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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Flamengo vence primeira de junho dosando energias, mas time está ajustado

Rodrigo Muniz comemora seu gol com Diego durante partida do Flamengo contra o Coritiba, pela Copa do Brasil 2021; - Gabriel Machado/AGIF
Rodrigo Muniz comemora seu gol com Diego durante partida do Flamengo contra o Coritiba, pela Copa do Brasil 2021; Imagem: Gabriel Machado/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

10/06/2021 21h24

O Flamengo sobrou no primeiro tempo no Couto Pereira. Empurrando o Coritiba para o campo de defesa e desmontando a estratégia do treinador Gustavo Morínigo, que armou seu time para duelar com os rubro-negros pela posse de bola. Mas sofreu com a lentidão de Rafinha, Robinho e Léo Gamalho na frente.

O time de Rogério Ceni, afastado por Covid-19 e substituído à beira do campo por Maurício Souza, adiantou a marcação e liberou Filipe Luís pela esquerda, já que Gamalho ficava sozinho contra Willian Arão e Gustavo Henrique. O time rodava a bola, abria pelo lado e cruzava para Rodrigo Muniz.

O substituto de Pedro, voltando da seleção olímpica, e Gabigol, que não se apresentou para o jogo, não contribuía tanto tecnicamente no trabalho de pivô, mas compensava com presença física na área adversária. Até Vitinho cobrar escanteio e o jovem centroavante colocar nas redes de cabeça.

Poderia ter marcado outro, se a arbitragem, sem auxílio de VAR nesta terceira fase da Copa do Brasil, não marcasse um absurdo impedimento de Bruno Henrique, que serviu o companheiro de ataque. Dois gols seriam uma vantagem mais condizente para um primeiro tempo de 71% de posse, 92% de efetividade nos passes, oito finalizações (cinco no alvo) e 11 desarmes, cinco no campo de ataque.

Na segunda etapa, um claro cuidado para dosar energias. Também maiores cuidados defensivos, sem se expor tanto e garantir a terceira partida consecutiva sem sofrer gols. O Coritiba ficou mais intenso e rápido nas transições com Taison, Dalberto e Waguininho no ataque. Subiu a posse de 29% para 34% e finalizou cinco vezes, duas na direção da meta de Diego Alves.

O Fla só mais quatro, duas no alvo. Maurício colocou em campo reservas com mais rodagem: Rodinei, em sua reestreia, Hugo Moura e Michael. Ainda havia Bruno Viana, Léo Pereira e Renê, mas não havia razões para mexer no trio da saída de bola de trás - com Tailson pela direita, Filipe Luís voltou a recuar e guardar posição.

Rotação mais baixa para administrar. Muito provavelmente pela consciência de que junho será um mês de elenco mutilado por convocações, com cerca de 15 jogadores rodando o tempo todo. Como não era possível forçar para impedir o jogo da volta, o time empurrou com a barriga.

Mas há boas notícias nesta volta depois de 10 dias sem jogar. Além de não sofrer gols, o Flamengo mostrou que, mesmo desfalcada, a equipe está ajustada. Com modelo de jogo assimilado e bem executado. É claro que Ceni tem problemas em escolhas, substituições e leitura de jogo para fazer mudanças, virtudes que são conquistadas com o tempo.

Mas a evolução coletiva é nítida. E será um trunfo para um mês complicado, que pode comprometer a temporada se mal administrado. Por isso começar vencendo foi fundamental.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL