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Realidade paralela

No sonho de Leandro Ramos, do Choque de Cultura, o Vasco teria Philippe Coutinho, o São Paulo contaria com Casemiro, e o lateral Marcelo ainda estaria no Fluminense. A montagem acima mostra como seriam os atletas hoje com os uniformes dos clubes brasileiros - Montagem/UOL
No sonho de Leandro Ramos, do Choque de Cultura, o Vasco teria Philippe Coutinho, o São Paulo contaria com Casemiro, e o lateral Marcelo ainda estaria no Fluminense. A montagem acima mostra como seriam os atletas hoje com os uniformes dos clubes brasileiros
Imagem: Montagem/UOL
Leandro Ramos

Leandro Ramos

Carioca, suburbano e flamenguista, Leandro Ramos é ator, diretor, roteirista e centro-avante de pelada. Dirigiu o Larica Total e o Matador de Passarinho entre outros, e é o Julinho da Van, do Choque de Cultura.

20/11/2018 11h47

Eu sei que vivemos num sistema essencialmente capitalista e que o futebol é um negócio muito lucrativo. Também sei que o mundo é cada vez mais globalizado, que as jovens promessas brasileiras saem cada vez mais cedo de seus clubes formadores e que isso parece um caminho inevitável, mas imaginem só uma realidade onde os grandes clubes brasileiros não perdem seus novos craques para os clubes chineses, ucranianos, italianos, franceses, russos, alemães, espanhóis e o Palmeiras (tá comprando todo mundo), uma realidade onde o melhor campeonato é o Brasileiro, milhões de pessoas nos cinco continentes acompanhando um Vasco x Guarani no Brinco de Ouro da Princesa. Que sonho lindo, Brasil.

Nessa realidade paralela onde não há corrupção, onde os empresários de jogadores não mandam nos clubes, os times não precisam vender promessas a preço de banana pra pagar dívida, onde a seleção brasileira não existe para vender jogador, os nossos clubes são recheados de estrelas formadas em casa e o campeonato é cheio de craques conhecidos no mundo todo.

O Vasco de 2018 teria Philippe Coutinho como grande estrela, Pedrinho, Luan; Flamengo com Renato Augusto, Paquetá, Jorge, Vinícius Júnior; Palmeiras com Gabriel Jesus; Santos com Felipe Anderson, Ganso, Neymar, Rodrygo e Gabigol; Fluminense com Marcelo na lateral e Pedrinho no ataque; São Paulo teria um timaço com Ederson, Casemiro e Lucas Moura de espinha dorsal; Richarlison no América Mineiro; Arthur no Grêmio; Alisson no Inter; Daniel Alves no Bahia. Seria doideira.

O mais louco de tudo é que o futebol brasileiro já foi assim. Salvo um ou outro craque que saía pra Europa, até os anos 80 nós tínhamos tempo e o prazer de criar identificação com nossos ídolos, todo clube tinha ao menos uma estrela, um fora de série que era identificado com a torcida, que representava o time. O Flamengo nunca terá um novo Zico porque não vai dar tempo, quando a gente começa a animar com um novo jogador, ele é vendido antes mesmo de tirar a carteira de motorista. A situação é tão crítica que alguns dos jogadores da seleção brasileira eu nem sei onde foram formados: Fred, Douglas Costa, Danilo, Filipe Luís.

Torço muito para que seja um quadro reversível, que os clubes se profissionalizem de verdade, livrem-se dos interesses dos empresários de atletas e que possamos aproveitar nossos jogadores pelo menos até os 25 anos de idade. Eu sei, estou parecendo seu avô falando inocentemente do Garrincha e do Pelé. Talvez seja só um sonho bobo, talvez eu esteja ficando velho mesmo. O tempo dirá.

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