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Na polarização entre Galo e Fla, o "milagre" é de Coudet no Internacional

Jogadores do Inter celebram gol contra o Sport na Ilha do Retiro - Rafael Vieira/AGIF
Jogadores do Inter celebram gol contra o Sport na Ilha do Retiro Imagem: Rafael Vieira/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

15/10/2020 02h08

O Atlético Mineiro tem o melhor treinador atuando no futebol brasileiro. Jorge Sampaoli, além de estar em prateleira acima dos demais, ainda tem um ano ou mais de vantagem sobre outros estrangeiros, como Eduardo Coudet e Domènec Torrent.

Mas a falta de um artilheiro que resolva jogos difíceis está pesando para o argentino. Assim como os desfalques de Junior Alonso, Alan Franco e Savarino, a serviço de suas seleções na data FIFA.

O Fluminense fez grande partida no Mineirão. Odair Hellmann poupou Fred e Nenê para ser mais intenso e rápido. Perdeu Fernando Pacheco por lesão muscular logo no começo da partida e Caio Paulista entrou para manter o 4-1-4-1 compacto e abrir o placar com um chute espetacular, no ângulo de Everson.

O Galo, mais uma vez, respondeu ao primeiro tempo descoordenado com volume sufocante na volta do intervalo. No modo "avalanche", adiantou e centralizou de vez Guilherme Arana, se juntando a Nathan, Sasha, que foi para o lado direito porque Marrony entrou no lugar do garoto Sávio, controlado por Egidio na primeira etapa. Jair e Guga também apareciam no 2-3-5 habitual em fase ofensiva.

O risco, porém, foi alto e Luiz Henrique teve a chance de fazer 2 a 0, mas finalizou muito mal. A punição ao Flu veio pouco depois, na bela combinação até Keno preparar e Arana bater no canto de Muriel, que foi o destaque tricolor com incríveis defesas, Salvando sua equipe quando o adversário conseguiu colocar mais atacantes que defensores na área.

Faltou "punch" ao time mandante que teve 65% de posse e finalizou 13 vezes, oito no alvo. Mas permitiu 11 conclusões do Flu. Sem contar os 33 cruzamentos que em vários momentos demonstraram o desespero de perder dois pontos em casa, mesmo para o quinto colocado.

Porque o Flamengo pode ultrapassá-lo caso vença o Red Bull Bragantino no Maracanã. Assim como no ano passado, os rubro-negros têm a chance de chegar à liderança na 16ª rodada. Mesmo com um jogo a mais em relação ao Galo, a ultrapassagem pode carregar um simbolismo que aumenta a pressão sobre o time mineiro que não é campeão brasileiro há 48 anos.

O Internacional é entre os grandes o que ostenta o segundo jejum mais longo: são 40 edições do campeonato nacional, com as fórmulas e regulamentos mais diversos e estapafúrdios, desde a conquista invicta em 1979. O time gaúcho venceu duas Libertadores, um Mundial, uma Copa Sul-Americana e uma Copa do Brasil desde então, mas no Brasileiro bateu na trave algumas vezes. 2006 e 2009, especialmente.

Hoje a esperança atende pelo nome de Thiago Galhardo, artilheiro com 13 gols. Mas é Coudet quem viabiliza a capacidade de competir do Colorado, até quando é preciso descansar o goleador em meio à maratona de jogos. Com Galhardo iniciando no banco, o Inter se impôs na Ilha do Retiro em um jogo eletrizante, maluco até.

Por necessidade, Coudet deu mais uma chance a Leandro Fernández, mesmo depois da tola expulsão no empate com o Amética de Cali pela Libertadores. O argentino formou dupla na frente com Abel Hernández, que foi às redes mais uma vez.

Coudet também apostou em Rodinei por conta das ausências de Saravia e Heitor na lateral direita. Teve problemas defensivos, mas também fluência na frente, inclusive com o próprio Rodinei fazendo bom cruzamento que, na disputa pelo alto, o zagueiro Adryelson marcou contra.

Mas os destaques colorados novamente foram Edenilson e Patrick. É impressionante como o time cresce quando os dois estão voando. Patrick, especialmente, marcando dois gols - o primeiro um golaço limpando os defensores. Fazendo o lado esquerdo do meio-campo no 4-1-3-2 e aparecendo para finalizar.

O elenco, porém, não é farto e Coudet faz o que pode. Com a volta de Rodrigo Dourado ganha uma boa opção de proteção à defesa e correção nos passes, melhor que Musto, Mas no retorno acabou substituindo LIndoso e ajudou sua equipe a golear por 5 a 3 na Ilha do Retiro um Sport que vinha sólido defensivamente com Jair Ventura.

Finalizou 14 vezes, oito no alto. Cinco nas redes. Eficiência que apareceu no momento exato, para se enfiar como "intruso" entre o Flamengo estelar e favorito e o Galo de Sampaoli, dedicado a apenas uma competição. Depois do empate com o rival Grêmio, pedra no sapato na temporada, vitórias sobre Red Bull Bragantino, Athletico e agora Sport.

Nada que afirme como candidato ao título, mas um feito que dá respaldo e alívio a Coudet. Os mesmos 31 pontos do líder Atlético, mesmo com um jogo a mais. Saldo igual, com 13, mas quatro gols a menos a favor - 30 a 26.

Mas em jogos duros o Inter conta com o trunfo da fase iluminada de Galhardo. Justamente o que carece ao Galo, mesmo com o ataque mais positivo do campeonato, na disputa com o Fla de Pedro, Bruno Henrique e Gabigol. Também a defesa menos vazada, com 13 gols. Maior equilíbrio em números para compensar a diferença de orçamentos e qualidade das peças. Coudet garante seu time competitivo quase sempre. Um "milagre".

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL