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Comitê de Clubes Paralímpicos é incluído no Sistema Nacional do Desporto

João Batista Carvalho e Silva, presidente do Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos  - Arquivo pessoal
João Batista Carvalho e Silva, presidente do Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos Imagem: Arquivo pessoal
Clodoaldo Silva

Clodoaldo Silva é o primeiro ídolo do esporte paralímpico brasileiro. Um dos maiores nadadores do mundo, é dono de 14 medalhas (6 ouros, 6 pratas e 2 bronze) paralímpicas. Também é palestrante, empresário, atuante na área de inclusão das pessoas com deficiência e comentarista do esporte paralímpico.

15/10/2020 19h02

O CBCP (Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos) virou realidade. Agora está na lei. A novidade foi anunciada no fim na noite dessa quarta-feira (15), após a sanção de parte do PL 2824/2020. No caso do CBCP, o pleito foi o reconhecimento do órgão como integrante do SND (Sistema Nacional do Desporto), mudando a organização do esporte brasileiro para melhor e corrigindo uma lacuna que existia na lei (saiba mais sobre o assunto aqui).

Eu conversei com o presidente do CBCP, João Batista Carvalho e Silva, que também foi o responsável por tocar o trabalho inaugural do Comitê Paralímpico Brasileiro, para entender o que está em jogo e o que muda no esporte paralímpico/paradesportivo com reconhecimento do CBCP pela lei. Confira abaixo a entrevista completa.

Clodoaldo Silva: O que significa vitória da sanção de parte do PL 2824/2020 para o movimento paralímpico/paradesportivo?

João Batista Carvalho e Silva: A sanção do Projeto de Lei 2824, que se transforma na Lei 14.073 de 15 de outubro de 2020, significa a correção de uma injustiça cometida com os clubes e associações de pessoas com deficiência, que desde 1958 formam os atletas para o pódio da medalha e também da vida, da inclusão e da cidadania. A lei reconhece formalmente o Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos como integrante do Sistema Nacional do Desporto no mesmo nível que o COB (Comitê Olímpico do Brasil), o CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) e CBC (Comitê Brasileiro de Clubes).

Em poucas palavras, como você define o CBCP?

O CBCP é hoje, após 70 dias, uma realidade e certamente vai contribuir para o resgate da atenção e do apoio incondicional aos clubes e associações de pessoas com deficiência que atualmente estão no final da fila, esquecidos e abandonados. Somos o novo, a vacina para velhos vícios.

E sobre a criação do órgão, como ele surgiu e por quê?

Surgiu da indignação em relação a um sistema que era incapaz de dar respostas necessárias aos clubes e associações de pessoas com deficiência. A razão foi a união daqueles que indignados, buscam um novo caminho.

Como o senhor se sente, já que é um grande precursor do esporte para pessoas com deficiência no Brasil, agora também ter sido escolhido para presidir o CBCP?

Orgulhoso e motivado. Me sinto com forças renovadas, da mesma maneira que me senti quando me entregaram em 1995 a tarefa de dar vida ao Comitê Paraolímpico Brasileiro.

O que muda para o esporte paralímpico/paradesportivo com a criação do CBCP?

Abre-se uma janela de correção para o sistema. O CBCP será a vez e a voz daqueles que estão longe de ter vez e voz.

Com a sanção do Presidente Jair Bolsonaro, quais são os próximos passos agora?

Organizar a estrutura administrativa e operacional da Instituição para dar respostas rápidas aqueles que têm pressa.

Que tipo de auxílio o CBCP visa dar aos clubes, associação e entidade do esporte paralímpico/paradesportivo?

O maior auxílio certamente será a contribuição para torná-los autossuficientes financeiramente e, para isto, usaremos ferramentas que já estão disponíveis e aplicadas. A atenção para com todos será nosso guia e dele não nos afastaremos.

O senhor é um homem reconhecido por sua garra e capacidade de mudar cenários. O que podemos esperar para o futuro do esporte para pessoas com deficiência no Brasil?

Podem esperar motivação, experiência, o timoneiro de uma equipe preparada, afinal sem equipe nada se faz, o que nos levará a novamente reescrevermos a história dos clubes e associações de pessoas com ceficiência.

Só para finalizar, o que falta para, de uma vez por todas, a sociedade brasileira reconhecer as pessoas com deficiência como cidadãos que precisam de garantias de direitos e não de serem reconhecidos como "coitadinhos" ou incapazes?

Ainda mais informação, não informação pontual, oferecida em ocasiões esporádicas. Informação todos os dias de que não há "coitadinhos". O que há são diferenças que precisam serem aceitas, afinal a sociedade é feita de diferenças.

Excelente quinta-feira e abraços aquáticos para todos!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.