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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

City passa barreira com Guardiola na Champions, mas dará o que o PSG gosta

Foden comemora o segundo gol do Manchester City sobre o Borussia Dortmund - REUTERS/Wolfgang Rattay
Foden comemora o segundo gol do Manchester City sobre o Borussia Dortmund Imagem: REUTERS/Wolfgang Rattay
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

14/04/2021 18h14

Foi difícil entender a opção de Pep Guardiola por Walker na lateral direita, deixando João Cancelo no banco. Não foi exatamente uma daquelas "invenções" do catalão que já complicou o Manchester City em mata-mata de Liga dos Campeões, mas tirou uma opção de qualidade na difícil tarefa de criar espaços.

Ainda mais depois do início com intensidade máxima do Borussia em Dortmund e o belo gol de Bellingham. Também a força de Raphael Guerreiro e Marco Reus pela esquerda para cima do próprio Walker. A partir dos 20 minutos, a impressionante compactação do 4-1-4-1 no próprio campo, com a distância entre a última linha defensiva e Haaland na frente nunca maior do que 30 metros.

Restou ao City trabalhar a bola, inverter o jogo. Sem a típica referência na frente, buscando Bernardo Silva e Kevin De Bruyne nos espaços entrelinhas que quase não apareciam. Era preciso criar, mas Gundogan não contribuía como em outras oportunidades na temporada. A virtude era a persistência. No chute forte de De Bruyne no travessão, na finalização de Mahrez que Bellingham salvou e na cabeçada de Zinchenko para defesa do goleiro Hitz.

Na volta do intervalo, mais concentração para pressionar e seguir atacando. Até Emre Can desviar com a cabeça e também o braço na área do Dortmund. Pênalti convertido por Mahrez para virar o jogo mental de vez. O empate era suficiente para a equipe inglesa, mas a proposta não mudou. Linhas adiantadas, perde-pressiona, Stones e Rúben Dias cuidando de Haaland. No escanteio curto, a bola para Phil Foden, que jogava aberto pela esquerda, mas recebeu pela direita para soltar um foguete no canto que surpreendeu Hitz.

Depois foi controle sem levar sufoco. Time tão ajustado que Guardiola, mesmo com seu time ainda envolvido em quatro competições, só trocou Mahrez por Sterling. Mantendo Cancelo no banco. Terminou com 59% de posse, 90% de efetividade nos passes, 15 finalizações a nove, cinco a três no alvo.

Um timaço que passa pela barreira das quartas com Guardiola. Sem o Bayern é o favorito ao título pela bola jogada, já que do outro lado temos "apenas" o Real Madrid das 13 taças, três com Zidane no comando técnico. Mas na semifinal o rival será o Paris Saint-Germain, de Neymar e Mbappé. Que matou o atual campeão em Munique com espaços para as rápidas transições ofensivas.

O City tem sido um "camaleão" em 2020/21. Já venceu de várias maneiras, inclusive recuando e acelerando nos contragolpes. Mas a tendência é Guardiola buscar o protagonismo com a bola. Talvez não se arriscando tanto quanto os bávaros, mas qualquer metro é latifúndio para a dupla genial do time francês.

Dois emergentes bilionários buscando a vaga na final, para tentar o título inédito que virou obsessão no lado azul de Manchester e em Paris. A única certeza é que será mais um confronto espetacular.

(Estatísticas: UEFA)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL