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Botafogo continua pecando pelo "arame liso", Flu afirma time jovem e rápido

Calegari, do Fluminense, salva o que seria gol do lateral-esquerdo Guilherme, do Botafogo - Vitor Silva/Botafogo
Calegari, do Fluminense, salva o que seria gol do lateral-esquerdo Guilherme, do Botafogo Imagem: Vitor Silva/Botafogo
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros ?1981? e ?É Tetra?. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

André Rocha

25/07/2020 19h51

Já que o debate sobre a volta do futebol na pandemia sem redução do número de mortos no país foi perdido lá atrás, é dever reconhecer a boa sacada de criar a Taça Gérson e Didi e reforçar os laços recentes entre Fluminense e Botafogo ao lidar com os efeitos da Covid-19.

Mas o amistoso no Estádio Nílton Santos teve intensidade e preocupação das equipes com o desenvolvimento dos modelos de jogo pensando no Campeonato Brasileiro. E alguns sinais do Carioca foram confirmados.

Como o Botafogo tentando acelerar pelos flancos, mesmo com a perda de Luis Henrique, que testou positivo para Covid-19 - o lateral Guilherme Santos foi adiantado para a ponta. Mas também com variação de ritmo com Honda organizando e Bruno Nazário se movimentando dando liga entre meio-campistas e o trio do ataque. Especialmente o pivô Pedro Raul na referência.

As ações ofensivas fluíram bem, só faltou contundência, mais uma vez. Em um clássico e nos confrontos mais parelhos que virão é preciso transformar as oportunidades nos períodos de domínio em bola na rede. Faltou sorte na bela jogada de Nazário com lençol em Egídio e voleio no travessão. Mas também uma precisão mínima na péssima cobrança de pênalti de Pedro Raul, que ganhou de Honda a chance de bater. Sem contar o chute fraco de Guilherme Santos na saída de Muriel que o lateral direito Calegari conseguiu salvar sobre a linha.

O Fluminense também teve chances, mas nenhuma tão cristalina. Foi inferior nos 90 minutos, porém o uruguaio Michel Araújo, que entrou na vaga de Nenê, aproveitou o domínio errado de Caio Alexandre para marcar o gol único da partida. Além da vitória, que sempre transfere confiança e dá tranquilidade para a sequência do trabalho de Odair Hellmann, vale para o tricolor a afirmação do time mais jovem e rápido que equilibrou as finais contra o Flamengo de Jorge Jesus.

As jogadas bem trabalhadas pelos flancos e as inversões rápidas de jogo possibilitaram algumas combinações interessantes no ataque. A melhor de Marcos Paulo acionando Evanilson na velocidade, mas a finalização saiu errada, muito aberta. O meio-campo teve momentos de boa dinâmica com Hudson mais plantado, entre as linhas no 4-1-4-1, e Yago Felipe e Dodi.

Com apenas Nenê, o melhor dos veteranos, e Ganso e Fred aguardando a vez, o Fluminense pode ser ainda mais competitivo. O Botafogo também tem condições de trilhar caminho promissor, ainda mais com as contratações recentes - se todos tiverem os pagamentos em dia, obviamente. Só não pode cercar, cercar e não furar. Sem pecar pelo "arame liso".