PUBLICIDADE
Topo

André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Santos, Vasco e a aleatoriedade brasileira na busca por um treinador

Fábio Carille e Fernando Diniz durante jogo-treino entre Corinthians e Atlético-PR em fevereiro de 2018 - Agência Corinthians
Fábio Carille e Fernando Diniz durante jogo-treino entre Corinthians e Atlético-PR em fevereiro de 2018 Imagem: Agência Corinthians
Conteúdo exclusivo para assinantes
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

09/09/2021 08h11

O Santos dispensou os serviços de Fernando Diniz depois da derrota por 2 a 1 para o Cuiabá. Mais um trabalho do treinador marcado por protagonismo nas partidas pela posse de bola, mas pouca efetividade no ataque, falhas defensivas cruciais e comportamento histriônico à beira do campo no trato com os jogadores.

Talvez buscando um contraponto, o clube foi atrás de Fabio Carille. Campeão brasileiro de 2017 com o Corinthians forte defensivamente, resgatando a identidade construída por Tite e Mano Menezes, até por ter sido auxiliar de ambos. Escolha que vai na contramão do DNA santista, de times ofensivos. Mas talvez adequado à realidade do clube, que busca reestruturação financeira, e do elenco que teve muitas baixas desde a participação na final da Libertadores.

Não é uma aberração como a opção por Jair Ventura em 2018. Carille tem mais currículo, estofo e, assimilando conceitos que Tite colocou em prática no Corinthians de 2015, apresenta um pouco mais de ideias para trabalhar no campo de ataque, especialmente as triangulações pelos lados. Mas não deixa de ser curiosa a mudança brusca de direção na maneira de jogar já na segunda metade da temporada.

No Vasco, Lisca pediu demissão. Ao contrário do que este colunista projetou na contratação, o trabalho não deu liga e o fracasso vai além do contexto ruim do clube, que segue enfrentando grave crise financeira. O treinador não conseguiu mobilizar o elenco e a torcida depois dos 4 a 1 sobre o Guarani na estreia, muito menos organizar a equipe de trás para frente, como se imaginava.

Sistema defensivo frágil, especialmente nas bolas paradas, e dificuldades para atacar, com ou sem espaços. A ponto de Gérman Cano viver seca de gols inédita, sem marcar há dez partidas. Simplesmente não deu liga.

E quais os nomes fortemente especulados em São Januário? Fernando Diniz e Guto Ferreira. Propostas e visões de futebol totalmente distintas. Antagônicas, sem pontos de contato. Água e óleo.

Impressionante como os dirigentes têm pouco ou nenhum cuidado ao analisar perfis de profissionais. Zero preocupação em observar as características dos atletas e buscar um comandante que encaixe com mais facilidade o modelo de jogo ao elenco. Tudo fica ao sabor dos resultados e as escolhas não consideram os contextos.

O Vasco tem chances cada vez mais reduzidas de acesso, os cofres vazios precisavam muito do retorno à Série A para recuperar as cotas de TV. O clube parece sem rumo e essa busca randômica por um treinador é apenas mais um sinal da falta de um norte. Como reconduzir um time de história singular ao lugar que deveria ocupar no futebol brasileiro?

A missão do Santos é menos complicada. Talvez o "fato novo" possa mexer com o ambiente e até renda uma classificação para as semifinais da Copa do Brasil. O problema é que o alvinegro praiano terá que atacar o Athletico na Vila Belmiro para reverter a desvantagem da derrota por 1 a 0 em Curitiba. Cenário que não é o preferido do novo técnico.

Os dois gigantes vão atrás de reconstruções que parecem tardias. Difícil traçar objetivos quando não se sabe exatamente o que quer.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL