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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Flamengo entre o título esperado e o vacilo final

Gabigol e Gerson comemoram segundo gol do Flamengo diante do Inter - Thiago Ribeiro/AGIF
Gabigol e Gerson comemoram segundo gol do Flamengo diante do Inter Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

22/02/2021 08h40

Na 37ª rodada do Brasileiro de 2020, o Flamengo assume a liderança. Lembra 2009, mas há 11 anos o time então comandado por Cuca na primeira rodada estava longe de ser considerado favorito.

Em maio do ano passado, quando o campeonato deveria ter começado, o time rubro-negro era disparado o principal candidato ao título. Mas a pandemia empurrou o início para agosto e Jorge Jesus para fora do Flamengo. Com Domènec Torrent e Rogério Ceni, o favoritismo permaneceu, mas perdendo força justamente porque a equipe não conseguia se impor em jogos decisivos.

Na virada sobre o Internacional no Maracanã por 2 a 1, a vitória sobre o concorrente direto. Depois de superar Santos, Palmeiras e Grêmio entre os times que compõem o G-8. Novamente com desempenho oscilante ao longo da partida.

O Flamengo viveu novamente do seu volume de jogo, mantendo a posse sempre nos 60% (terminou com 59%), e da proposta de nunca abdicar do ataque, mesmo com o recuo natural depois de fazer o segundo gol.

Sobre a expulsão de Rodinei no início do segundo tempo: este que escreve teria dado o cartão amarelo, mas é lance interpretativo. O árbitro Raphael Claus foi chamado pelo VAR e, na imagem congelada, a visão pode mudar. Nunca saberemos se ele faria o mesmo no Beira-Rio.

Mas daí a gerar esse escândalo todo nas reclamações do Internacional vai uma distância grande, mesmo considerando o tamanho do jogo e o impacto que o homem a menos teve no time de Abel Braga. O Flamengo terminou o primeiro tempo com superioridade na partida, o próprio Edenilson, autor do gol colorado, reconheceu na entrevista concedida na saída para o intervalo.

Além disso, que "esquema" é esse em que o árbitro marca um pênalti para o adversário do time supostamente favorecido no início da partida e anula um gol deste no final do jogo?

O fato é que as mudanças nas regras e as orientações da FIFA para a arbitragem ampliaram muito as possibilidades de interpretação. A entrada de Rodinei em Filipe Luís foi punida com amarelo em muitos jogos, inclusive apitados pelo próprio Claus. Mas já vimos puxões na área como o de Gustavo Henrique em Yuri Alberto não serem vistos como faltas e disputas como a de Pedro com Lucas Ribeiro serem tratadas como normais.

O Flamengo venceu porque seus talentos decidiram mais uma vez. Primeiro com Bruno Henrique ganhando fácil de Rodinei e servindo De Arrascaeta no gol de empate. Depois o passe do meia uruguaio para a infiltração de Gabigol no "facão" pela esquerda. Bola "cantada" neste espaço na sexta. Quando Gabigol cai pela esquerda ele recebe na frente já pronto para finalizar de canhota. Foi letal.

Ceni armou o time para abrir o ferrolho do 4-1-4-1 de Abel e teve o mérito de fazer os jogadores permanecerem focados no jogo, mesmo em um clima de pressão absurda sobre a arbitragem. Mas novamente se atrapalhou um pouco com as substituições. Ao trocar Isla por Pedro, tornou o time mais ofensivo, porém com Everton Ribeiro totalmente perdido como uma espécie de ala pela direita. Canhoto, não dava profundidade aos ataques.

Consertou com João Lucas na vaga de Gabigol, que saiu com mal estar. Mas o lateral, escolhido provavelmente por ser mais alto e forte na marcação que Matheuzinho, parecia perdido e teve problemas no inicio com Patrick. Teve sorte porque o grande escape colorado pela esquerda cansou. Com Natan na zaga ao lado de Gustavo Henrique - Rodrigo Caio novamente saiu lesionado - e João Gomes no lugar de Diego, o Flamengo se reorganizou defensivamente, mas pecou pela ansiedade de vencer e pular para a ponta da tabela.

O chute por cima de Bruno Henrique foi a única chance clara desperdiçada ao longo da partida. Foram 10 finalizações, quatro no alvo. No Morumbi contra o São Paulo, o ataque vai precisar ser ainda mais letal. Porque o tricolor não vai diminuir o interesse, mesmo que vença o Botafogo e se garanta no G-4.

Ninguém no clube quer ver o ídolo Rogério Ceni dando volta olímpica em seu estádio por outro time. Ainda mais com a forte rivalidade desenvolvida ao longo da temporada e com ampla vantagem para o São Paulo, no Brasileiro e na Copa do Brasil. Além disso, o Flamengo não vence o adversário da última rodada desde 2017 e, no Morumbi, desde 2011.

Cenário bem diferente de 2009, com jogo final no Maracanã lotado e contra um Grêmio que não entregou o jogo, mas parecia nada disposto a vencer e dar o titulo brasileiro ao Inter no ano do centenário deste. É possível ser campeão sem vencer, desde que o Corinthians complique a vida do Colorado no Beira-Rio. Mas é melhor não contar com isso.

No fio da navalha e sem inspirar confiança desde a primeira rodada, o Flamengo vive até a decisão de quinta-feira entre o titulo esperado e o vacilo final. Como será o desfecho desta vez?

(Estatisticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL