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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Cazares desmonta controle de jogo do River Plate. Fluminense merecia vencer

André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

22/04/2021 21h16

Desde o primeiro minuto, o River Plate deixou claro no Maracanã que tentaria controlar o jogo pela posse de bola. Primeiro no 4-3-3 com Casco como meia pela esquerda, De La Cruz e Julián Álvarez alternando pelos lados e Borré na frente. Depois um losango no meio com De La Cruz na função de "enganche".

Mas após abrir o placar aos 12 minutos em pênalti bobo do goleiro Marcos Felipe sobre Borré, o time argentino cadenciou demais a partida e chegou quase sempre com poucos jogadores na zona de finalização. Normalmente só os três mais adiantados. Trabalhando a bola e aproveitando a baixa intensidade na pressão pós-perda do time brasileiro, muito pela presença dos veteranos Nenê e Fred mais adiantados no 4-2-3-1 armado por Roger Machado.

O resultado foram 45 minutos mornos, o River com 65% de posse e apenas três finalizações contra oito do Flu. Uma no alvo para cada lado. Na melhor oportunidade, Egídio ganhou a marcação e rolou, mas Nenê chutou por cima. O grande articulador tricolor só apareceu nessa conclusão e nas bolas paradas.

Roger esperou 12 minutos da segunda etapa para trocar. Gabriel Teixeira entrou na vaga de Kayky, bem controlado por Angileri como um lateral-zagueiro, mais preso na marcação. Mas a troca que mudou o jogo foi na criação: Nenê por Cazares.

Quando o River tentou adiantar a marcação para afastar o oponente da própria área, proporcionou um contragolpe de três contra dois. Luiz Henrique, que jogou bem dando sequência aos ataques, atraiu um marcador e deixou Paulo Díaz contra Cazares e Fred. Passe do equatoriano, gol do artilheiro veterano, que quando tem tempo e espaço para concluir costuma ser letal.

Faltou pouco para a virada. Marcelo Gallardo soltou a equipe ao trocar Palavecino, Casco e Álvarez por Simón, Girotti e Beltrán, voltando ao 4-3-3. Mas seguiu sem intensidade e facilitando as rápidas transições ofensivas do time da casa. Lucca, que entrou na vaga de Luiz Henrique, perdeu chance em lance polêmico - pênalti marcável para este que escreve. Passe de Cazares, que ainda fez Armani trabalhar com bela defesa. O meia deitou e rolou nas costas de Enzo Pérez, o "regista" do River que não é tão forte sem bola.

O Flu terminou com 33% de posse, mas 14 finalizações, cinco no alvo. A estreia, depois de oito anos, pode ser considerada boa. Mostrou que será competitivo na disputa do Grupo D. Provavelmente pela segunda vaga com Junior Barranquilla e Independiente Santa Fé. Mas considerando que o River só costuma acelerar o ritmo no mata-mata, sonhar com a liderança não é nenhum absurdo.

No Maracanã jogou para vencer. E merecia os três pontos. Com elenco reforçado e mais homogêneo, Roger Machado pode fazer o Fluminense render mais. Se Cazares focar no futebol e se cuidar minimamente, o time ganha um meia capaz de desequilibrar jogos. Mesmo contra gigantes do continente.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL