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André Rocha

Galo e Vasco aproveitam o grande "furo" na justiça dos pontos corridos

Savarino (ao centro) comemora gol do Atlético-MG sobre o Santos, em jogo do Brasileirão 2020 - Alessandra Torres/AGIF
Savarino (ao centro) comemora gol do Atlético-MG sobre o Santos, em jogo do Brasileirão 2020 Imagem: Alessandra Torres/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

27/01/2021 08h51

Palmeiras e Santos utilizaram reservas nos jogos que tinham a cumprir para, enfim, completar os 32 jogos dos demais times do Brasileiro - Flamengo, Grêmio, Corinthians e Bahia farão o último acerto da tabela na quinta-feira.

No mundo ideal, a própria Conmebol e a CBF deveriam preservar os grandes finalistas da Libertadores, que se enfrentam sábado, no Maracanã. Até para trabalhar melhor na divulgação do evento jogo único decidindo o principal torneio sul-americano. Mas se já seria pedir muito em uma temporada normal, imagine nesta marcada por uma pandemia.

Vasco e Atlético Mineiro foram os beneficiados pelo contexto. E seriam até mesmo se os times paulistas tivessem escalado os titulares. Talvez até mais, porque não há força mental e espírito competitivo que façam um atleta deixar tudo em partida que não vale muita coisa, já que os times estão bem distantes do líder Internacional, a quatro dias de uma final continental.

É claro que há o temor de perder a decisão e, por conta dos pontos deixados para trás, ficar de fora da Libertadores do ano que vem via Brasileiro. O Palmeiras está mais tranquilo: o time está no G-6 e ficará nele mesmo que o Grêmio vença o Flamengo na quinta. Ainda tem a possibilidade de ficar com a vaga de campeão da Copa do Brasil.

Já o risco do Santos é bem maior, embora uma hipotética derrota para o Palmeiras abra mais uma vaga na Libertadores e haja tempo e qualidade para buscar a sétima colocação - hoje está em décimo, a cinco pontos do Fluminense. Questões para pensar e calcular depois de sábado.

Nos jogos de terça, o Atlético cumpriu sua obrigação, embora tenha diminuído o ritmo e administrado a vantagem conquistada em 18 minutos, com os gols de Savarino. O primeiro aproveitando erro na saída do zagueiro Luiz Felipe e Nathan, de volta ao time de Jorge Sampaoli, servindo o ponteiro venezuelano. Depois Keno entregando linda assistência para o chute forte que definiu os 2 a 0.

Apesar da atuação digna dos jovens santistas que haviam vencido o então líder São Paulo na 29ª rodada. A equipe que Cuca mandou a campo finalizou cinco vezes, três no alvo e uma na trave, ainda no primeiro tempo com Marcos Leonardo.

O Galo atacou num 2-3-5 na maior parte do tempo, com Guga e Guilherme Arana apoiando mais por dentro e Nathan e Hyoran se juntando ao trio ofensivo, que desta vez teve Eduardo Sasha no centro do ataque. A dinâmica para gerar espaços foi maior, assim como a fluência ofensiva, mas tudo precisa ser relativizado por conta da condição do oponente.

O Vasco ao menos pontuou, o que é sempre importante para quem foge do Z-4. O empate por 1 a 1 deixou o time com 36 pontos, a quatro do Bahia, 17º colocado que joga na quinta contra o Corinthians. O ideal para a equipe de Vanderlei Luxemburgo teria sido a vitória para ficar ainda mais longe da "zona da confusão".

Mas o Palmeiras tem elenco mais homogêneo que o Santos e as circunstâncias da temporada deixaram todos no elenco com uma minutagem razoável e ritmo de competição para tornar a disputa mais parelha. Ainda mais no Allianz Parque. Abel Ferreira montou uma equipe rápida na frente com Breno Lopes, Gabriel Silva e Lucas Esteves, municiados pelo trio mais técnico e experiente no meio-campo: Felipe Melo, de volta ao time depois de longa recuperação de fratura no tornozelo, Lucas Lima e Gustavo Scarpa.

Com modelo de jogo assimilado, o Alviverde novamente foi forte no jogo de transições rápidas. Como no gol de Breno Lopes, infiltrando pela direita para bater cruzado e abrir o placar. A mais bem-sucedida das 14 finalizações do time da casa, três no alvo.

Contra 12 de um Vasco de ânimo renovado depois da vitória sobre o Atlético Mineiro no sábado, mas ciente de suas limitações. Com Marcelo Alves e Ricardo Graça como novidades na zaga, Luxemburgo sabia que se expor demais à rapidez do adversário poderia ser letal, como foi no gol de Breno e em outros momentos.

Com a bola, desta vez Benítez teve ainda mais liberdade em um 4-2-3-1 mais nítido que "descansava" o meia argentino sem bola para que ele tivesse condições físicas de fazer a bola chegar a Cano com mais frequência. Mas desta vez o próprio camisa dez foi o artilheiro, cobrando falta com precisão tirando do alcance do goleiro Jailson.

O ponto que trouxe de São Paulo deve ser valorizado. Porque em condições normais seria bem mais complicado. Assim como o Santos completo e focado criaria muito mais problemas para o Galo oscilante, embora forte em casa: é o melhor mandante, ganhando 39 dos 48 pontos disputados em seus domínios.

Eis o grande "furo" na justiça dos pontos corridos. Mesmo que todos se enfrentem em ida e volta, os contextos das partidas podem ser muito diferentes. As equipes que foram derrotadas por Palmeiras e Santos, completos e focados em outros momentos da competição, certamente invejaram a felicidade de Vasco e Atlético Mineiro ao cruzar com times fortes, porém fragilizados pela concentração total em outro campeonato.

É assim no mundo todo, mas, no Brasil, dado o equilíbrio de forças em um campeonato que normalmente é imprevisível, o impacto é maior. E pode influir diretamente na disputa pelo título e também na fuga do rebaixamento. Acontece e é compreensível, mas correto não está.

(Estatísticas: SofaScore)