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OPINIÃO

Real foca na Champions, Liverpool compete em tudo até o fim. Quem levará?

Vinícius Jr durante a partida entre Real Madrid e Liverpool pelas quartas de final da Liga dos Campeões Imagem: Paul ELLIS / AFP
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André Rocha

Colunista do UOL Esporte

21/05/2022 09h44

Real Madrid e Betis empataram sem gols no Santiago Bernabéu pela última rodada da liga espanhola. Clima de festa com pasillo duplo: o campeão espanhol dedicando um corredor de honra para o vencedor da Copa do Rei e vice-versa. Também a possível despedida no estádio do lateral Marcelo, que ainda não definiu a renovação de contrato, aos 34 anos. Dezesseis dedicados ao clube, com 24 títulos.

Pode chegar a 25 se o time merengue faturar a Liga dos Campeões no dia 28, em Paris. Seria a quinta do brasileiro, a décima quarta do maior vencedor do torneio. Contra o Betis, Carlo Ancelotti escalou o que tinha de melhor à disposição, aproveitando uma partida oficial contra adversário competitivo para testar o que será utilizado contra o Liverpool.

O Real Madrid tem calma e tempo para se preparar, já que confirmou a conquista nacional ainda na 34ª rodada, antes mesmo do jogo de volta contra o Manchester City pela semifinal. Desde o dia cinco de maio, todo trabalho é voltado para a decisão continental.

Neste período, o Liverpool disputou a final da Copa da Inglaterra, vencendo o Chelsea nos pênaltis depois de intensos 120 minutos, e segue na luta ponto a ponto com o Manchester City pelo título da Premier League. Na última rodada, a obrigação de vencer, em Anfield, o Wolverhampton, oitavo colocado, e torcer contra o time de Guardiola, também em casa, diante do Aston Villa.

Mesmo rodando o elenco, Jürgen Klopp precisa de todos entregando 100% em campo. Desgaste físico e mental absurdo na temporada de 63 jogos e, a essa altura, ainda envolvido em duas competições, já com dois títulos conquistados. Sem ter certeza de que Van Dijk, Robertson, Fabinho e Salah, pilares da equipe, estarão disponíveis em boas condições para a grande decisão no Stade de France.

Os espanhois com todos em forma, Ancelotti e comissão técnica estudando o time inglês há um bom tempo, mas também muita ansiedade para a partida mais importante da temporada. Desejando um título que seria "apenas" mais uma Champions para o maior campeão, porém carregando a expectativa de consagrar uma trajetória épica, ressurgindo das cinzas contra PSG, Chelsea e City no mata-mata.

Já o Liverpool chegará no limite das forças, tentando aproveitar ao máximo a única semana livre para recuperar e treinar. É claro que na comissão já há um trabalho pensando no Real Madrid, mas nunca com foco absoluto, já que há um tempo todo jogo é decisivo para os Reds. E é justamente essa capacidade competitiva, essa concentração absoluta que já virou hábito que pode pesar a favor do time inglês.

Na final de 2017/18, o cenário era diferente. O Real terminou La Liga em terceiro, 17 pontos atrás do Barcelona, caiu nas quartas na Copa do Rei e se dedicou integralmente à busca do então tricampeonato consecutivo sob o comando de Zinedine Zidane. Já o Liverpool foi eliminado precocemente nas copas nacionais, mas também administrou um G-4 na Premier League, podendo se preparar para a final em Kiev.

Há quatro anos o emocional pesou mais, com o Liverpool sentindo a ausência de Salah, lesionado no ombro após disputa com Sergio Ramos ainda no primeiro tempo, e pagando pela péssima atuação do goleiro Loris Karius, com duas falhas capitais nos gols de Benzema e Bale que definiram os 3 a 1 a favor do time espanhol.

Agora o Real não terá Sergio Ramos e o Liverpool contará com Alisson na meta e corre contra o tempo para ter Salah, se possível por 90 ou 120 minutos.

O que pesará mais? O preparo mais cuidadoso ou o embalo de quem disputou tudo na temporada no mais alto nível? A resposta virá em sete dias, com mais uma final inesquecível do maior torneio de clubes do planeta.

Um palpite? Se o Liverpool conseguir o milagre amanhã de vencer também a liga será difícil segurar um rolo compressor com a motivação de fazer história com os inéditos quatro títulos da temporada. Caso venha a frustração com mais um título do City, o descanso do time e a serenidade da liderança de Ancelotti devem fazer a diferença para o Real Madrid, gigante "imortal" dessa edição.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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