PUBLICIDADE
Topo

Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Mercedes voa, Red Bull pensa no futuro

Valtteri Bottas deixa os boxes da Mercedes em Sochi no primeiro dia de treinos para o GP da Rússia  - Mercedes
Valtteri Bottas deixa os boxes da Mercedes em Sochi no primeiro dia de treinos para o GP da Rússia Imagem: Mercedes
Conteúdo exclusivo para assinantes
Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

24/09/2021 11h18

Era fim do segundo treino em Sochi, e a câmera nos boxes da Red Bull focalizou Max Verstappen. Seus olhos estavam perdidos, no vazio. Seu pensamento, longe dali.

Compreensível. A programação da 15ª etapa do Mundial de F-1 mal começou e o holandês, líder do campeonato, já sabe que terá dias bem complicados.

Porque largará do fundo do grid. Pouco antes da segunda sessão, a Red Bull anunciou a troca de motor no seu carro. Será a quarta unidade de potência do holandês na temporada, o que significa punição pesada na classificação.

E porque a Mercedes está voando.

Nos dois treinos desta sexta, duas dobradinhas da equipe alemã, sempre com Bottas na frente.

Na primeira sessão, o finlandês cravou 1min34s427, 0s211 melhor do que Hamilton. Verstappen foi o terceiro, seguido por Leclerc e Vettel.

No treino da tarde, Bottas fez 1min33s593, 0s044 de vantagem para o companheiro. Gasly foi o terceiro, com Norris e Ocon logo atrás. Verstappen, já numa estratégia diferente e claramente amaciando o novo motor, ficou apenas em sexto lugar.

O maior incidente do dia aconteceu justamente nesta sessão. Giovinazzi escorregou na curva 8, uma das mais rápidas do circuito russo, e bateu forte, de traseira. Não é coincidência: o italiano está desesperado para mostrar serviço, já que sua vaga é a única ainda não confirmada para o grid de 2022.

Em contraste com o baixo astral da Red Bull, os boxes da Mercedes exalavam confiança. O histórico da equipe no circuito russo é impecável: sete corridas, sete vitórias. Até agora, tudo indica que o desempenho 100% vai continuar.

Se algo pode embaralhar as cartas e dar alguma esperança a Verstappen, é o clima em Sochi. A meteorologia prevê temporal para o sábado. FIA e equipes já discutem sobre a possibilidade de realizar a classificação no domingo pela manhã, quando a chuva deve ser mais fraca.

maxvers - Rudy Carezzevoli/Getty Images/Red Bull - Rudy Carezzevoli/Getty Images/Red Bull
Max Verstappen na pista de Sochi no primeiro dia de treinos para o GP da Rússia
Imagem: Rudy Carezzevoli/Getty Images/Red Bull

Segundo Verstappen, essa previsão foi fundamental para a troca de motor.

"Sabíamos que em algum momento teríamos que fazer isso. Seria aqui ou em algum outro lugar. Levamos tudo em consideração e achamos que era a melhor decisão a tomar", disse o holandês, que conta com um bom histórico de recuperação em Sochi.

Em 2018, ele largou em 19º e terminou a prova em quinto. "Desta vez vai ser mais difícil, as equipes do meio do pelotão estão mais fortes."

Em entrevista à ORF, TV austríaca, Helmut Marko reconheceu a vantagem da Mercedes no fim de semana. "Eles estão muito fortes aqui, então decidimos trocar todo o pacote do Max. E ainda tem essa questão do clima", disse.

Esta temporada nos ensinou a considerar sempre o imponderável. Tudo pode mudar, principalmente com um temporal no radar. Mas, até agora, a impressão é que a Red Bull preferiu sacrificar essa corrida para capitalizar nas próximas.

A ver

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL