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OPINIÃO

Com nova crise no Flamengo, elenco terá caráter ou tentará nova fritura?

Jogadores do Flamengo celebram gol contra a Universidad Católica, do Chile, pela Libertadores Imagem: Gilvan de Souza / Flamengo
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André Rocha

Colunista do UOL Esporte

20/05/2022 08h24

A crise entre Paulo Sousa, Diego Alves, elenco e diretoria do Flamengo é um combo de equívocos típico de direções amadoras.

Começando pela renovação de contrato com o goleiro, mais Diego Ribas e Filipe Luís, no ano passado, por puro populismo às vésperas de uma decisão de Libertadores.

Passando pela renovação do elenco terceirizada para o treinador e sua comissão técnica, missão que parece maior que a capacidade de Sousa, inclusive como líder. Depois de uma vitória que aliviou a pressão, criar atrito com uma liderança do elenco, mas que hoje é terceiro goleiro, foi pouco inteligente, para dizer o mínimo.

Com a repercussão que ganha tudo que envolve o time de maior torcida do país, a tensão é máxima para o jogo contra o Goiás, sábado (21) no Maracanã. Inclusive com promessa de coletiva pós-jogo de Paulo Sousa acompanhado de Marcos Braz e Bruno Spindel para esclarecer o imbróglio.

A informação que chama atenção de toda essa balbúrdia é a presença de Diego Ribas, Everton Ribeiro, Willian Arão, David Luiz e Rodrigo Caio, além do médico Marcio Tannure, como "testemunhas" na reunião de ontem com Alves, Sousa e Spindel no Ninho do Urubu, que tentou apagar o incêndio, conforme noticiado por setoristas do clube.

Foram testemunhar porque não confiam na palavra de Paulo Sousa?

Mas a questão mais importante é: como será o comportamento do time na partida, importante para iniciar uma recuperação no Brasileiro e, por outro lado, em caso de derrota, que provavelmente afundará um dos elencos mais valiosos do país na zona de rebaixamento?

O único parâmetro para análise não é positivo. Na verdade é um tema espinhoso.

A final carioca foi vencida pelo Fluminense, que foi mesmo o melhor time do estadual, inclusive nos dois jogos decisivos. Mas qualquer crítica mais contundente que se faça aos jogadores do Flamengo pode soar como razão para desmerecer a conquista tricolor.

Longe disso. Mas ficou claro nas duas partidas que havia um comportamento diferente dos rubro-negros. Aliás, a impressão vinha desde as semifinais contra o Vasco.

Muitos passes longos de David Luiz, porque os companheiros não ofereciam opções de passe. Jogadores trotando nas transições defensivas, facilitando os contragolpes do rival. Passividade diante do jogo físico e das provocações dos adversários, que também pressionavam a arbitragem.

Entregaram o jogo e a taça? Não, mas a postura foi condenável. Também porque não era um estadual qualquer, mas a chance de um inédito tetracampeonato para o maior vencedor do Carioca.

As estrelas que fizeram história com outras conquistas não jogaram pela honra, por amor próprio, ao menos. Preferiram fazer "beicinho" para o treinador que não agrada. Isso ficou claro não só nas partidas finais do estadual, como na vitória sobre o Sporting Cristal três dias depois. Isolando Paulo Sousa até na comemoração dos gols.

Só depois que a direção garantiu respaldo à comissão técnica é que houve uma trégua entre técnico e elenco, que agora parece ameaçada.

Como será contra o Goiás? Qual será o comportamento dos que estiveram na tal reunião e forem escalados?

Haverá caráter ou uma nova tentativa de fritura? Aconteceu também com Domènec Torrent, que começou a se queimar com o elenco quando colocou Diego Alves no banco e Hugo Souza para jogar.

Paulo Sousa não é inocente nessa história sem mocinhos. Mas o elenco que vem de cinco vices seguidos e pode colocar o Flamengo no Z-4 da principal competição nacional deveria ter mais respeito. Pela instituição e por seus próprios currículos.

Vejamos como será o amanhã.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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