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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: É injusto que o Bayern seja o timaço e o Barcelona a notícia

Muller comemora gol do Bayern de Munique contra o Barcelona, pela Liga dos Campeões - REUTERS
Muller comemora gol do Bayern de Munique contra o Barcelona, pela Liga dos Campeões Imagem: REUTERS
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista

15/09/2021 06h22

Os 3 a 0 do Bayern de Munique sobre o Barcelona no Camp Nou foram apenas a constatação da enorme superioridade do time bávaro, que domina totalmente o futebol na Alemanha e venceu a Liga dos Campões 2019/20 de forma avassaladora.

Massacrando inclusive, e principalmente, o próprio time catalão em Lisboa, no jogo único pelas quartas de final. 8 a 2 sem nenhuma contestação, de maneira impiedosa. Embora quem acompanhasse atentamente os dois times à época imaginasse uma vitória fácil da equipe alemã, ninguém poderia esperar um placar tão impactante.

Na estreia da edição 2021/22, dentro do Grupo E, a superioridade do time agora comandado por Julian Nagelsmann foi nítida. Até por não mudar tanto a dinâmica dos tempos de Hans-Dieter Flick. O mesmo 4-2-3-1, com mobilidade na frente, linhas adiantadas, agressividade e intensidade em todas as fases do jogo, especialmente no perde-pressiona.

Com Alfonso Davies novamente voando pela esquerda, Kimmich e Goretzka como os meio-campistas centrais que organizam, mas também aparecem na zona da finalização. Muller circulando às costas dos volantes adversários e alternando o posicionamento com os ponteiros, agora o jovem Musiala e Leroy Sané.

Lewandowski também participa dessa movimentação, porém mais próximo da área adversária. Assim marcou dois gols, com direito a drible humilhante em Piqué no último. Ambos em rebotes de chutes nas traves de Ter Stegen. Sem maiores dificuldades.

Um passeio de 17 finalizações do Bayern contra cinco, sete a zero no alvo. Controle total, com Upamecano e Süle contendo bem os contragolpes do adversário.

Sim, o Barcelona jogou fechado e buscando rápidas transições ofensivas, especialmente com Memphis Depay. Um 5-3-2 que tentava proteger a própria meta, em reconhecimento ao atual desnível em todos os aspectos. Resistiu até os 33 minutos, no chute de Müller desviado pelo zagueiro Eric García. Ver o Barça em seu estádio sem ter a posse da bola e ditar o ritmo foi chocante.

Mas não justifica que novamente o perdedor seja a notícia. Com Messi era até compreensível o enfoque, embora injusto com um clube seis vezes campeão do torneio. Uma taça a mais que o Barcelona. Agora a marca global permanece, porém sem a mesma relevância. Não havia em campo uma única estrela midiática com a camisa blaugrana.

Só que o noticiário seguiu focando na queda e difícil reconstrução do time da Catalunha. Com Piqué, Alba e Busquets como os remanescentes da "Era de Ouro" e um certo conformismo do treinador Ronald Koeman, armando o time de acordo com o contexto atual.

Ou seja, para não ser goleado pela equipe mais forte. O Bayern demonstra na estreia que é tão favorito ao título quanto Chelsea, PSG e Manchester City, Com novo comando e elenco menos desgastado é possível sonhar com a sétima conquista. Basta não perder Lewandowski por lesão em um jogo esquecível da Polônia em data FIFA. O camisa nove já marcou 28 gols em 18 partidas na temporada. Isso, sim, deveria ganhar os holofotes.

O Bayern é um timaço histórico que merece protagonismo, independentemente da camisa que (ainda) vende mais no mundo todo.

(Estatísticas: UEFA)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL