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André Rocha

Vasco líder e 100% tem organização, variações táticas e Cano. Não é acaso

Jogadores do Vasco comemoram vitória contra o Ceará - Kely Pereira/AGIF
Jogadores do Vasco comemoram vitória contra o Ceará Imagem: Kely Pereira/AGIF
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

20/08/2020 22h16

O Vasco da Gama chega a nove pontos em três partidas. Com o empate do Bahia contra o São Paulo por 1 a 1 no Morumbi, é o único time com 100% de aproveitamento no Brasileiro. E com os 3 a 0 sobre o Ceará é líder da competição, mesmo com um jogo a menos nas quatro rodadas. Supera o Internacional no saldo de gols (seis contra cinco).

Acaso? Sem chance. O time de Ramon Menezes é organizado, coordena bem os setores e tem variações táticas interessantes. Como era auxiliar técnico, o treinador efetivado conhece bem o elenco e até aqui vem conseguindo potencializar as qualidades dos jogadores.

No início da partida no Castelão, posicionou Neto Borges como uma espécie de ala pela esquerda, dando apoio a Henrique no trabalho sem bola e dando liberdade a Talles Magno como um escape para os contragolpes. Pode ser 4-3-3, 3-4-3 se considerar Henrique um terceiro defensor ou 4-4-1-1, com Talles atrás de Germán Cano.

Primeiro tempo de controle negando espaços, mas sem conseguir acelerar os contragolpes. Quando Benítez recebeu em profundidade, faltou o passe rasteiro para Cano. Em contrapartida, não permitiu nenhuma oportunidade cristalina do time de Guto Ferreira que só tinha Mateus Gonçalves como boa opção pela direita, porém sem as infiltrações em diagonal para se aproximar de Cléber no pivô.

Pouco antes do final do primeiro tempo, Talles foi para o lado direito, centralizando Benítez e deixando o lado esquerdo para Neto. Seguiu sem rapidez na transição ofensiva. O suficiente para Ramon mexer na estrutura da equipe, repetindo uma mudança da vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo.

Bruno Gomes entrou na vaga de Neto Borges, que até fez bom primeiro tempo. O volante substituto foi proteger a defesa num 4-1-4-1, liberando Fellipe Bastos e Andrey, mantendo Benítez pela direita. O argentino roubou na frente, Andrey mais adiantado serviu e Cano conferiu. O artilheiro de um toque só foi implacável mais uma vez. 12º gol na temporada, terceiro no Brasileiro.

Três bolas nas redes também de Fellipe Bastos, que aproveitou o espaço deixando por Benítez e Talles juntos pela esquerda e apareceu para usar sua grande virtude: o chute forte e preciso. Um golaço! Ramon conhece e transmite confiança a um jogador outrora renegado e até perseguido pela torcida.

Com o Ceará entregue e os gritos de Ramon para seguir atacando, demonstrando a ambição de quem, como jogador, foi tão vencedor pelo clube, o contragolpe rápido no final encontrou Ribamar, substituto e "dublê" de Cano. Cinco finalizações, quatro no alvo. Três nas redes. Com 42% de posse.

Objetividade, consciência, senso coletivo. Um time "camaleão" rodando o elenco e surpreendendo os adversários. E ainda Cano, goleador minimalista que consegue fazer mais com menos. Não é pouco, ainda que seja cedo para qualquer projeção.

Na fotografia do Brasileiro em quatro rodadas, o Vasco de Ramon se apresenta como uma ótima novidade. Também um presente para o clube, que completa 122 anos amanhã, dia 21.E com o rival Flamengo no Z-4.

Nem o mais apaixonado cruzmaltino imaginou celebrar desta maneira o aniversário. Futebol é espetacular mesmo.

(Estatísticas: SofaScore)