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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Só final da Champions terá City e Chelsea completos e concentrados

Sergio Aguero cobra e perde pênalti em Manchester City x Chelsea pelo Campeonato Inglês - Shaun Botterill/Getty Images
Sergio Aguero cobra e perde pênalti em Manchester City x Chelsea pelo Campeonato Inglês Imagem: Shaun Botterill/Getty Images
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

09/05/2021 09h12

No duelo entre o Chelsea de Thomas Tuchel e o Manchester City, duas vitórias dos Blues até aqui. A única na temporada da equipe de Pep Guardiola sobre o adversário da final da Liga dos Campeões foi em janeiro, pela 17ª rodada da Premier League, por 3 a 1 no Stamford Bridge. Ainda com Frank Lampard no comando técnico do time londrino.

Pela semifinal da Copa da Inglaterra, vitória por 1 a 0, gol de Ziyech, em Wembley. Pela 35ª rodada da liga, 2 a 1 de virada no Etihad Stadium. Partidas relevantes, sem dúvida. Afinal, a primeira encerrou o sonho do time de Manchester de conquistar os quatro títulos possíveis na temporada e colocou o Chelsea na decisão contra o Leicester City em busca da nona conquista do torneio.

Já a segunda fez o Chelsea ultrapassar o Leicester e, na terceira colocação, se firmar na zona de classificação para a próxima edição da Champions. Mas, principalmente, evitou a confirmação matemática do título do City que parece questão de tempo e pode se confirmar ainda no final da rodada, se o Manchester United não vencer fora de casa o Aston Villa.

São triunfos que logicamente serão levados no aspecto mental para Istambul. Mas podem ser traduzidos na decisão continental de formas diferentes. A confiança do Chelsea pode pesar, ou o "sangue nos olhos" de Guardiola e seus comandados virar tudo do avesso no confronto mais importante.

Os duelos também deixam lições. Para o City, a certeza de que precisará de concentração defensiva absoluta nos 90 minutos. Especialmente na transição, com perde-pressiona e muita, mas muita atenção na última linha da retaguarda para conter os deslocamentos de Timo Werner que abrem espaços para os companheiros infiltrarem e o Chelsea costuma colocar no mínimo dois jogadores na área para finalizar.

Em Wembley, Werner caiu pela esquerda e serviu Ziyech no gol da vitória. Em Manchester, o alemão apareceu pela direita para rolar para trás e Marcos Alonso decretar os 2 a 1. É movimento que requer muita atenção nas coberturas e atenção para não deixar nenhum oponente livre.

O pênalti perdido por Kun Aguero ao tentar uma "cavada" no último lance do primeiro tempo, com 1 a 0 a favor do City no placar, também é uma prova de que não pode dar chance de sobrevivência ao time de Tuchel. Qualquer vacilo ou displicência custa muito caro.

Para o Chelsea, a certeza de que não tem o direito de "apagar", como aconteceu no final do primeiro tempo no Etihad. Um time tão sólido defensivamente não pode permitir que em dois minutos tudo desmorone com o gol de Sterling, que" consertou" o domínio errado do disperso Aguero, e ambos estavam completamente livres na área para concluir. Logo em seguida o pênalti sofrido por Gabriel Jesus que poderia ter mudado o cenário da partida.

De qualquer forma, há um fator que relativiza toda e qualquer análise prévia da final na Turquia, além do contexto de jogo único e do tamanho da conquista: Chelsea e City ainda não se enfrentaram completos e concentrados. Por mais que Tuchel e Guardiola rodem seus elencos, os treinadores têm suas bases titulares.

O Chelsea no 3-4-2-1 com Mendy; Azpilicueta, Thiago Silva e Rudiger; James (Christensen), Jorginho, Kanté e Chilwell; Havertz (Pulisic) e Mount; Werner. O City no 4-2-3-1: Ederson; Walker, Stones, Rúben Dias e Zinchenko (Cancelo); Fernandinho (Rodri) e Gundogan; Mahrez, Bernardo Silva e Foden; Kevin De Bruyne.

Tuchel usou mais da sua base contra o City. Nove na Copa da Inglaterra e oito na Premier League, iniciando ou saindo do banco. Já Guardiola utilizou sete em Wembley e apelou para uma formação inicial apenas com Ederson e Dias como titulares, tratando como referência a escalação dos 2 a 0 sobre o PSG. Zinchenko, Gundogan e Foden entraram no segundo tempo.

Não justifica os reveses do City, mas é uma referência importante. Mahrez, destaque na semifinal da Champions com três gols, não jogou um minuto dos 180 contra o Chelsea de Tuchel, por exemplo. Ferrán Torres começou as duas partidas.

Além disso, há algum tempo as copas nacionais não são prioridade para os grandes ingleses. Dedicação e escalação de força máxima apenas quando só resta essa possibilidade de conquista. E o confronto pela liga foi logo depois das "catarses" no meio da semana contra PSG e Real Madrid. O Chelsea com um dia a menos de descanso, mas a necessidade de foco para se manter entre os quatro primeiros colocados.

Em Istambul tudo já seria diferente, mas neste caso mais ainda. Final inglesa que vale a entrega total para fazer história.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL