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Clodoaldo Silva

Representatividade de ídolos paralímpicos a serviço dos direitos dos PCDs

Clodoaldo Silva e Daniel Dias - Washington Alves/MPIX/CPB
Clodoaldo Silva e Daniel Dias Imagem: Washington Alves/MPIX/CPB
Clodoaldo Silva

Clodoaldo Silva é o primeiro ídolo do esporte paralímpico brasileiro. Um dos maiores nadadores do mundo, é dono de 14 medalhas (6 ouros, 6 pratas e 2 bronze) paralímpicas. Também é palestrante, empresário, atuante na área de inclusão das pessoas com deficiência e comentarista do esporte paralímpico.

14/01/2021 14h44

A semana foi agitada para o movimento paraolímpico. Na última terça-feira (12), fui convidado para ser o embaixador da Secretaria da Pessoa com Deficiência do Rio de Janeiro. Um dia depois, Daniel Dias, maior medalhista paraolímpico do Brasil, anunciou que irá se aposentar das piscinas depois dos Jogos de Tóquio.

Fui muito parabenizado pelo convite de embaixador, no entanto, muitas pessoas confundiram a minha função com a de secretário da pasta. É importante dizer que não sou secretário e nem tenho a pretensão de ser. Essa função não é um cargo político. O que sou é uma pessoa com deficiência que vivência diariamente a falta de acessibilidade e inclusão na cidade do Rio de Janeiro.

A palavra embaixador tem muito mais ligação, no meu caso, com quem endossa ações positivas que o Estado venha exercer ou com aquele que é um porta-voz como defensor dos direitos das pessoas com deficiência.

O convite para ser embaixador foi aceito por causa da minha representatividade. É certo que eu terei a oportunidade de contribuir com sugestões, ideias e propostas. Espero poder ajudar a melhorar as políticas públicas para as pessoas com deficiência do estado do Rio de Janeiro.

Me sinto extremamente honrado por ser convidado e poder utilizar a minha imagem em prol de melhorias para essa camada da sociedade. O papel de embaixador tem muita relação com ações que possam garantir mais oportunidades para esse segmento da sociedade, visando, de uma vez por todas, acabar com estigmas que se perduram durante anos. Nós, pessoas com deficiência, não precisamos de pena, não queremos ser endeusados e, muito menos, largados em um canto. O que realmente necessitamos são ferramentas para que possamos demonstrar nossas capacidades em pé de igualdade com todos.

Estou muito feliz com o convite e espero contribuir muito para que o Estado do Rio de Janeiro procure um caminho diferente em prol de políticas eficazes para esse setor e da garantia dos direitos das pessoas com deficiência.

Aposentadoria de Daniel Dias

Outra notícia que movimentou o meio paraolímpico foi o anúncio, na quarta-feira (12), de Daniel Dias irá pendurar a sua sunga depois dos Jogos de Tóquio. Como amigo desse gigante, sei bem o quão difícil é tomar a decisão de parar. Eu mesmo tentei em 2012, mas só consegui fazer em 2016, depois dos Jogos do Rio.

Como eu previ no ano passado, quando tive a oportunidade de ser comentarista dos Jogos Parapan-americanos, Daniel realmente irá aposentar. Para nós, atletas paraolímpicos de destaque, a aposentadoria é uma oportunidade incrível. Utilizar a nossa imagem e representatividade para ajudar o próximo talvez seja a nossa maior conquista.

Parar não é necessariamente parar. Outro significado de aposentadorias como a de Daniel e da minha é dar espaço para o outro. Apesar de amar muito a natação, chega uma hora que a gente já está mais velho, já está mais cansado e tem que decidir o que fazer. Essa decisão é difícil, mas necessária.

Daniel começou a nadar porque me viu ganhando medalhas em Atenas, em 2004. Outras gerações começaram a nadar porque viram o Daniel e outros tantos atletas. Tenho certeza de que nossa missão foi cumprida com louvor.

Quando olho para trás, vejo o avanço que tivemos. Essa evolução tem muita relação com os resultados dos atletas, com investimento em comunicação e com mudança de estrutura. Tudo junto, possibilitou que nesta semana, Daniel e eu fôssemos destaques na mídia.

Falta muito ainda para dizermos que o reconhecimento está em pé de igualdade, mas falta menos do que faltava antes. Acredito que nosso mérito tem a ver com nossas medalhas, mas também tem relação incrível com a visibilidade. Mostrar pessoas com deficiência exercendo uma função como todas as outras pessoas mexe com a sociedade e transforma mentalidades. Nosso papel vai muito mais além daquele de ganhar medalhas. Os paraolímpicos têm uma função social maior de ajudar o mundo a apostar nas diferenças com tranquilidade.

Por isso, aposentar é coisa do passado para a gente. O que a gente faz é se reinventar para poder ajudar mais ainda o próximo. Tenho certeza que Daniel chega para engrossar o time e fazer o seu melhor para que o reconhecimento dessa camada da sociedade seja cada vez maior. Seja bem-vindo, amigo.

Abraços aquáticos a todos e excelente quinta-feira!