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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Péssima atuação, vitória de líder e um único mérito do Palmeiras

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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

24/07/2021 21h18

O Fluminense poupou na derrota para o Grêmio no Maracanã pensando na volta contra o Cerro Porteño pela Libertadores, mas o jogo em Assunção foi adiado pela trágica morte do filho do treinador Chiqui Arce. Assim Roger Machado ganhou um tempo inesperado de preparação para entrentar o Palmeiras no Allianz Parque.

A julgar pelos primeiros 45 minutos, a semana "cheia" foi bem aproveitada pelo time carioca, que controlou o jogo com autoridade na casa do líder do Brasileiro. Organizado novamente em um 4-1-4-1, dificultando a saída de bola e conseguindo sair da pressão alviverde. Na melhor ação ofensiva, trocas de passes desde o setor esquerdo até Gabriel Teixeira tabelar com Nenê, driblar Weverton, mas parar no corte de Zé Rafael sobre a linha.

Foi a grande chance de um período com desempenho muito abaixo do Palmeiras - sem Abel Ferreira, novamente suspenso, na beira do campo. Com momentos constrangedores no ataque, muito pelos erros grotescos de Deyverson no trabalho de pivô. Mesmo contra a zaga reserva do Flu, com Manoel e David Braz.

Circulação muito lenta da bola, com Raphael Veiga novamente jogando como ponta armador pela direita, afunilando no trabalho de articulação com Veiga, que contra a Universidad Católica, procurava mais o lado esquerdo para ajudar Wesley, já que Renan praticamente não apoia pela esquerda.

Marcos Rocha deveria compensar atacando o corredor direito, com fez na quarta e até fez gol. Mas agora havia Egídio, Nenè e Gabriel Teixeira sobrecarregando o setor do lateral. O Palmeiras travou.

Seguiu com dificuldades na volta do intervalo, Mas deu muita sorte. Veiga recebeu nas costas de Egídio, que vacilou no posicionamento. Só que o cruzamento do ótimo meia palmeirense foi ruim, mas Manoel, sozinho, desviou para a própria meta e Marcos Felipe, surpreendido pelo erro do companheiro, não conseguiu evitar o gol contra.

Um show de incompetência do Flu. A senha para o Palmeiras se recuperar ao rodar o elenco homogêneo. Cresceu com Dudu, Willian e Breno Lopes nas vagas de Scarpa, Deyverson e Wesley. Raphael Veiga veio para o centro e criou algum perigo até dar lugar a Patrick de Paula. A ponto de fechar o jogo com posse dividida e dez finalizações, porém apenas uma no alvo. Não foi o gol da vitória.

Roger empurrou seu time para frente renovando o fôlego na frente, com as tradicionais trocas de Fred e Nenê por Abel e Cazares. Já havia perdido Caio Paulista por lesão no início da segunda etapa, substituído por Luiz Henrique. Ainda entraram Kayky e Ganso nas vagas de Gabriel Teixeira e Yago Felipe.

Para pressionar o Palmeiras nos minutos finais, porém sem contundência. Também porque o adversário apostou na concentração defensiva para garantir a nona vitória consecutiva na temporada, sétima no Brasileiro, e abrir vantagem na liderança, com impressionantes 80% de aproveitamento.

Se a atuação foi muito abaixo da vitória pela Libertadores e da média recente da equipe, o triunfo foi de líder. Com o único mérito de manter o espírito competitivo e não desmanchar mentalmente com um desempenho tão ruim em casa. O Palmeiras seguiu focado e, ao não ser vazado, venceu com um gol achado. Literalmente.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL