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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Internacional faz vergonha na primeira missão como favorito absoluto

Uendel é expulso durante Internacional x Sport, jogo do Brasileirão 2020 - Fernando Alves/AGIF
Uendel é expulso durante Internacional x Sport, jogo do Brasileirão 2020 Imagem: Fernando Alves/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

10/02/2021 21h48

O Internacional tomou a liderança do São Paulo no Morumbi, depois virou sobre o Grêmio e se impôs contra o Red Bull Bragantino, jogo tratado como decisão pela ascensão do time paulista. Ambos no Beira-Rio. Segurou o empate com o Athletico na Arena da Baixada, duelo sempre complicado e ponto comemorado pelo treinador Abel Braga.

Uma semana de preparação, empate do Flamengo no fim-de-semana com o Bragantino. Confronto em casa com o Sport, um dos times mais frágeis do campeonato, sofrendo para se manter na Série A. Tudo para vencer, voltar a abrir quatro pontos e encaminhar o título.

Só havia um problema: a responsabilidade de atacar. Em nenhuma das 12 partidas de invencibilidade o Colorado teve mais posse que o adversário, muito menos a obrigação de se instalar no campo de ataque para trabalhar a bola e criar espaços.

Jair Ventura montou o Sport com linha de cinco atrás, Marcão e Betinho na proteção e tentando organizar contragolpes com Thiago Neves e Marquinhos se aproximando de Dalberto. Nos primeiros minutos sem nenhuma vergonha de se entrincheirar e dar chutões para se livrar da bola e evitar a "blitz" inicial com intensidade máxima e pressão no campo de ataque da equipe mandante.

O Inter rodava a bola, forçava pela esquerda com Patrick, mas insistia nos cruzamentos. Foram 17 até os 25 minutos do primeiro tempo. Seis finalizações, mas nenhuma no alvo. Pouca criatividade na execução do 4-1-4-1 que tinha Praxedes mais pela direita e Edenilson à esquerda no trabalho por dentro à frente de Rodrigo Dourado.

Até que o Sport conseguiu dar sequência a uma ligação direta e Marquinhos ganhou de Uendel na cabeça e na velocidade até ser derrubado pelo lateral antes de finalizar. A arbitragem interpretou como falta impedindo chance clara de gol e a expulsão foi direta.

A expectativa era de que o Sport se lançasse ao ataque e desse os espaços que o Inter precisava. Mas Jair não estava tão desesperado para mudar sua proposta e o líder, por necessidade, não podia recuar as linhas. Seguiu atacando, primeiro recuou Patrick como lateral, depois Abel trocou Praxedes por Leonardo Borges, recompondo o setor esquerdo.

Mas a retaguarda, exposta, mostrou fragilidades que não apresentou nas partidas anteriores por causa da proteção. Um toque rápido de Marquinhos com o calcanhar abriu um clarão para Marcão sair de trás, dar uma "boca" em Lucas Ribeiro e tocar na saída de Marcelo Lomba.

A desvantagem com um homem a menos parecia o Armagedom para Abel. Mas havia Patrick novamente para salvar o time e o treinador. No bate-rebate, vacilo de Rafael Thyere, Patric deu espaços e o meia pela esquerda acertou o ângulo de Luan Polli. O cenário ficou mais promissor.

Só que a ventura que bafejou especialmente contra Grêmio e Bragantino, com pênaltis decisivos a favor, fez falta em um lance inusitado: cruzamento errado de Patric que pegou um efeito estranho, quicou na linha e voltou para Junior Tavares. Rodinei ficou olhando e o ala do Sport serviu Dalberto para fazer 2 a 1.

Sair para o intervalo perdendo era tudo que o Inter não queria. Novamente a necessidade de atacar, com o time cansando a cada minuto com a desvantagem numérica e cedendo espaços. Jair Ventura primeiro foi cuidadoso ao tirar Marquinhos, que já tinha cartão amarelo, colocando Sander. Depois corajoso ao trocar Junior Tavares por Hernane Brocador, recuando Sander como ala e abrindo Dalberto pela esquerda.

Só não ampliou por seguidas decisões erradas nos contragolpes cedidos. E quase pagou com o chute de trivela de Caio Vidal na trave. Abel, porém, resolveu tirar o jovem atacante para jogar bolas na área para Abel Hernández, com Yuri Alberto circulando mais. Foram 45 cruzamentos, mas faltou a chance cristalina. Só duas finalizações no alvo em todo jogo, uma na segunda etapa.

59% de uma posse inócua na maior parte do tempo. 86% de efetividade nos passes, mas quase sempre tocando lateralmente até despejar na área. Não por acaso Abel Braga renega a bola. Seu time não sabe bem o que fazer com ela.

Muito pouco para o líder do campeonato. Um vacilo feio que pode custar o título. Inclusive abalando a confiança para enfrentar em São Januário um Vasco desesperado depois de levar 3 a 0 do Fortaleza no Ceará e entrar no Z-4.

Melhor para o Sport, que se afasta da zona de rebaixamento como protagonista de um dos capítulos mais improváveis de um Brasileiro maluco e totalmente aberto. O Inter fez vergonha na primeira missão como favorito absoluto.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL