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Paulo Anshowinhas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Skatistas brasileiros que se cuidem: pódio olímpico não tem vaga reservada

A skatista Rayssa Leal que ficou em quinto lugar em Roma - Julio Detefon/ Divulgação - CBSk
A skatista Rayssa Leal que ficou em quinto lugar em Roma Imagem: Julio Detefon/ Divulgação - CBSk
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Paulo Anshowinhas

Paulo Anshowinhas é skatista pioneiro, jornalista, radialista e comunicador. Foi juiz do Mundial de skate da Alemanha, chefe da delegação no Mundial do Canadá, comentarista do X Games e fundador da revista Yeah! Skate is my life.

Colunista do UOL

04/07/2022 04h00

O Pré-Olímpico de street skate que terminou ontem (3) em Roma (Itália) acendeu um alerta para os skatistas brasileiros: ninguém tem vaga garantida em pódio neste nível de competição.

A performance arrasadora das skatistas japonesas já era esperada, mas as brasileiras já tiveram melhores dias de competição também.

Com cinco representantes na final, por muito pouco as nipo-skatistas não conseguiram fazer uma fileira completa, não fosse a quinta colocação de Rayssa Leal para furar essa "bolha".

A questão vital, no caso de Rayssa, medalhista olímpica prateada, foi de finalização, coisa que normalmente ela domina. Mas dessa vez faltou foco para obter melhores resultados.

Excesso de compromissos, viagens longas, voos cancelados, talvez tudo isso tenha entrado para a conta dessa jovem de 14 anos, acostumada a frequentar os os pódios internacionais com alegria e simpatia.

Mesmo com o sorriso peculiar, e suas brincadeiras no topo da rampa, Rayssa parecia sentir a pressão por resultados.

No caso de Pamela, bicampeã da Street League mas que terminou em oitavo, o que se notava era excesso de energia, com muita explosão, mas pouca tranquilidade para finalizar as manobras.

Tanto Pamela quanto Rayssa têm talento para fazer melhor, mas precisam levar em consideração que a máquina japonesa de manobras vem acelerando de uma forma muito mais veloz do que o esperado.

Seria supremacia ou hegemonia japonesa?

Muita calma nessa hora, talvez fosse um bom remédio para encarar desafios cada vez maiores que devem vir pela frente.

Funa, Momiji, Oda, Akama, Yoshizawa foram apenas a ponta do iceberg que está se criando no Japão, pais que tem dezenas de novos talentos prontos para se apresentarem.

No masculino, Aurelien impressionou, mas Nyjah não dorme no ponto

O brasileiro Gabryel Aguilar merece parabéns pelo carisma e principalmente pela performance no evento, e mesmo sem chegar às finais —ficou em 11º— sai do torneio fortalecido, como um dos melhores do mundo, e grande revelação da competição.

Já nosso medalhista prateado Kelvin Hoefler, a exemplo de nossa Pamela Rosa, pareceu viver momento semelhante, seja por ausência de calma, ou mesmo por erros estratégicos.

Como se sabe, ambos treinaram juntos nos Estados Unidos — sem participar dos treinamentos com a delegação brasileira no Brasil.

Ninguém duvida de seu talento, mas o novo formato de competição talvez tenha atrapalhado os planos do nosso primeiro medalhista no Japão.

Mas a preocupação atual é com os "gringos" e com os vizinhos.

A surpreendente atuação dos nossos "hermanos" argentinos, Mauro Iglesias e Matias Dell Olio, também é um fator de alerta entre os meninos.

A dupla fez bonito e por pouco não beliscou uma vaga no pódio —que seria merecida, num ambiente antes ocupado constantemente por brasileiros.

Isso sem falar em quem realmente mandou no espetáculo em uma emocionante disputa de titãs, com o português Gustavo Ribeiro, o francês Aurelien Giraud —que para muitos mereceu o título-, o japonês Yuto Horigome, campeão olímpico, que também não estava em seu melhor dia, e sofreu intensa pressão.

E finalmente Nyjah, que se alguém imaginava que sua melhor fase já havia passado, depois do resultado (fora do pódio nas Olimpíadas), é melhor rever seus conceitos.