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André Rocha

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Rocha: Clima de 'já ganhamos' no Flamengo é o que incomoda Paulo Sousa

Paulo Sousa, técnico do Flamengo, durante duelo com o Madureira, pelo Carioca - Marcelo Cortes / Flamengo
Paulo Sousa, técnico do Flamengo, durante duelo com o Madureira, pelo Carioca Imagem: Marcelo Cortes / Flamengo
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

22/02/2022 10h11

Aconteceu no vestiário do Estádio Nilton Santos, logo depois da derrota no Fla-Flu. Um clima até sereno no vestiário rubro-negro, compreensível para um jogo de início de Carioca, mesmo com o contexto de terceira derrota consecutiva para o grande rival atual no Rio de Janeiro.

Mas o tom de uma conversa entre lideranças do elenco testemunhada por Paulo Sousa não agradou. Como se não fosse importante e "no final, a gente é que levanta a taça". "Eles comemoram agora, mas nós somos os tricampeões".

Atmosfera parecida na Supercopa do Brasil, em Cuiabá. "Essa taça que eles estão festejando nós temos duas!" foi o que se ouviu na saída do gramado. Por isso a insistência do treinador português com o termo "fome" na coletiva após a derrota nos pênaltis para o Atlético Mineiro.

"O que me parece é que nossa equipe tem que dar um passo diferente. É uma equipe que há quatro anos construiu vitórias importantes pelo talento. Hoje, em termos de espírito, é uma equipe que tem que ter a mesma fome de conquistas do início da construção desse elenco", afirmou Sousa.

O clima não é de "já ganhou", mas de "já ganhamos". Ou seja, faz parte perder agora, o "importante é chegar" e o grupo no dia a dia está sempre lembrando as conquistas de 2019/20.

O próprio comportamento de Gabigol nas redes sociais, respondendo as (injustas) acusações de "pipoqueiro" por não ter sido o responsável pela primeira cobrança na segunda série, logo depois de Hulk, é um bom exemplo desse hábito. Sempre lembrando feitos passados, recordes batidos. Mesmo que a realidade seja de três vices seguidos: Libertadores, Brasileiro e Supercopa.

Só que Paulo Sousa chegou agora e precisa de vitórias e conquistas para ter paz e estabilidade. Ele não participou dos títulos passados e deseja fazer história no Flamengo. Por isso o recado foi dado com veemência. Vejamos se o grupo reage com caráter e espírito vencedor ou se queimará mais um treinador que fala o que pensa.