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Clodoaldo Silva

A nossa deficiência não nos define. Ela é uma parte do que somos!

Maria Dayanne da Silva, atleta da natação classe s6, Raíssa Rocha Machado, atleta do arremesso do dardo do atletismo, classe F56,Andrey Garbe, atleta da Natação classe S9 - Ale Cabral/CPB
Maria Dayanne da Silva, atleta da natação classe s6, Raíssa Rocha Machado, atleta do arremesso do dardo do atletismo, classe F56,Andrey Garbe, atleta da Natação classe S9 Imagem: Ale Cabral/CPB
Clodoaldo Silva

Clodoaldo Silva é o primeiro ídolo do esporte paralímpico brasileiro. Um dos maiores nadadores do mundo, é dono de 14 medalhas (6 ouros, 6 pratas e 2 bronze) paralímpicas. Também é palestrante, empresário, atuante na área de inclusão das pessoas com deficiência e comentarista do esporte paralímpico.

11/12/2020 12h15

Na semana que marca o Dia Internacional dos Direitos Humanos, no último dia 10, parte do Brasil e do mundo ainda tem muito para evoluir. Desde 1948, quando foi instituída a Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Organização das Nações Unidas (ONU), já podemos entender nossos direitos temos simplesmente por sermos humanos.

Depois de 72 anos, as relações de parte do mundo ainda estão baseados no preconceito, discriminação, racismo, sexismo, homofobia e outras práticas que não condizem com a evolução do planeta. O desenvolvimento tecnológico, científico, acadêmico, econômico e social deveria ser sinônimo de avanços, no entanto, muitas vezes, eles significam regresso. Basta a gente analisar a reação de um simples post sobre racismo nas redes sociais. Desanimador!

Existe muito para ser comemorado, como por exemplo, o fortalecimento do movimento negro, que mostra resistência e resiliência diante de problemas que persistem durante séculos. Nesta semana, por exemplo, tivemos a oportunidade de ver um jogo da Liga dos Campeões ser interrompido porque os atletas se colocaram contra o racismo do árbitro e não deram continuidade ao jogo. Personalidades esportivas e de outros setores se pronunciaram contra o racismo. Os movimentos ganham forças, mas a institucionalização do preconceito ainda é atenuante nas relações humanas.

Sobre nós, pessoas com deficiência, o caminho parece mais árduo, já que nosso movimento ainda não tomou um corpo universal como o negro e o LGBTQI+. Temos uma luta diária pelos direitos.

Como para bom entendedor uma palavra basta, vale citar o primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que é bem claro em sua abordagem: "Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade".

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e outras instituições ligadas o esporte para pessoas com deficiência têm contribuído para o reconhecimento da igualdade das pessoas com deficiência por meio uma ferramenta poderosa: o esporte.

Nós, do Movimento Paralímpico, fazemos parte de uma semente que dá frutos positivos e que cresce exponencialmente. O grande desafio, como sempre coloco, é a visão que damos às coisas e às pessoas. Por isso, quero finalizar meu artigo com o manifesto que foi lançado pelo CPB no último dia 03, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Palavras simples, bem colocadas e que nos trazem para a reflexão.

Abraços aquáticos e excelente sexta-feira para todos!

Manifesto Paralímpico

Não somos iguais. Ninguém é.
Cada um tem características que o tornam único.
Mas por que nos olham diferente?
Por que duvidam das nossas capacidades?
Por que nos chama de heróis quando, na verdade, estamos
fazendo as mesmas coisas que você, mas do nosso jeito?
Só queremos viver em paz com nosso corpo, com as
perfeições das nossas imperfeições.
Aprendemos a respeitar e a amar nosso corpo, olhar no
espelho e abraçar a imagem que ele nos devolve. É um
processo.
Aprendemos a nos adaptar para fazer tudo o que
queremos.
Mas ao seu olhar julgador e com pena não nos
adaptaremos.
E não é porque algumas deficiências não são aparentes
para você, que nós não temos uma.
Às vezes, algumas barreiras aparecem para atrapalhar. Seu
preconceito, sua desconfiança, sua superproteção, seu local
não acessível para nós.
A nossa deficiência não nos define. Ela é uma parte do que
somos, uma característica.
Somos mais que cadeiras de rodas, próteses e bengalas.
Também somos mais que óculos, dardos, bolas, bicicletas e
raquetes.
Nós treinamos, vencemos, perdemos, choramos, sorrimos,
influenciamos e também somos influenciados.
Queremos o seu respeito e sua empatia.
Fazemos parte de um movimento que só cresce no Brasil e
no Mundo. Um movimento que busca a cada dia e a cada
medalha, espaço, inclusão e reconhecimento.
Somos o Movimento Paralímpico!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.