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Liverpool e City ainda são os melhores da Inglaterra, mas desfalques pesam

Salah comemora gol do Liverpool contra o Everton - Catherine Ivill/Reuters
Salah comemora gol do Liverpool contra o Everton Imagem: Catherine Ivill/Reuters
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

17/10/2020 16h39

O melhor jogo da quinta rodada da Premier League 2020/21 foi o dérbi de Merseyside. O empate no Goodison Park em 2 a 2 confirmou a capacidade de competir do Everton, líder com 100% de aproveitamento nas quatro primeiras rodadas. Apesar da baixa intensidade, ainda que evoluindo, de James Rodríguez sem bola para o nível do campeonato que sacrificou o setor direito do time de Carlo Ancelotti.

O colombiano é o ponta articulador que parte do lado para criar ou finalizar. Mas seu time perdeu o lateral Coleman e precisou adaptar o zagueiro Godfrey pela direita. Mas desde o início sofreu com Robertson voando pelo corredor. Como na chegada ao fundo e o toque para Sadio Mané para abrir o placar logo aos dois minutos.

O Liverpool precisava dar uma resposta depois dos 7 a 2 para o Aston Villa e entrou mais concentrado e intenso. Mas com Thiago Alcântara como o meio-campista, ao lado de Fabinho e Henderson, que varia o ritmo e já é o principal acionador dos laterais e do trio ofensivo.

Poderia ter ampliado no pênalti do goleiro Pickford sobre Van Dijk, não marcado pelo impedimento milimétrico, na "manga invisível", do zagueiro que se lesionou. Já sem Alisson, também de fora por contusão, e com Joe Gomez no lugar do holandês, natural que a defesa de Jürgen Klopp sentisse a alteração e a enorme perda técnica e simbólica.

Cedeu empate na bola parada com o gol do zagueiro Michael Keane em cobrança de escanteio. Mas os Reds seguiram dominando até o fim do primeiro tempo e forçando pela esquerda, a ponto de fazer Richarlison trocar de lado com James para auxiliar Godfrey.

Mais organizado, o Everton equilibrou o segundo tempo também atacando pela esquerda. Apesar da baixa intensidade de Andre Gomes, o português ex-Barcelona. Digne compensou no apoio, abrindo o campo e permitindo que Richarlison entrasse mais em diagonal para se juntar a Calvert-Lewin na área do rival. Poderia ter virado na cabeçada do brasileiro na trave completando cruzamento de James.

Com melhor desempenho veio a empolgação e a consequente fragilidade atrás. Logo pela esquerda, permitindo o cruzamento de Henderson e Mina falando no corte e dando o centésimo gol no Liverpool para Salah. Com a desvantagem, Ancelotti cansou de André Gomes e colocou Sigurdsson. Depois trocou Doucouré por Iwobi para fortalecer o lado direito.

Confiante e com Diogo Jota na vaga de Firmino, os Reds fizeram Pickford trabalhar. O Everton parecia definhar mentalmente, mas um artilheiro sempre pode descomplicar tudo. Kalvert-Lewin chegou a sete gols em cinco rodadas. Cruzamento preciso de Digne.

Klopp respondeu com Wijnaldum na vaga de Fabinho e buscou uma blitz final nos acréscimos, depois da expulsão de Richarlison por entrada perigosa e desproporcional sobre Thiago. Conseguiu o terceiro gol, com Henderson, mas Mané estava impedido por centímetros, frustrando a equipe que teve 58% de posse e finalizou o dobro do rival: 22 a 11, oito a cinco no alvo. Atrapalhando a busca por reação na tabela - agora são dez pontos em cinco partidas.

Mesmos cinco pontos perdidos do Manchester City em quatro partidas - falta o jogo adiado da primeira rodada, justamente contra o Aston Villa, algoz do Liverpool, porém em casa. As campanhas são parecidas e já com derrotas doídas - o City levou de cinco em casa do Leicester na terceira rodada.

Mas ainda com qualidade no elenco e no comando, como ficou claro na vitória por 1 a 0 sobre o Arsenal. Um duelo com toque de "criador x criatura" com Pep Guardiola e Mikel Arteta no comando das equipes.

Uma disputa tática com times mutantes. No City sem De Bruyne e Gabriel Jesus, mas tendo a volta de Aguero, João Cancelo era lateral direito sem bola e meio-campista, muitas vezes bastante avançado, no ataque. Walker cobria o lado direito e era zagueiro na fase defensiva. O trio na saída de bola ainda tinha Rúben Dias e Akê.

Fazendo a bola chegar a Bernardo Silva e Cancelo por dentro para abrir o campo com Mahlrez pela direita e Phil Foden do lado oposto e criar espaços por dentro para Aguero e Sterling, autor do gol da vitória ainda no primeiro tempo. Na segunda etapa, menos volume de jogo e mais cuidados defensivos de Guardiola, pela ciência de que era necessário vencer em casa para pontuar. Trocou Aguero e Foden por Gundogan e Fernandinho.

Porque o Arsenal também mudou bastante taticamente. De Willian como "falso nove" no primeiro tempo, centralizando entre Pepe e Aubameyang. Depois mexendo o trio ofensivo na execução do 3-4-3 e abrindo o corredor esquerdo para Shaka infiltrar. Os Gunners finalizaram sete vezes na segunda etapa, 11 no total. Mas apenas três no alvo. Nem a entrada de Lacazetti como uma referência no ataque tornou a equipe londrina mais objetiva. Ainda que Ederson tenha feito duas grandes defesas em sequência.

O Everton segue líder e, ao final da rodada, Liverpool e City devem ficar fora até da zona de classificação para a Champions. A longo prazo, porém, os dois primeiros colocados das últimas duas edições devem em algum momento voltar a polarizar a disputa pelo título. A menos que os desfalques que vêm castigando os favoritos persistam. Eles pesam bastante e, com o equilíbrio crescente na liga, não há elenco que dê conta.

(Estatísticas: BBC)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL