recorde de Federer, que é de 310 semanas como #1.

Outra marca do suíço que fica mais próxima é a de títulos de slam em simples na história do tênis. Roger lidera a lista, com 20 troféus, e Rafael Nadal ocupa a segunda posição, com 19. O sérvio soma 17 agora.

Como aconteceu

Os primeiros minutos de Djokovic foram fulminantes. Conseguindo devoluções profundas e atuando perto da linha de base, o sérvio abriu a partida limitando a capacidade ofensiva do rival, e o resultado foi uma quebra de serviço já no segundo game. Thiem só conseguiu confirmar seu saque no quarto game, depois de 20 minutos de partida. O austríaco seguiu sofrendo em seus games de serviço, mas conseguiu evitar uma segunda quebra e foi recompensado no sétimo game, quando Djokovic finalmente teve um momento ruim. Com três erros não forçados do veterano, Thiem devolveu a quebra e, pouco depois, igualou o placar em 4/4. Nole, porém, seguiu pressionando e se aproveitou de dois erros do sérvio no começo do décimo game. Thiem ainda salvou um set point subindo bem à rede, mas no segundo cometeu uma dupla falta e entregou a parcial de bandeja: 6/4.

Se uma dupla falta decidiu o primeiro set, elas também deram o tom da segunda parcial, mas a favor do austríaco. Primeiro, Djokovic, com seu novo e mais potente segundo saque (com médias entre 170 e 180 km/h), vacilou. Fez duas duplas faltas no terceiro game - uma delas, no break point - e deu a Thiem a dianteira. O #5 do mundo abriu 3/1, salvou um break point para fazer 4/2, mas errou duas esquerdas seguidas e permitiu que Djokovic empatasse em 4/4. Foi aí que o sérvio viveu seu pior momento da noite até então. Fez uma dupla falta e, em seguida, levou duas advertências por estourar o tempo antes de sacar. A segunda delas veio no 15/40, e Nole teve de jogar com o segundo serviço. Depois de sacar a apenas 137 km/h, mandou uma direita muito longa e perdeu o game. Thiem, na sequência, confirmou e devolveu o 6/4.

Sem ritmo no saque, Djokovic viu o resto de seu jogo desandar no começo do terceiro set. Thiem aproveitou e anotou duas quebras de saque logo no início da parcial, abrindo 4/0. Com o anda da parcial, o número 2 do mundo também passou a dar sinais de problemas físicos e pediu atendimento médico em uma das viradas de lado. O austríaco não aliviou. Seguiu confirmando seu saque e capitalizou para fechar o set em 6/2 e virar o jogo.

Djokovic deixou a quadra no intervalo entre o terceiro e o quarto sets e aparentou voltar melhor fisicamente. Sem repetir o nível de tênis exibido no começo da partida, mas jogando o bastante para manter o jogo parelho. Foi aí que Thiem vacilou. Sacando em 3/4, errou um voleio fácil, cometeu uma dupla falta e mandou uma direita não forçada para fora. O veterano quebrou o saque, abriu 5/3 e confirmou na sequência para fazer 6/3 e forçar o quinto set.

Quando a parcial decisiva começou, Djokovic mostrava sua solidez costumeira, voltando a segurar Thiem no fundo de quadra e desafiando o austríaco a correr riscos. O garotão topou e pagou o preço. Arriscando e cometendo erros, foi quebrado logo no primeiro game da parcial. Thiem seguiu na ofensiva, mas sofreu outro baque no segundo game, quando teve dois break points, mas perdeu as chances ao cometer mais erros. Ainda assim, o austríaco manteve o plano. Seguiu lutando, salvou dois break points sacando em 2/4, mas não conseguiu mais do que isso.

Domínio do Big 3 continua

A conquista deste domingo significa que o circuito masculino segue fechando as portas nos slams para quem não faz pate do chamado Big Three - Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer. Os últimos 13 slams foram vencidos por um destes três atletas. O último de fora do grupo a vencer um dos quatro maiores torneios do mundo foi o suíço Stan Wawrinka, no US Open de 2016.

Trintões

Se o Big 3 segue vencendo, a sequência de triunfos dos tenistas com mais de 30 anos também continua firma. Agora são 14 slams consecutivos vencidos por tenistas com mais de três décadas de vida. O último evento vencido por alguém com menos de 30 foi Wimbledon/2016, que terminou com título de Andy Murray. Na ocasião, o escocês tinha 29 anos e 56 dias de vida.

O novo top 10

A volta de Djokovic ao topo do tênis masculino não foi a única mudança significativa da semana. Dominic Thiem, que começou o Australian Open como número 5 do mundo, deixa Melbourne como #4, colado em Roger Federer. Veja abaixo como fica o novo top 10:

1. Novak Djokovic - 9.720 pontos
2. Rafael Nadal - 9.395
3. Roger Federer - 7.130
4. Dominic Thiem - 7.045
5. Daniil Medvedev - 5.960
6. Stefanos Tsitsipas - 4.745
7. Alexander Zverev - 3.885
8. Matteo Berrettini - 2.905
9. Gael Monfils - 2.700
10. David Goffin - 2.555

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