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Liverpool mostra ao Chelsea de Kepa que futebol não é só dinheiro

Roberto Firmino, do Liverpool, disputa bola com Reece James, do Chelsea  - Michael Regan/Getty Images
Roberto Firmino, do Liverpool, disputa bola com Reece James, do Chelsea Imagem: Michael Regan/Getty Images
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

20/09/2020 14h30

O Chelsea fez o mercado mais agressivo na curta virada da temporada europeia: Werner, Havertz, Zyiech, Chilwell e Thiago Silva chegaram. E Frank Lampard pode mesmo armar um time promissor com elenco mais recheado.

Mas no confronto com o campeão Liverpool só pôde contar com a dupla alemã no ataque. E desfalques sérios na defesa, como Azpilicueta e Rudiger.

Por isso um 4-3-3 mais cuidadoso, posicionando Havertz como "falso nove", Werner pela esquerda e Mason Mount à direita. Este voltando mais com Robertson, já que Marcos Alonso esperava Alexander-Arnold e Zouma cuidava mais das infiltrações em diagonal de Salah.

Mesmo com dificuldade para criar chances cristalinas, os Reds controlavam o jogo com volume e intensidade. Tirando Jorginho, o "regista" dos Blues, do jogo com muita pressão. Fabinho formou a zaga com Van Dijk e abriu vaga no meio-campo com Henderson, Keita e Wijnaldum. Thiago Alcântara, contratado ao Bayern de Munique, começou no banco.

Jogo relativamente equilibrado, com defensores vencendo a maioria dos duelos com os atacantes. Até o encaixe da diagonal de Mané, contida com falta por Christensen. Com auxílio do VAR, a arbitragem trocou o amarelo inicial pelo vermelho.

Lampard reorganizou a defesa para o segundo tempo com Tomori no lugar de Havertz, o sacrificado, até pelo desempenho não mais que razoável. Mas o 4-4-1 começou a fazer água ao dar espaços para a dinâmica do tridente ofensivo: Tabela entre Salah e Firmino, deste para o golpe de cabeça de Mané e bola nas redes.

E aí veio a falha, mais uma, de Kepa. Goleiro que custou 71 milhões de libras, o mais caro da história. Errou grotescamente e deu o segundo gol a Mané, que teve mérito na pressão dentro da área adversária.

Com 2 a 0, o Liverpool preferiu administrar no ritmo de Thiago Alcântara, ainda se entrosando com os novos companheiros. Mas não foi por isso que o meio-campista se atrapalhou no pênalti sobre Werner. Até tentou tirar o corpo, mas trombou mesmo, marcação acertada.

Jorginho é que não foi preciso. Bateu fraco e permitiu a defesa de Alisson. Para marcar bem a diferença entre os goleiros. O Liverpool que acreditou no alemão Loris Karius em uma final de Liga dos Campeões aprendeu a lição e partiu para seu período mais vencedor com um arqueiro confiável. O melhor do mundo na atualidade.

Mostrando que não é apenas questão de dinheiro, mas de boas escolhas. Competência na gestão dentro e fora de campo. Envolvendo também a experiência de Klopp, acertando, errando e aprendendo. Lampard ainda está começando na nova função.

O Chelsea deve anunciar o senegalês Edouard Mendy, do Rennes. Sem gastar tanto quanto com Kepa, mas na esperança de resolver o problema da meta. Para tentar recuperar tempo na temporada e, com todos disponíveis, ser mais competitivo. Inclusive no returno contra o Liverpool, mas em Anfield.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL