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ATP Cup vence com folgas primeiro round contra a Copa Davis

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Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

09/01/2020 04h00

Em um olhar superficial, Copa Davis e ATP Cup, as competições entre países do circuito mundial masculino, não são tão diferentes assim. Ambas têm sede em um único país, fases de grupos seguidas de mata-mata, jogos em melhor de três e confrontos de três jogos, com as partidas de duplas sempre no final. No primeiro ano de embate direto entre os eventos, porém, a ATP Cup sai na frente com folga. Por que a vantagem, se as semelhanças são tantas? Porque o evento da ATP acerta em tudo que a ITF errou.

Calendário

A vantagem mais óbvia da ATP Cup é a data de realização. Enquanto a Davis está na última semana do calendário, depois do ATP Finals, quando a grande maioria do circuito está beirando o esgotamento após uma longa temporada, a ATP Cup pega todo mundo fresquinho, na primeira semana do ano, querendo calibrar golpes e jogar a sério na preparação para o Australian Open.

Fase de grupos

A Copa Davis, com seus 18 participantes na fase final, distribuiu os países em seis grupos de três times, o que causou uma confusão matemática e deixou alguns duelos sem validade alguma. A ATP Cup tem 24 países divididos em seis grupos de quatro times. É mais fácil acompanhar a pontuação (e a ATP fez um trabalho digno divulgando as contas e os cenários de classificação) e, embora também haja alguns duelos que não afetam a classificação final, as partidas sempre são disputadas porque...

Pontos e dinheiro

Não é muito fácil entender a distribuição de pontos no ranking e prêmio em dinheiro (tenistas mais bem ranqueados ganham mais grana, e a pontuação também depende do adversário), mas a separação aqui é clara: a ATP Cup premia os tenistas; a Copa Davis, não. Ou seja, enquanto a Davis teve partidas de duplas irrelevantes, na ATP Cup há sempre pontos e dinheiro em jogo. E enquanto houver grana na mesa, as pessoas levam a disputa a sério.

Os tenistas

Os três parágrafos acima explicam estas linhas: enquanto a Copa Davis teve apenas cinco top 10, a ATP Cup teve quase todos os 20 primeiros do ranking. O único que não quis jogar foi Roger Federer, promotor da Laver Cup, que também não jogou a Copa Davis (Berrettini e Nishikori se lesionaram, e Wawrinka não jogou por ter contrato com o ATP de Doha)*. O suíço alegou que gostaria de estar com a família durante os dez dias da ATP Cup. De qualquer modo, com ou sem suíço, a presença da elite é uma vitória enorme do evento da Austrália.

História

Além de tudo que já foi citado neste post, é preciso lembrar o que aconteceu com a Copa Davis. Trata-se de uma competição centenária que rasgou seu livro de regras, deixando de lado elementos como jogos em melhor de cinco, a expectativa gerada em confrontos de três dias, a escolha do piso pelo time da casa e outros aspectos estratégicos. Em nome do dinheiro, deixou a tradição e sua essência de lado para transformar-se em um evento com cara de fast food e, pior ainda, uma versão piorada de sua nova concorrente. A ITF precisa repensar seriamente seu evento para tentar resgatar a glória da Copa Davis.

* Este parágrafo foi alterado para evitar confusão sobre o número de desfalques da ATP Cup. Originalmente, eu havia escrito que 19 tenistas do top 20 participariam do evento.

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