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André Rocha

Everton Ribeiro foi chave tática para seleção manter 100% em Montevidéu

Éverton Ribeiro dispara com a bola dominada durante Uruguai x Brasil pelas Eliminatórias - Lucas Figueiredo/CBF/Mowa Press
Éverton Ribeiro dispara com a bola dominada durante Uruguai x Brasil pelas Eliminatórias Imagem: Lucas Figueiredo/CBF/Mowa Press
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

18/11/2020 07h44

Tite foi duramente criticado depois da vitória por 1 a 0 sobre a Venezuela no Morumbi por supostamente ter "engessado" e "tolhido a criatividade" dos jogadores. Também por não ter criado nada novo para tentar abrir a retranca do adversário.

Mas quando tentou, abrindo Cebolinha pela direita e Everton Ribeiro à esquerda para ter os jogadores driblando para fora, buscando o fundo e os passes com os pés "bons", Tite também foi alvo de protestos por "inventar demais" e não aproveitar a dupla como atua em seus clubes. Difícil agradar...

No Estádio Centenário, em Montevidéu, o treinador brasileiro não precisou quebrar a cabeça para furar um sólido sistema defensivo, já que o contexto faria o Uruguai atacar mais em casa e naturalmente ceder espaços. Mas a necessidade de fechar os lados sem perder rapidez na transição ofensiva forçou uma alteração tática.

O 4-1-4-1 com Arthur no lugar de Alan, mas como meia ao lado de Everton Ribeiro e Douglas Luiz mais fixo na proteção, precisou mudar. Porque Gabriel Jesus e Richarlison estavam recuando como ponteiros e deixando Firmino mais à frente. O atacante do Liverpool nunca foi um velocista e sofria para reter a bola contra Gimenez e Godín.

A solução foi um 4-4-2 que trouxe Everton Ribeiro para o lado direito, adiantando Jesus. O camisa dez voltou a ser um ponta armador, como no Flamengo. Embora não tivesse em Danilo um lateral rápido e intenso para ultrapassagens como Isla no time rubro-negro, o meia contava com opções para acionar por dentro e até do lado oposto.

Richarlison foi fundamental pela esquerda, não só por buscar as infiltrações em diagonal, como também no auxílio a Renan Lodi contra Cáceres e Nández. Ainda apareceu na área para concluir de cabeça uma jogada ensaiada de escanteio pela esquerda, com participação de Everton Ribeiro no primeiro toque.

Foi o segundo gol, já que o primeiro, também marcado no primeiro tempo, foi de Arthur em chute desviado que saiu do alcance do goleiro Martín Campaña. O meio-campista, agora na Juventus, também cresceu com a mudança no sistema, já que recuou e teve mais espaços para controlar o jogo com passes curtos. Mais à frente como meia, tende a girar e tocar para trás.

O segundo tempo foi de controle e administração, até pelas limitações físicas de todos na temporada atípica. Everton Ribeiro contribuiu como uma referência pela direita para manter a posse e sair da pressão. Também ajudou Danilo contra De La Cruz, depois Jonathan Rodríguez, e Darwin Nuñez, o melhor uruguaio, mesmo deslocado para o ataque com a ausência de Luís Suárez, com covid, e responsável pela melhor oportunidade da equipe de Oscar Tabárez, batendo forte na trave de Ederson logo no início da partida.

Os 2 a 0, porém, traduziram o que foi a partida. O Brasil teve 59% de posse, 86% de efetividade nos passes e finalizou seis vezes contra cinco. Quatro a zero no alvo. Solidez defensiva, com ótimas atuações de Marquinhos e Thiago Silva, que irritou Cavani, expulso por entrada covarde em Richarlison. Para facilitar ainda mais a manutenção do resultado.

Garantindo os 100% de aproveitamento do líder das eliminatórias sul-americanas. E Tite alcançando não só o segundo triunfo visitando o Uruguai, como chegando a 14 vitórias e apenas dois empates na disputa dentro do continente por vaga na Copa do Mundo. A seleção segue forte, apesar dos olhares tortos de muitos.

O que não o exime das críticas pelas convocações de jogadores atuando no Brasil, prejudicando seus clubes. Falta um pouco de sensibilidade. Por exemplo, para que tirar Thiago Galhardo da preparação do Internacional para jogo decisivo contra o América pela Copa do Brasil?

Ao menos Everton Ribeiro teve utilidade. Mais que isso, foi a chave tática para Tite mudar a seleção. Com versatilidade e inteligência, se adaptando à demanda. Pensando jogo a jogo, o Brasil continua sobrando na América do Sul.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL