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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Estreia da F-1 no Qatar é mais agitada fora do que dentro da pista

O holandês Max Verstappen em ação no segundo treino livre para o GP do Qatar, em Losail - Clive Mason/Getty Images/Red Bull
O holandês Max Verstappen em ação no segundo treino livre para o GP do Qatar, em Losail Imagem: Clive Mason/Getty Images/Red Bull
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

19/11/2021 14h19

No primeiro treino da história da F-1 no Qatar, deu Verstappen. No segundo, Bottas. Mas não teve jeito: o assunto que dominou a sexta-feira por lá foi a decisão da FIA de não reabrir as investigações sobre a manobra do holandês contra Hamilton em Interlagos.

Primeiro, porque é um assunto que pode gerar consequências. E Michael Masi, diretor de F-1 da FIA, certamente teve de usar muita retórica para explicar a decisão aos pilotos. Ele foi um dos participantes da reunião da GPDA (Grand Prix Drivers' Association), já na noite de Losail.

Li e reli todo o documento da FIA, as quatro páginas em que a entidade rejeita reabrir o caso.

Os comissários, claro, não entram no mérito da atitude de Verstappen naquela 48ª volta de Interlagos. Mas avaliam que as novas imagens, da câmera on-board 360°, não acrescentam nada ao caso. Ou seja: Verstappen é tão inocente quanto eles acharam que era no domingo.

É brigar com as novas imagens, que mostram claramente o holandês mantendo-se em linha reta, mesmo vendo Hamilton já à frente. Seria cinismo se não fosse estratégico.

O problema da FIA é que seu Código Esportivo Internacional prevê o tal "direito a revisão". E a entidade não quer transformar isso numa festa do caqui.

Viu-se diante de uma encruzilhada: ou abria o precedente para que novas imagens pudessem sempre ser utilizadas para reabrir investigações ou passava uma mensagem de "liberou geral" para os pilotos.

Optou pelo segundo caminho. E Masi deve ter usado todo seu inglês australiano para explicar à GPDA que não é bem assim, que as regras ainda existem e precisam ser cumpridas.

Na pista, o dia foi morno. Pilotos e equipes passaram bom tempo conhecendo a pista, entendendo os desafios de aderência e de mudanças de temperatura.

Na sessão da manhã, Verstappen fez 1min23s723, 0s437 melhor do que Gasly, o surpreendente segundo colocado. Bottas e Hamilton ficaram logo atrás.

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Lewis Hamilton, com capacete em homenagem à causa LGBTQIA+, nos boxes de Losail
Imagem: Mercedes

Já no fim de tarde qatari, com direito a escuridão e luar, o melhor tempo foi de Bottas, 1min23s148. Quem foi o segundo? Sim, novamente Gasly, dessa vez a 0s209 do líder.

Verstappen ficou em terceiro, logo seguido por Hamilton.

"Foi uma boa sexta-feira, a melhor da temporada até agora. Dentro do carro não estava tão fácil quanto pode parecer, mas nosso desempenho está muito bom", explicou o francês da AlphaTauri.

Vários pilotos tiveram tempos deletados por terem excedidos os limites de pista. Após o segundo treino, a FIA começou a soltar comunicados atrás de comunicados.

A FIA poderia aproveitar o luar de Losail e o momento de reflexão sobre as regras para pensar nisso também.

Como já escrevi aqui no blog, já passou da hora de a F-1 deixar os tecnicismos de lado e seguir um velho lema do automobilismo: "If it's grey, it's OK!" Algo como "se é cinza, se é asfalto, tá valendo".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL