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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

São Paulo pode priorizar Paulista, mas depois terá que ajustar as metas

Crespo comanda o São Paulo em treino no CT da Barra Funda - Divulgação/SPFC
Crespo comanda o São Paulo em treino no CT da Barra Funda Imagem: Divulgação/SPFC
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

11/05/2021 02h56

Enquanto o São Paulo enfileirava vitórias na temporada 2021, inclusive rodando o elenco, pouco se falou de desgaste dos atletas com jogos a cada 48 horas, alternando Paulista e Libertadores. Parecia o planejamento perfeito, até para assimilar as ideias do novo treinador, Hernán Crespo.

Mas bastaram três empates consecutivos, sendo um no "Majestoso" em Itaquera, outro com o Racing no Cilindro de Avellaneda e o último, também fora de casa contra o Mirassol no encerramento da fase de grupos do estadual, com o time já garantido com a melhor campanha geral, para o resultadismo ligar o tal "sinal de alerta" no Morumbi.

Alarmismo que aumentou com os problemas musculares de Daniel Alves, Luciano, além do edema na coxa de Eder. Culpando a sequência de partidas, que quase ninguém apontava como problema há duas semanas. Como se, por exemplo, o Flamengo que teve jogos mais espaçados e utilizou os reservas com frequência no Carioca, também não convivesse com lesões musculares, como as de Gerson e Renê, além das fibroses de Diego Alves e Rodrigo Caio.

Faz parte do pacote e Crespo vem trabalhando justamente para deixar a equipe menos dependente de individualidades. Mas é um processo, leva algum tempo. Só que no São Paulo que não conquista um título desde 2012, tudo parece mais urgente.

E o planejamento visa encerrar esse incômodo jejum de taças para um gigante do futebol brasileiro. O Paulista é a meta mais próxima e palpável. Ainda mais sem o Santos, com Palmeiras priorizando Libertadores e um Corinthians em evolução, mas ainda não confiável, apesar da enorme tradição e cultura de vitória no estadual.

Ferroviária nas quartas, provavelmente o Mirassol na semifinal. Se mantiver a força competitiva, mesmo desfalcado, chega à final e aí terá que superar traumas e fantasmas recentes. Contra Corinthians, Palmeiras ou outro time de menor investimento. Mesmo com jogos encavalados em um calendário insano, parece o caminho mais curto.

Só que esse "sprint" de março até o final de maio tem, de fato, um preço. E para isso o São Paulo será obrigado a ajustar as metas para o resto da temporada. Começando pela Libertadores. Se o jogo contra a Ferroviária acontece dois dias depois do duelo com o Rentistas no Uruguai, é preciso manejar o elenco com inteligência. E colocando o melhor na sexta-feira, por mais incoerente que possa soar. Questão de contexto.

Se o título paulista vier, a partir de junho o time do Morumbi precisará ser pragmático, com os pés fincados no chão. Para uma equipe que nas últimas duas participações na Libertadores caiu na fase preliminar em 2019 e, no ano passado, foi eliminado no grupo de River Plate e LDU, qualquer coisa a partir das oitavas é lucro. Nos pontos corridos, convém mirar uma campanha condicionada aos resultados no mata-mata com meta inicial de G-6.

Mas é na Copa do Brasil que o São Paulo pode voltar a sonhar alto. Buscando um título inédito, que passou perto no ano passado, com o revés na semifinal contra o Grêmio. Dividindo atenções com o Brasileiro, o time então comandado por Fernando Diniz não suportou física e mentalmente. Algo que pode ser evitado se os objetivos ficarem bem claros.

A tese de que time grande tem que entrar para ser campeão em todas as competições é algo louvável como discurso, espírito, filosofia. Na prática, porém, algo sempre fica pelo caminho. Ou quase tudo. No caso do São Paulo, se 2021 terminar com duas taças já será histórico.

Caso só vença o Paulista, o gosto seguirá amargo, mas ao menos haverá o tão desejado troféu para celebrar. Para a realidade tricolor, não é pouco.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL