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OPINIÃO

Galo faz história na Libertadores, mas time controla menos os jogos

Eduardo Sasha, do Atlético Mineiro, comemora gol diante do Brasiliense, durante partida válida pela terceira fase da Copa do Brasil Imagem: HEDGARD MORAES/UAI FOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
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André Rocha

Colunista do UOL Esporte

20/05/2022 07h05

Hulk desequilibrando para o Atlético no Mineirão já é roteiro conhecido. Com dois belos gols, um em cada tempo, descomplicou tudo nos 3 a 1 sobre o Independiente Del Valle.

O melhor atacante em atividade no futebol brasileiro chegou a dez gols na Libertadores pelo clube e ficou a um de Jô, ainda o maior artilheiro do Galo na competição. Questão de tempo para fazer história. Já o time bateu o recorde de invencibilidade no torneio: 18 partidas, incluindo a campanha sem derrotas até a semifinal no ano passado.

Mas a equipe agora comandada por Antonio "Turco" Mohamed ainda não demonstra a segurança dos tempos de Cuca, mesmo com a manutenção do elenco - inclusive o zagueiro Junior Alonso, que bateu e voltou da Rússia por conta da guerra - e o reforço de Ademir, opção de velocidade e drible pela direita.

Apesar de ter sido o comandante do "Galo Doido" campeão da Libertadores 2013, Cuca montou uma equipe mais segura e dominante no ano passado. Controlando os jogos pela posse de bola ou ocupando bem os espaços e definindo em rápidas transições ofensivas.

O time de Mohamed oscila mais durante os jogos e frequentemente parte para a "trocação", baixando intensidade e deixando espaços, mas também aproveitando a empolgação do adversário e, quando Hulk está inspirado, derrubando com golpes letais.

A opção por Eduardo Sasha fazendo dupla de ataque com o craque do time dá liberdade a Hulk, mas encaixota o resto do time em um 4-4-2 com Nacho Fernández muito aberto pela esquerda. Ganha com Allan participando mais das ações de ataque, e o volante acertou dois passes primorosos para os gols de Hulk, porém deixa brechas entre o meio e a defesa que eram mais raros em 2021.

Mohamed tenta compensar prendendo mais Guga pela direita e liberando Guilherme Arana do lado oposto. Mesmo assim não se livrou do passe de Sornoza para Billy Arce, que chutou na trave. A mais perigosa finalização do time equatoriano no primeiro tempo. Em um total de nove finalizações dos visitantes, duas no alvo.

Incluindo o gol de William Vargas, em novo passe de Sornoza, que sinalizou uma pressão no final, mas o golaço do jovem Savinho resolveu a parada. O Galo finalizou 15 vezes, sete na direção da meta de Wellington Ramírez. Foi superior o tempo todo, inclusive explorando uma velha falha do Del Valle, desde os tempos de Miguel Àngel Ramírez: os generosos espaços à frente da defesa, mesmo com linha de cinco atrás, cedidos pelo veterano Cristian Pellerano, meio-campista de 40 anos.

Mas o Galo pode dominar mais e sofrer menos. Perdeu pontos preciosos que poderiam construir novamente a melhor campanha na fase de grupos. Também tropeçou mais que o esperado dentro de uma tabela bem acessível no início do Brasileiro. Era a chance de disparar já no início, mas perdeu para o América e empatou com Goiás, Coritiba e Bragantino em sete rodadas.

Não dá para viver apenas das individualidades, especialmente Hulk, e correr riscos em jogos que entram no modo "briga de rua", como nos tempos de Levir Culpi. Essa fase já passou e o time atual já mostrou que pode bem mais no trabalho coletivo.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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