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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Saída de Prost da Alpine é melancólica e estranha

O francês Alain Prost, tetracampeão da F1, que deixou o posto de consultor da Alpine - Alpine
O francês Alain Prost, tetracampeão da F1, que deixou o posto de consultor da Alpine Imagem: Alpine
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

17/01/2022 13h40

Prost dançou na Alpine, esta é a principal notícia do dia na F1. (A outra é a divulgação da data de lançamento da Ferrari, 17 de fevereiro, por ora apenas uma questão de agenda).

Não houve nenhuma homenagem ao tetracampeão, não houve um mísero post nas redes sociais. Foi uma saída à francesa, com o perdão do trocadilho. O que é estranho. E melancólico. E me faz lembrar da Prost Grand Prix.

A ligação de Prost com a Renault é antiga e cheia de altos e baixos.

Ele foi campeão da F-Renault francesa em 1976 e, no ano seguinte, conquistou o título europeu. Na F1, foi com os carros amarelos e pretos da montadora, entre 1981 e 1983, que conseguiu seus primeiros grandes resultados: 9 vitórias e 10 poles, além do vice-campeonato no seu último ano por lá.

Mas sua saída do time foi conturbada.

Prost e a direção do time trocaram farpas sobre sua queda de rendimento na fase final daquela temporada, que abriu caminho para o bi de Piquet _nas últimas quatro etapas, o francês só pontuou uma vez. O rompimento foi tão feio que operários de uma fábrica da Renault foram à casa do piloto e atearam fogo numa Mercedes que ele tinha na garagem.

prostgp - Reprodução - Reprodução
Alain Prost vence o GP da França de 1983, em Paul Ricard, ao volante de um Renault
Imagem: Reprodução

Mas o mundo dá voltas. E foi acelerando um motor Renault que o francês conquistou seu quarto e último título mundial, em 1993, com a Williams e seu carro de outro planeta.

Aquilo consertou a relação. E desde então Prost e a Renault tiveram bons momentos. Ele foi embaixador da montadora, chegou a comandar uma equipe na Fórmula E para que o filho corresse e desde 2017 ocupava o papel de consultor para esportes a motor da marca.

A saída, agora, lembra o fim igualmente esquisito da Prost Grand Prix, há pouco mais de 20 anos. Lançada em 1997, após a compra da Ligier, a equipe morreu ao fim do Mundial de 2001.

Nas cinco temporadas como dono de equipe na F1, Prost arruinou boa parte do prestígio que conseguiu como piloto: acumulou problemas, dívidas e enroscos judiciais. Só Diniz, seu sócio nos últimos suspiros da empreitada, levou uma tunga de US$ 25 milhões.

Saiu pela porta dos fundos.

Talvez tenha sido o caso agora. A história está mal contada. Sim, sabemos que a Alpine está passando por uma reestruturação e que Szafnauer, ex-Aston Martin, está chegando para comandar a equipe. Mas nem um post de "au revoir, Alain, et merci beaucop"?

Prost foi um piloto genial, dos maiores de todos os tempos. Mas sua história pós-cockpit mostra mais uma vez que talento na pista não é garantia de sucesso nos bastidores da categoria.