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Pedro vence duelo contra Tadeu e Flamengo revive o time do "vira-vira"

Pedro, do Flamengo, celebra gol contra o Goiás - Alexandre Vidal / Flamengo
Pedro, do Flamengo, celebra gol contra o Goiás Imagem: Alexandre Vidal / Flamengo
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

13/10/2020 20h39

A missão do Flamengo era dura e as opções para a montagem do time não eram fartas, mesmo com o melhor elenco do país e do continente. As vantagens eram atuar em casa e enfrentar o Goiás, lanterna do Brasileiro.

Mas Domènec Torrent montou o time com o melhor que tinha à disposição e partiu para cima. Com Michael e Bruno Henrique nas pontas e Gerson à frente de Willian Arão e Thiago Maia e atrás de Pedro num 4-2-3-1. Com intensidade desde o início e circulando a bola com mais rapidez do que nos primeiros tempos das ultimas partidas.

Só tinha um problema defensivo: o posicionamento de Matheuzinho, que centralizava muito, ocupando o mesmo espaço de Gustavo Henrique. No cruzamento da direita, a falha do lateral rubro-negro e o gol de Vinicius, o ponta pela esquerda do 4-2-3-1 armado por Enderson Moreira que recuava Keko pela direita para auxiliar Edilson contra Filipe Luís e Bruno Henrique.

O Flamengo, porém, não esmoreceu e seguiu pressionando. O Goiás negava brechas por dentro, se aproveitava da falta de hábito de Gerson atuando de costas para o marcador e induzia o adversário a jogar pelas pontas e cruzar. Só que não conseguia marcar Pedro. Sobrou para o bom goleiro Tadeu, que passou a travar um duelo com o centroavante rubro-negro que praticamente resumiu o jogo.

Foram dez defesas do arqueiro, sete finalizações de Pedro. Empate na jogada em que Gerson conseguiu dar sequência com rapidez e acionou Bruno Henrique, que entregou mais uma assistência: a terceira nos últimos quatro jogos, a quarta na competição.

O segundo tempo foi de ataque contra defesa, mas com alguns sustos e boa defesa de Hugo em cobrança de falta de Edilson. O time foi cansando e Dome só trocou o exausto Gerson por Lincoln. Certamente pensando no jogo de quinta-feira contra o Red Bull Bragantino, mas a equipe perdeu fluência. Para piorar, Michael errava a maioria das tomadas de decisão ou falhava tecnicamente mesmo.

A insistência, porém, acabou premiada. Arão pegou um rebote com liberdade, bateu meio no desespero e sem força na perna. Mas a bola encontrou Pedro de frente para Tadeu. Fatal para encerrar o duelo no último ataque e confirmar a importância do artilheiro: sete gols no mesmo número de jogos.

Três pontos para quem finalizou 31 vezes, 12 no alvo. Com 66% de posse e 85% de efetividade nos passes. Um certo exagero nos 42 cruzamentos, mas compreensível pelo cenário do jogo. Era preciso transpirar muito para compensar todos os problemas e também os méritos de Tadeu.

Com mais uma virada, o time chega aos mesmos 30 pontos do Atlético MIneiro. O duelo pela liderança lembra os velhos embates da maior rivalidade interestadual do país construída nos anos 1980. No título brasileiro de 1982, o Flamengo se consagrou como o time do "vira-vira". Desde a estreia nos 3 a 2 sobre o São Paulo no Maracanã, mesmo estádio dos 2 a 1 sobre o próprio Galo na segunda fase, até ao triunfo também por 3 a 2 sobre o Guarani em Campinas na semifinal, foram oito viradas.

Agora o time alcança a segunda consecutiva no Brasileiro de 2020. No apito final, a comemoração efusiva reforça a imagem de que elenco e comissão técnica se fortaleceram nas dificuldades. Já na quinta-feira a perseverança será novamente testada. O fôlego também.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL