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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Hamilton, Verstappen e o talento que faz diferença na F-1

Hamilton ultrapassa o companheiro de Mercedes, Bottas, na 20ª volta do GP de Portugal, no circuito do Algarve - Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Hamilton ultrapassa o companheiro de Mercedes, Bottas, na 20ª volta do GP de Portugal, no circuito do Algarve Imagem: Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images

Colunista do UOL

02/05/2021 12h48

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Talento, braço e pé pesado ainda fazem muita diferença na F-1. Ainda bem.

É este o recado que fica após o GP de Portugal, é essa a mensagem que tremulou com a bandeirada final da terceira etapa do Mundial.

Vitória de Hamilton, a segunda em Portugal, a 97ª da carreira, a segunda no ano. Em segundo lugar, Verstappen, seu grande rival no ano, a pedra na sua sapatilha, seu maior desafio na fase final da carreira.

Os dois melhores pilotos do grid, um da Mercedes, outro da Red Bull. Um veterano consagrado, um jovem em franca ascensão. Não é coincidência.

Bottas, que largou na pole position, não foi páreo para os dois. Longe disso. Foi ultrapassado com facilidade, sofreu para chegar em terceiro lugar.

Deixou claro que os dois duelistas estão hoje em outra prateleira. Que, apesar de toda a tecnologia, o "fator humano" ainda determina resultados de corridas.

Com o resultado, Hamilton abre agora 8 pontos para o holandês no Mundial de Pilotos: 69 pontos a 61. Mas ainda tem muito campeonato pela frente...

A tarde de domingo em Portimão teve céu azul, temperatura de 19°C, vento forte e mudando a todo instante.

largada gp - Clive Mason/Getty Images - Clive Mason/Getty Images
A largada do GP de Portugal
Imagem: Clive Mason/Getty Images

Bottas foi muito bem na largada, segurando a ponta com segurança. Hamilton e Verstappen se comportaram e mantiveram suas posições. Sainz, com pneus macios, ultrapassou Pérez e pulou para o quarto lugar.

Um pouco mais atrás, Alonso deu uma espalhada, Norris passou Ocon e, na segunda volta, Raikkonen fez lambança: cometeu um erro de cálculo banal e encheu a traseira do seu companheiro, Giovinazzi, em plena reta.

Safety car para limpar os restos de carro do finlandês que ficaram espalhados pela pista.

A relargada veio na sétima volta. E foi espetacular!

Hamilton deu uma piscada, e Verstappen o ultrapassou numa manobra belíssima: jogou pra direita, jogou pra esquerda e mergulhou no fim da reta para ganhar a vice-liderança.

Pérez passou Sainz, mas na sequência Norris veio lá de trás e superou os dois, pulando para quarto lugar. Talento puro. Como é bom esse inglês!

Na 11ª volta, Verstappen cometeu um deslize na curva 14 e Hamilton não perdoou: tomou de volta o segundo lugar. "Tornei-me um alvo fácil na reta", disse o holandês pelo rádio, reclamando da potência do motor Honda.

Sem a Red Bull para incomodar, Hamilton teve caminho aberto para partir para o ataque contra Bottas.

O inglês foi chegando, chegando... E deu o bote na 20ª volta: colocou o carro à esquerda no final da reta e ultrapassou o companheiro por fora na curva 1. Liderança do GP e pista livre à frente para acelerar à vontade!

Duas voltas depois, Sainz abriu os trabalhos nos boxes. Tirou os macios e colocou os médios.

Na sequência, cinco pilotos ousaram na estratégia e colocarem pneus duros: Ocon, Giovinazzi, Tsunoda, Latifi e Leclerc.

Começou a expectativa para os pits do pelotão da frente.

Verstappen parou na 36ª volta e colocou pneus duros. Bottas entrou na seguinte e fez a mesma opção. No retorno à pista, o finlandês não conseguiu segurar o ritmo do holandês, que lhe tomou a posição.

É, Bottas, assim fica difícil defender. Nos treinos, é um leão. Na corrida, vira um gatinho indefeso. Todo mundo passa. Isso pode fazer diferença no fim do campeonato, com a Red Bull tão forte. Eu já escrevi isso aqui: se eu fosse a Mercedes, promoveria Russell imediatamente.

Não por acaso, o próprio Wolff, chefe da Mercedes, em determinado momento entrou pelo rádio e mandou o finlandês apertar o ritmo.

Quando o chefe faz isso...

Alheio às besteiras do companheiro, Hamilton parou na 38ª, colocou duros e voltou atrás de Pérez, que estava numa estratégia diferente, tentando levar os pneus médios ao limite para calçar macios no trecho final da corrida.

hamilton pit - Mark Thompson/Getty Images - Mark Thompson/Getty Images
Hamilton faz seu pit stop no Algarve
Imagem: Mark Thompson/Getty Images

Enquanto isso, houve boas disputas entre Ricciardo e Gasly, com triunfo do australiano, e entre Ocon e Sainz, com o francês sobressaindo.

Na 51ª, Hamilton passou Pérez, que ainda não tinha parado e sofria com os pneus médios esbagaçados. Na volta seguinte, enfim, o mexicano parou e colocou os tão sonhados pneus macios. Voltou à pista em quarto, à frente de Norris, praticamente assegurando a posição.

Com as posições estabelecidas na ponta do GP, começou então uma briga para cravar a melhor volta e garantir o ponto extra. Com boa folga para Pérez, Bottas parou a duas voltas do final e colocou pneus macios. Deu certo, até porque Verstappen espalhou na última volta, quando tentava fazer uma volta voadora.

Fechando o top 10, Pérez, Norris, Leclerc, Ocon, Alonso, Ricciardo e Gasly.

"Foi uma corrida difícil. Eu perdi um pouco na relargada e sabia que precisava fazer aquela ultrapassagem no limite para ter um boa conclusão de corrida", disse Hamilton.

É o que faz a diferença. Andar no limite. Ele e Verstappen vivem este momento hoje na F-1. Sorte a nossa.